segunda-feira, 30 de junho de 2008

Ciranda utópica

Ele me pega, me olha
Me solta, me deixa
Ele volta, me assola
Me bate, me beija

Ele dança, ela ginga
Me envolve e arrepia
Ele fere, ela mima
Como se ainda fosse menina

E nessa ciranda, ela dança,
Com olhar de criança
No abraço, a esperança
De um dia que não vai chegar

A verdadeira inquietude d'alma


Ela me pediu, disse que ajudaria a enfrentar meu medo da morte. Eu chorei. Não entendo porquê sinto tanta vontade de escrever hoje. É como se quisesse vomitar todas as palavras que aprendi durante a vida toda. "O seu problema é o corpo", ela dizia. Sim, é o corpo porque minha mente não o separa da alma em circunstâncias normais. Por que eu deveria pensar que essa boneca grande é o que resume minha essência? Eu não estou aqui, eu não sou isso e não me encontro nela. Eu sou alma, alma inquieta, que não pára, não descansa e que quer entender.

Há algo que me deixa ainda mais inquieta e não consigo entender porquê. Acho que é o mistério, o fato de não saber nada e ao mesmo tempo achar que sei algo, mas mentira. É tudo muito embaçado e nada é translúcido. Queria ser assim, misteriosa, calada e embaçada, mas infelizmente, como não me desprendo dessa "matéria de boneca" que na verdade penso não ter nada a ver comigo, continuo deixando transparecer em seus olhos o quanto a invisibilidade a atinge.

Eu digo à ela que a boneca não importa. A boneca é matéria, ela é alma. Sua alma - inquieta - é alma. É um coração e é pura. Para ver uma alma limpa basta enxergar além do visível. A matéria, a boneca, qualquer um vê, mas para ver a alma, tem que ser um desbravador de essência, um oculista cardiológico para enxergar tudo aquilo que o olho da matéria jamais viu. É na alma que as coisas mais bonitas se escondem. A boneca, mais cedo ou mais tarde, irá se desfazer. Por mais que eu, a boneca, não aceite isso, é a lei da vida. Quero gritar de medo, quero urrar em pânico pedindo socorro e uma garantia de que não me perderei em meio à terra.

Eu não gosto de você, boneca. Por quê você me fere tanto assim? Se eu não gosto de você, porque tenho tanto medo de não tê-la mais um dia? Se sou alma, para quê você me serve? Se os outros me enxergam boneca, é porque escondo a alma. Por que se esconde? Por que me atemoriza? Por que me faz chorar? Por que despreza tanto a boneca que lhe abriga?

Medo, medo, medo. O que pode se fazer com uma boneca assustada? Por que escolhem ver apenas a boneca e não vêem a alma?

Olha, boneca, você só pode ser alma mesmo porque até seu cabelo te rejeita. Ele não nasce em todos os bulbos, é fino e não tem força para crescer e dizem que a beleza de uma mulher está em seu cabelo; a alma rejeita a boneca, essa, nunca a ouve e muito menos faz o que a alma pede. O que me resta? Quem é que escreve isso? Sou corpo ou sou alma? Não sou nada. Sou apenas um coração amedrontado com medo de morrer. Espero que um dia isso passe e enquanto isso, pesquiso todos os significados de alma que ela me pediu, já que eu mesma me denominei alma inquieta. Queria agora apenas um abraço...era tudo o que queria pra desaguar meu choro de pânico.

Ela pediu, eu fiz:

ALMA


do Lat. anima
s. f.,
parte incorpórea, imaterial do ser humano;
princípio da vida;
conjunto das faculdades intelectuais e morais do homem;
espírito;
pessoa;
a vida;
a existência;
chefe;
caudilho;
agente;
motor principal;
colorido;
coragem;
autor;
entusiasmo;
paixão;
animação;
carácter;
índole;
consciência;
sentimento;
coração;
força;
generosidade;
superfície interior da boca do cano de uma arma de fogo que pode ser lisa ou estriada;
peça dos instrumentos de corda que se colocam abaixo do cavalete;
pedaço de madeira entre a sola e a palmilha.


