quinta-feira, 12 de junho de 2008

A cara do palhaço

Uma festa, uma sensação, algumas expectativas. A bebida parecia convidativa. Talvez dentro de mim algo já houvera se manifestado como se aquilo fosse uma porta pra expelir tudo o que estava me definhando por dentro.
Apesar de não gostar de palhaços, os admiro por sua felicidade triste. Seus rostos maquiados escondem o que um coração ferido muitas vezes não consegue expressar. Eu sou uma palhaça, quase que literalmente. Diria apenas que a maquiagem não é tão colorida e expressiva como a deles.
Palavras trocadas, roupas sujas que foram colocadas no cesto, porém não lavadas. Frases que me marcaram. Momentos que ficaram tatuados em mim pra sempre, como o momento em que apenas por olhares, duas pessoas que sofrem pelo mesmo motivo se entenderam. "Por quê as coisas são assim? Será que somos tão insignificantes?". Não, não somos, meu amigo. Insignificantes são aqueles que pensam saber tudo, pensam ser melhores. Vivem em torno de seu ego torto, de seus olhares falsos, suas palavras afiadas com propósitos absolutamente planejados.
Isso é bom e poderia ser melhor. Cenas se passavam em minha cabeça. Aqueles 10 segundos me deixaram perplexa. Eu contava os passos e pensava, pensava. Parecia estar em um sonho. De repente tudo parecia tão longe, tão irreal. Eu estava sonhando acordada. Ah se eu pudesse gritar pro mundo o que eu queria gritar naquele momento. Mas não poderia, jamais.
Eu pensava no quanto aquela festa significaria pra cada pessoa. Cada um entrou ali de um jeito e saiu de outro. Cada um tinha uma vontade, um plano em mente. Será que, como eu, muitos partiram mutilados, desgastados, com o cérebro a ponto de explodir de tanto pensar e analisar?
Você me quebra, me arrebenta e eu às vezes te odeio porque você traz todos os meus fantasmas à tona. Te odeio por conseguir fazer isso. De certa forma, não é culpa sua, mas ali, aquele final me detonou em 1 bilhão de partículas.
Queria que fosse diferente, queria não ter dito aquilo. A bebida me fez dizer algo que eu achei que nunca fosse conseguir dizer ainda mais naquele momento. Eu me encontrei com meu maior fantasma, meu próprio eu-monstro e tudo o que eu queria era estar na sua pele pra saber como era. Tenho certeza de que vou morrer um dia sem nunca ter sabido como era isso.
Sinta-se privilegiado. Aproveite bem seus momentos de glória. Eles podem passar e um dia, o que pode te restar, é a mesma coisa que eu sinto hoje. Talvez aí, nesse dia, a gente possa sentar e conversar de igual pra igual.
Baboseiras desconexas...

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