terça-feira, 12 de maio de 2009

A fagulha

Sabe, tive uma vontade súbita de escrever. Não necessariamente sobre algo específico, mas lançar palavras ao ar, conversar comigo mesma.
Queria conseguir compreender o ser humano, a começar comigo mesma. Hoje sei que não devo cometer os erros que cometi no passado, mas ainda tenho a sensação de que por mais que eu aprenda e mude, as situações parecem não cooperar para que algo legal e diferente aconteça.
Ando cansada do mesmo livro e principalmente de ficar na mesma página. Quero um pouco de emoção, de aventura e de mistério. Minha alma anda realmente muito inquieta. O coração pulsa pelo nada, os olhos tornam-se a mais bela janela para a imaginação em que devaneias sonham encontrar a realidade.

Por que é que as pessoas não conseguem admitir que deixam de vivenciar certas coisas com medo do que os outros vão pensar?

Um dia quero entender isso....

Às vezes tenho a sensação de que estou em um baile de máscaras. Enquanto se dança, os olhares se cruzam e leituras são feitas, mesmo que obscuras, nos passam uma série de valores e pensamentos que às vezes não condizem com a face que se esconde por trás da máscara. Às vezes a decepção é grande demais e às vezes, havia algo muito mais grandioso ali do que esperávamos. Estou pronta para me surpreender porque já cansei de me decepcionar com a queda das máscaras.

Vamos ao desconexo. Adoro escrever esses textos sem conexão. Me deu saudade dos textos que escrevi ano passado. Tem umas coisas boas lá. Preciso ler novamente uma hora dessas.
Ultimamente tenho lido muito. Nada do que deveria estar lendo de fato, mas me entreguei à ficção e ai, que delícia! Não tenho conseguido dormir sem ler e depois, é tão bom deitar a cabeça no travesseiro e ficar viajando, imaginando as cenas, as situações e se for história de amor então...xiiii...aí é melhor ainda! É como uma injeção de esperança na alma.

Tô querendo uma picada de esperança na alma, viu! Ultimamente tenho passado por tanta coisa que ando meio assim, murchinha, opaca e sem saber o que pensar, mas hoje não me prendo mais a expectativas. Apenas vou seguindo, vou vivendo e vou deixando cada coisa tomar seu curso. Nada de tentar a sorte ou de agir por impulso porque todas as vezes em que fiz isso me dei bem mal, diga-se de passagem. Isso é um lembrete para mim mesma: nada de dar ouvido aos outros e nada de agir na loucura porque você só se ferra. Ouviu, garota?

E de repente, surge uma fagulha...

domingo, 18 de janeiro de 2009

Saudade do que não tive

Como explicar a saudade daquilo que nunca se teve? Seria saudade das cenas que ficam apenas na imaginação? Não encontro uma maneira de explicar, mas sinto falta daquilo que ainda não tive.
Ultimamente tenho me sentido tão estranha, como se uma parte de mim estivesse perdida pela órbita terrestre. Às vezes penso que é a idade; às vezes penso que é o estado de espírito. Na verdade, acho que é uma combinação das duas coisas.
O que eu não gosto é viver essa situação atual: viver de expectativa. As pessoas perguntam, me cobram e não sei o que dizer, nem ao menos o que esperar. Às vezes tenho a sensação de que sou nutrida por essas imagens, devaneios, sonhos e expectativas e aí penso: o que me aconteceria se perdesse, nesse momento, tudo isso? Eu sei...eu iria sucumbir e definitivamente sei que o fio de esperança que me corre nas veias agora iria embora porque eu cansei e neste momento vivo meu último suspiro.
Não tenho conseguido viver no presente porque estou sempre em busca do dia de amanhã, porque é um dia a menos para chegar onde quero chegar. Mas essa chegada existe, ou existe apenas em minha cabeça? É disso que tenho muito medo.
Me sinto vazia, oca, opaca e diferente. Acho que sou uma bolha de ar voando sem rumo. Não sei o que fazer, o que pensar e estou sem chão. Não espero mais nada das pessoas porque já comecei o ano com tantas decepções. Apenas quero ficar no meu cantinho, quietinha, esperando...o que tiver que ser, será e como diria Maysa "se meu mundo cair, eu que aprenda a levantar". O problema é esse. Já caí tanto que estou cansada de levantar. Procuro apenas uma certa estabilidade. Não precisa nem ser 100% porque não creio que conseguimos estar 100% estáveis, mas pelo menos não quero mais viver nessa incerteza que me corrói.
Estou tendo várias crises de ansiedade repentinas e aí entro em pânico porque não sei o que fazer e a sensação que eu tenho é justamente essa: de que tenho que fazer algo. Mas a respeito de quê? Tenho tanto medo de ser enganada novamente, iludida e de fazer papel de boba.
Não faça isso comigo.
Eu lavei minha cara de palhaça e espero que nunca mais me pintem novamente.

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

Do you wanna dance with me?

Retomei minha atividade de escrever. Estava pensando nisso há um tempo... "preciso escrever, preciso escrever...". Falar não basta. Tenho que fazer e minha ânsia de escrever vem quando os pensamentos já não cabem mais nesta caixola. Eles precisam criar uma espécie de perna e dançar por aí embalados nos ritmos das palabras.
Sempre gostei de Maysa. Quando a ouvi pela primeira vez, há muitos anos atrás, ela cantava "Ne me quitte pas" e desde então, a música virou uma espécie de hino melancólico sonhador para mim. Até hoje, quando a escuto, tenho a mesma exata visão que tive na adolescência:
Um vestido incrivelmente costurado, saia bolo de noiva para flutuar pelo salão;
Um salão de baile vazio com luzes de um imenso lustre feito de cristal;
Um homem de fraque apaixonado.
Ela desce as escadas fitando-o com o olhar mais profundo que ele já vira.
Ele toma a mulher pela mão e a conduz na valsa que se encontra nessa música e os dois não conseguem deixar de se olhar. Seu vestido toca o chão e rodopia junto ao reflexo de duas almas que se encontraram em corpos quentes. O coração dispara, os lábios que sorriem tremem no nervosismo crônico que os dominou naquele momento. Em apenas uma valsa, ele a fará entender que não a deixará nunca mais porque demorou muito para encontrá-la.
Eles dançam....e dançam....e dançam....
Porque hoje não há mundo,
Não há dia e nem noite...
Que possa separar seus corpos quentes da valsa que os embala.