E aí vem Nietzsche e ferra com tudo:


"Aos que desprezam o corpo, quero dar meu parecer. O que devem fazer não é mudar de preceito, mas simplesmente despedirem-se do seu próprio corpo e, por conseguinte, ficarem mudos. [...] Tudo é corpo e nada mais; a alma é simplesmente o nome de qualquer coisa do corpo. O corpo é uma razão em ponto grande, uma multiplicidade com um único sentido, uma guerra e uma paz, um rebanho e um pastor. [...] Quero dizer uma coisa aos que menosprezam o corpo: desprezam aquilo a que devem a sua estima". (NIETZSCHE, 2000, p. 51)


Já não sei mais o que pensar...

Arbitrariamente

Escolhas. Tudo, absolutamente tudo na vida acontece proveniente de uma escolha. Neste momento escolho deixar o medo de lado e a face exposta aos tapas que possam vir. Se vierem, não arderão tanto assim porque na verdade já escolhi uma atitude madura ao invés de qualquer lágrima de menina que possa querer vir. Não escolho mais sofrer por coisas que não valem a pena e está na hora de enfrentar de uma vez por todas meus próprios fantasmas.
Não quero mais planos arquitetônicos, nem monumentos faraônicos e muito menos passar horas queimando neurônios pensando no que seria certo, no que deveria fazer. Pouquíssimas são as vezes em que atitudes denominam-se certas ou erradas porque cada escolha te guiará por um caminho, não importa qual seja ele. É preciso agir porque o aprendizado, de um jeito ou de outro, virá.
Mergulho numa sensação intimista de aconchego dentro de mim mesma. Há uma sensação de missão cumprida, um pouco de incerteza e dúvida, mas não mais medo. Sinto que posso simplesmente erguer minha cabeça e andar em paz; ler uns bons livros, trocar algumas palavras, observar o azul do céu, pensar em frases perfeitas de filmes que se encaixam em minha vida, ouvir todas as músicas melancólicas que quero e sentir uma alegria quase que agonizante de alguém que finalmente está saindo de seu casulo. A solidão já não me assusta mais e há um fio de esperança na ponta de meus dedos, no meio dos meus olhos e no tom da minha voz que me embraçam e me embalam em um sentido pleno, sincronizado, lindo.
É bom viver e sentir-se viva. O coração dispara, as palavras ora fogem, ora vêm como labaredas certeiras em meio a um coração morno que apenas deseja ser despertado. O meu encontra-se inquieto, porém muito em paz porque não estou permitindo divagações sobre o irreal.
Escolho viver este momento de maneira arbitrária e plena. Um pouco de calma e serenidade me farão muito bem juntamente com a companhia de ótimos livros e um pouco de silêncio. E logo eu, que quando penso que estou sendo desconexa é quando mais faço sentido.
Congratulations, little girl. You're definitely growing up and making sense.
Ouvindo Lonely - Yael Naim

quinta-feira, 26 de junho de 2008

Fogueira das Vaidades

Estava eu hoje na festa junina mais mal organizada que já vi. Os estudantes se espalhavam pelo bosque buscando um cantinho aconchegante e já que o frio hoje resolveu não dar trégua mesmo, alguém foi e fez uma fogueira.
Não fiquei observando os indivíduos sentados em volta dela por muito tempo. Não foi necessário, pois no momento em que fiquei ali por perto, consegui sacar algumas coisas. Engraçada a percepção do ser humano. Era uma fogueira de vaidades, cada um queimando seu próprio orgulho, mergulhado em sua própria desgraça, pegando carona nas feridas que ardiam ainda mais com a brasa em chamas. Pessoas pensando, pensando, pensando...longe, longe, longe.
Me deparo com meu companheiro de conversas. Como é de praxe, em momentos de reunião grupal, trocamos algumas palavras. Às vezes muitas, às vezes poucas, mas o engraçado é que parecemos escolher justamente os momentos mais descontraídos para falar de coisas sérias. É, foi engraçado perceber que parte de seu orgulho também se queimou na fogueira das vaidades. Estavam todos ali, tentando entender algo, buscando uma resposta que poderia apenas vir do interior de si próprio. Eu estou encontrando minhas respostas e estou muito feliz por isso.
Fiquei pensando que realmente, como me foi dito, o crescimento é singular, vem aos poucos e acontece na solidão. Sossego é o que mais quero. Quero mergulhar em minhas leituras, sonhar um pouco, inventar tramas em minha cabeça e pensar que dariam um ótimo filme. Distância do mundo real é o que mais quero no momento. As pessoas têm me cansado de uma forma geral. Cansei das mesmas conversas, das mesmas caras, os mesmos problemas e as mesmas futilidades. Quero um pouco de reflexão eu comigo mesma, quero arder em minha própria fogueira das vaidades e hoje, apenas quero deitar a cabeça em meu travesseiro e pensar que no final, tudo vai dar certo.
E mais uma pétala desabrochou. "Towanda!"

sábado, 21 de junho de 2008

Fried Green Tomatoes

Não consigo me lembrar quantos anos tinha quando vi "Tomates Verdes Fritos" pela primeira vez. Comecei assistindo achando que seria um filme chato, mas em poucos minutos ele me conquistou. Havia muitos anos que eu não o assistia. Lembro-me que na adolescência assisti por várias vezes. Um dia desses estava andando pelas Lojas Americanas quando vi o DVD do filme por R$9,99. Tive que comprar.
Desde que comprei o filme, não o havia assistido novamente. Hoje foi o dia. Cheguei cansada da faculdade, pensando em tantas coisas e queria desligar um pouco minha cabeça. Me lembrei de que ele estava lá na estante, ainda lacrado. Queria ver Kathy Bathes gritando "Towanda" e chorar com a música de abertura. De fato, chorei.
O que mais me intriga nesse filme é o fato de eu me sentir quase igual à personagem de Kathy Bates. As melhores cenas são as de "Towanda", quando ela surta e decide fazer o que quer sem pensar nos outros. Estou vivendo esse momento agora em minha vida e sempre que tenho atitudes assim, desde a primeira vez em que vi o filme, digo "Towanda" para mim mesma. É um grito de libertação.
Chorei um chorinho gostoso, mas senti que tinha mais para vir. Uma tristeza súbita me pegou de jeito e agora estou aqui a indagar sobre tantas coisas que prefiro nem começar a falar sobre, como a morte, por exemplo. Morro de medo da morte e tenho pânico dela. O engraçado é que esse pânico so cresce, aumenta e ao invés de melhorar com a idade, só piora. Tenho surtos, crises e não consigo falar sobre eles, nem mesmo na terapia. Por que temos que morrer? Fico pensando no que seria de mim e de minha irmã se algo acontecesse com minha mãe. Deus nos livre! Não temos mais nosso pai e eu sou apenas uma estudante sem emprego, não teria como nos sustentar. A gente briga, como toda família, mas não quero ninguém partindo. Já basta meu pai, avó e tia. Quero manter todo mundo aqui pra sempre e eu também não quero partir. Quando falo nisso choro feito uma condenada. As lágrimas não cessam, como agora por exemplo. Nem sei porquê estou falando disso. Na verdade sei. É que Ninny Threadgoode dizia não ter medo da morte e Evelyn não podia nem pensar no assunto. Quando Evelyn chega no quarto e vê que Ninny não está mais lá e a enfermeira dá a entender que ela morreu, é como se um pedaço de mim morresse também. Eu consigo sentir o drama de Evenly, sua dor.
Sou apenas uma garota boba, medrosa, que escreve pra ela mesma tentar se convencer de que talvez um dia ela seja feliz. Esse blogue, de jornalístico não tem nada. Nem é pra ter mesmo, por isso não divulgo pra ninguém. Aqui é meu cantinho de sonhos, de tristezas e desabafos. Gosto de mantê-lo bonito pra agradar a mim mesma. Escrevo pra que eu mesma me lembre das coisas que pensei e senti em determinado momento, além de ser uma boa maneira de exercitar a escrita.
Estou em um momento de parto. Estou tentando deixar Mr. Welch partir, mas é tão difícil. Eu sempre o amei e agora, de uma vez por todas, tenho que tentar seguir sem a idéia de tê-lo comigo um dia. Não posso ter esperança, por isso resolvi me afastar. Por que a vida nos traçou assim? Por que ele teve que aparecer em minha vida? O que eu teria aprendido com ele? Não consigo achar resposta alguma, além de que ele me fez sofrer de maneira absurda. Nunca mais quero amar alguém como o amei, na verdade, queria nunca mais amar. Depois da última experiência que tive este ano, vi que estar com alguém nem sempre é tão bom como parece. Por que temos a mania de colocar nossa felicidade no outro, como se dependêssemos de alguém para nos fazer feliz, para nos trazer a felicidade? Isso não existe. Temos que ser felizes por nós mesmos e uma outra pessoa deveria apenas somar mais felicidade, não tornar-se o pacote completo.
É, acho que falei muita coisa sem conexão alguma. Agora vou me deitar, chorar um pouco mais e pensar que amanhã será um novo dia.
"Towanda".

terça-feira, 17 de junho de 2008

Férias de minha vida

Respiro fundo, sento e tento criar coragem pra mais um dia de escrita. Ontem acordei inspirada e lindamente escrevi minha matéria de 6500 caracteres para o Contexto. Sabe quando você tem a sensação de que não vai conseguir escrever aquilo nunca e queria que já tivesse feito? Todos esses dias eu me senti assim quando pensava que tinha que escrever aquela matéria. Foi mais prazeroso de escrevê-la do que eu imaginava. Eu achei que a matéria ficou muito boa e tudo foi fluindo de uma maneira tão...linda! Minha editora também gostou muito do resultado. Yes! Score! Uma preocupação a menos...
Me sentei pra escrever no blogue pra ver se me inspiro. Preciso fazer uma outra matéria pra um trabalho, só que dessa vez a coisa vai ser bem mais pessoal e narrativa. Por isso quis começar escrevendo alguma coisa aqui. Quero deixar minhas emoções fluindo e a percepção e as palavras alinhadas.
Ontem, enquanto fazia algumas coisas, entendi o quanto eu realmente quero essas férias. Na verdade não dos estudos em si, já que vou começar a pesquisar pra minha iniciação científica nas férias, mas eu estou cansada das pessoas. Me cansei de cada uma delas. Não queria ver ninguém, absolutamente ninguém. Nenhum professor, nem os meus amigos mais próximos. Claro que não vou tratar ninguém com diferença nem nada. As pessoas não tem culpa do meu cansaço, ou talvez até tenham, mas não de forma generalizada. Cansei de draminhas, de conversinhas bobas, de gente que quer reter atenção, de gente interesseira, de conversas sem nexo no corredor das 70s, das mesmas caras nas festas, das mesmas músicas, os mesmos papos....ah, cansei! E cansei mesmo!
Quero ficar na paz, sair pra caminhar ouvindo músicas que eu gosto, ler muito, assistir filminhos e seriados, ir ao cinema em plena matinê de quarta-feira, passar a tarde falando abobrinha com a minha irmã sem ter que me preocupar em parar pra fazer trabalhos ou dar aula no cursinho. Quero sossego, sabe?
Acho que quero na verdade tirar férias da minha vida atual e me sentir de um jeito diferente. Quero ficar quietinha, calada, só no mundo da imaginação...sem pessoas pra importunar!

domingo, 15 de junho de 2008

You and I: volume III

Depois de assistir Sex and the City na telona, não tem como não se sentir "Carried away". It happens to me everytime. Sempre que vejo aquelas quatro mulheres e me deparo com seus dilemas, bato de frente com os meus. Sim, talvez 99% das pessoas que são fãs do seriado sintam-se da mesma maneira, mas gosto de pensar que sou única.
O filme apenas serviu pra me lembrar de todos os fantasmas que vêm me perseguindo por todos esses anos. Será, que assim como Carrie, não estou buscando algo que já encontrei, que acontece em volumes e em diferentes temporadas?
Na verdade não busco mais. A sensação de que a busca nunca deu em lugar algum é uma sensação horrível e sim, me cansei. Não quero mais joguinhos de sedução, mais cantadas baratas e planos quase que arquitetônicos pra conquistar alguém. Eu acredito, agora, mais do que nunca, que já encontrei o que procurava, mas ainda não posso tê-lo. Sim, como se dez anos já não fossem tempo suficiente.
Se eu estou aqui e você aí, é porque existe algum motivo. Não sei quais foram as razões de você ter escolhido esse caminho, mas algum motivo tem. Eu tenho que estar aqui agora. Não sei o que seria além de estudar e entrar em crises constantes, mas sei que meu lugar não é aqui. Ainda não é tempo. Tenho que crescer, amadurecer mais, deixar a adolescente de lado e virar mulher de uma vez por todas. Chega de joguinhos banais, de palavras tortas, de ações que não significam nada de buscas incessantes. Dez anos devem valer alguma coisa, não acha?
Eu quero um dia olhar pra você e sentir a mesma sensação que senti quando te vi vindo em minha direção naquele aeroporto. O medo, a ansiedade, o pânico e a felicidade de vê-lo ali, bem do meu lado; quero me sentar com seus pais, falar besteiras, tentar entender porque você coleciona tantos carrinhos e porque te assustei por tanto tempo. Você era como um cavalo indomável e eu, a fera domada. Você fora o único que realmente conseguiu meu respeito e eu o respeito muito por isso.
Quando você se casou, me senti como Carrie abandonada por Mr. Big no dia do casamento. Não, você não me deixou no altar, mas levou outra pra ele. Eu teria tido a mesma reação: teria despedaçado as rosas na sua cara e o chamado de idiota pra mais. Você foi muito imaturo de ter agido por impulso, agora está colhendo o que plantou. Se nossos caminhos vão voltar a se cruzar um dia, eu não sei, mas sei que nossa história não acabou. Ainda há muito a ser dito e vivenciado, seja como for.
Você carrega uma parte de mim, eu carrego uma parte de você e enquanto isso, vou tentando juntar as outras. Talvez, então, possamos juntar aquelas que estão faltando.

sexta-feira, 13 de junho de 2008

The Kill

When your own words can't express what you feel, there's always a song that does it better....

The Kill
30 Seconds to Mars

What if I wanted to break
Laugh it all off in your face
What would you do?

What if I fell to the floor
Couldn't take this anymore
What would you do?

Come, break me down
Bury me, Bury me
I am finished with you

What if I wanted to fight
Beg for the rest of my life
What would you do?
You say you wanted more
What are you waiting for
I'm not running from you

Come, break me down
Bury me, bury me
I am finished with you

Look in my eyes
You're killing me, killing me
All I wanted was you

I tried to be someone else
But nothing seemed to change
I know now: this is who I really am inside
I Finally found myself
Fighting for a chance
I know now, THIS IS WHO I REALLY AM

Come, break me down
Bury me, bury me
I am finished with you, you, you
Look in my eyes
You're killing me, killing me
All I wanted was you

Come, break me down
Break me down Break me down
What if I wanted to break...?
(You say you wanted more, what are you waiting for? (marry me) I'm not running from you...)What if I, what if I, what if I... (bury me, bury me)

quinta-feira, 12 de junho de 2008

A book by its cover

Não, eu não espero uma mudança drástica. Na verdade tenho medo de que nada aconteça. Um término pode às vezes ser porta para um novo episódio. Há coisas que não posso fazer agora, mas que poderei após ter finalizado esta etapa.
Você me fez uma ótima pergunta. Eu me preocupo e muito com o que acontece dentro de mim. Sempre busco respostas, sempre busco o entendimento. Tento enfrentar meus medos na medida do possível e creio ter um dom que muitos não têm: eu enxergo além do visível. Eu enxergo o invisível, aquilo que está emaranhado e rebuscado no fundo de cada um. Talvez, devido a minha invisibilidade, eu tenha adquirido esse dom. São poucos e são raros os que o possuem. Não, não estou me vangloriando e dizendo que sou rara. Eu desenvolvi esse dom puramente por instinto, porque as situações praticamente me obrigaram.
Eu me pergunto e me questiono muito. Você está certo, Sebastião. Eu tenho medo. Não consigo agir por impulso e talvez por isso deixe de viver muita coisa. Não consigo correr riscos que imagino conseqüências abaladoras. Me fizeram ser um bicho do mato. Perante tantos julgamentos, tantos comentários, cresci assim e no momento, sou assim. Não sou como você. Somos diferentes. Viemos de direções totalmente opostas.
As pessoas julgam, comentam, falam. É normal do ser humano. É. Sou um livro julgado pela capa em 90% das vezes. Na minha lucidez não me importo mais porque não quero que qualquer um chegue na minha essência. Mas tem aqueles desbravadores de capas, de vidros que de uma maneira ou outra, conseguem penetrar. Não gosto de falso moralismo, de hipocrisia. Alguns fingem não julgar o livro pela capa só pra se sentirem bem.
E sabe do que eu cansei? Cansei de ser sempre a amiga. É pra isso que sirvo em 97% dos casos. Não quero mais ser amiga de ninguém. Meu ombro só serve pra isso e no entando, venho sendo muito alfinetada por tantos "amigos" que tenho por aí.
Sou apenas um livro, sentado ali na estante. Quando alguém precisa, vai lá, pega o livro, olha a capa, olha torto, mas ah...pra aquele momento o livro serve de companhia. Começam a ler a história e depois devolvem ele lá. Fica esquecido, jogado, guardado. Então, antes de me perguntar porquê me pergunto tanto, porquê me preocupo tanto com as mudanças exteriores, pergunte aos outros porquê eles agem da maneira que agem e quem sabe, se talvez um dia você calçasse os meus sapatos, você entenderia exatamente porque sou do jeito que sou.
No momento, prefiro guardar minha essência. Foda-se o livro. Foda-se a capa. Foda-se as pessoas que frequentam as bibliotecas.
E tenho dito...

A cara do palhaço

Uma festa, uma sensação, algumas expectativas. A bebida parecia convidativa. Talvez dentro de mim algo já houvera se manifestado como se aquilo fosse uma porta pra expelir tudo o que estava me definhando por dentro.
Apesar de não gostar de palhaços, os admiro por sua felicidade triste. Seus rostos maquiados escondem o que um coração ferido muitas vezes não consegue expressar. Eu sou uma palhaça, quase que literalmente. Diria apenas que a maquiagem não é tão colorida e expressiva como a deles.
Palavras trocadas, roupas sujas que foram colocadas no cesto, porém não lavadas. Frases que me marcaram. Momentos que ficaram tatuados em mim pra sempre, como o momento em que apenas por olhares, duas pessoas que sofrem pelo mesmo motivo se entenderam. "Por quê as coisas são assim? Será que somos tão insignificantes?". Não, não somos, meu amigo. Insignificantes são aqueles que pensam saber tudo, pensam ser melhores. Vivem em torno de seu ego torto, de seus olhares falsos, suas palavras afiadas com propósitos absolutamente planejados.
Isso é bom e poderia ser melhor. Cenas se passavam em minha cabeça. Aqueles 10 segundos me deixaram perplexa. Eu contava os passos e pensava, pensava. Parecia estar em um sonho. De repente tudo parecia tão longe, tão irreal. Eu estava sonhando acordada. Ah se eu pudesse gritar pro mundo o que eu queria gritar naquele momento. Mas não poderia, jamais.
Eu pensava no quanto aquela festa significaria pra cada pessoa. Cada um entrou ali de um jeito e saiu de outro. Cada um tinha uma vontade, um plano em mente. Será que, como eu, muitos partiram mutilados, desgastados, com o cérebro a ponto de explodir de tanto pensar e analisar?
Você me quebra, me arrebenta e eu às vezes te odeio porque você traz todos os meus fantasmas à tona. Te odeio por conseguir fazer isso. De certa forma, não é culpa sua, mas ali, aquele final me detonou em 1 bilhão de partículas.
Queria que fosse diferente, queria não ter dito aquilo. A bebida me fez dizer algo que eu achei que nunca fosse conseguir dizer ainda mais naquele momento. Eu me encontrei com meu maior fantasma, meu próprio eu-monstro e tudo o que eu queria era estar na sua pele pra saber como era. Tenho certeza de que vou morrer um dia sem nunca ter sabido como era isso.
Sinta-se privilegiado. Aproveite bem seus momentos de glória. Eles podem passar e um dia, o que pode te restar, é a mesma coisa que eu sinto hoje. Talvez aí, nesse dia, a gente possa sentar e conversar de igual pra igual.
Baboseiras desconexas...