segunda-feira, 29 de setembro de 2008

Saudadinha

Puxa...já faz tanto tempo que eu não escrevo, né? Na verdade a cabeça está a mil, mas ando tão esgotada que nunca mais te dei atenção. A partir desta semana vou fazer um esforço pra mexer em você e voltar a escrever porque praticamente tudo o que está aqui são águas passadas...graças a Deus!
Sinto-me tão renovada. Apesar de pela primeira vez ter me sentido exposta, me sinto tão bem de saber que pessoas babacas não merecem atenção, muito menos sentimento. Tenho me sentido muito bem eu comigo mesma. Acho que estou me descobrindo cada vez mais e aprendendo que no fundo, eu sou realmente minha melhor amiga.
Acabei de assistir um filminho muito fofo. Já havia assistido, mas foi tão gostoso vê-lo novamente e ficar viajando na maionese...enfim!
Muitas coisas a serem ditas e logo voltarei pra arrumar a casa. Está precisando de uma bela faxina porque poeira só serve pra me dar alergia! Ahauahauhauha!

terça-feira, 9 de setembro de 2008

Just because...

Só pra não te deixar abandonadinho e dizer que ultimamente tenho me sentido mais feliz e mais plena. Creio que agora estou na função certa, fazendo o que gosto e batalhando para colher bons frutos.
Tô preocupada com aquele ser...por onde será que ele anda? De repente me peguei pensando que se algo de ruim acontecer com ele (Deus o livre e o guarde) eu não tenho como ficar sabendo. Isso não é legal. Fico aqui, fazendo as coisas mas pensando no que pode estar causando esta ausência estranha...enfim!

sábado, 30 de agosto de 2008

Lero lero

Engraçado como às vezes a gente diz coisas que depois, se você parar pra analisar, pensa que se soubesse, jamais teria dito aquilo. Eu me lembro do dia em que disse pra ela não desistir, pra continuar aqui e hoje, o que mais quero é ficar longe, bem longe dela. Tão longe que vou deixar de ir à comemoração do aniversário de um amigo só pra não ter que olhar pra cara nojenta dela e da outra. Enfim...triste.
A semana passou tão rápido, tão corriqueira e apenas hoje comecei a pensar o quanto eu queria que as coisas estivessem sendo diferentes. Será que estou fazendo o curso certo? Será que um dia serei uma boa jornalista? Será que um dia as pessoas serão menos podres? Será que um dia a sorte vai estar a meu favor? É...indagações tenho muitas. Respostas, porém, nenhuma!
Ao mesmo tempo que me sinto mais aliviada por ter me livrado de certos pesos, me sinto um bloco de gesso que é oco por dentro. Sensação estranha. Não queria estar aqui e não consigo parar de sonhar com estar lá.
Chega de divagar. São 18h20 e eu tenho que tomar banho, me arrumar e ir trabalhar.
Pinte sua cara, palhacinha. Bote aquele sorriso falso e vá entrevistar os magnatas. Será que posso perguntar se eles são felizes? Se o dinheiro traz felicidade?
Cale a boca e apenas faça o seu serviço...

quinta-feira, 28 de agosto de 2008

Mr. Brightside

Porque eu tô me sentindo tão loser, desmotivada e travada que minha mente não consegue produzir nada. Será que eu sirvo pra isso, meu Deus? Enquanto isso, vou dançando loucamente na minha mente pra ver se Mr. Brightside me injeta uma dose de ânimo.
Tá fooooooooda...
I'm coming out of my cage
And I’ve been doing just fine
Gotta gotta gotta be down
Because I want it all
It started out with a kiss
How did it end up like this
It was only a kiss, it was only a kiss
Now I’m falling asleep
And she’s calling a cab
While he’s having a smoke
And she’s taking a drag
Now they’re going to bed
And my stomach is sick
And it’s all in my head
But she’s touching his—chest
Now, he takes off her dress
Now, let me go
I just can’t look its killing me
And taking control
Jealousy, turning saints into the sea
Swimming through sick lullabies
Choking on your alibis
But it’s just the price I pay
Destiny is calling me
Open up my eager eyes
‘Cause I’m Mr Brightside
I’m coming out of my cage
And I’ve been doing just fine
Gotta gotta gotta be down
Because I want it all
It started out with a kiss
How did it end up like this
It was only a kiss, it was only a kiss
Now I’m falling asleep
And she’s calling a cab
While he’s having a smoke
And she’s taking a drag
Now they’re going to bed
And my stomach is sick
And it’s all in my head
But she’s touching his—chest
Now, he takes off her dress
Now, let me go
I just can’t look its killing me
And taking control
Jealousy, turning saints into the sea
Swimming through sick lullabies
Choking on your alibi
But it’s just the price I pay
Destiny is calling me
Open up my eager eyes
‘Cause I’m Mr Brightside
I never...

segunda-feira, 25 de agosto de 2008

The decision

Pior do que ter que tomar uma decisão, é pensar que já se sabe o resultado. Às vezes tenho essa sensação de que vou assistir a determinado filme pela vigésima vez. Não sei se estou agindo de maneira errada, se deveria pensar que se nas outras situações os resultados foram os mesmos, por que agora seria diferente? O que é que me leva a dar a cara a tapa mais uma vez? Será que não cansei de apanhar? Tenho praticamente certeza de que levarei outra bofetada, mas...
Isso é uma coisa que gostaria de entender a meu respeito. Será que eu fico repetindo os mesmos comportamentos esperando que algum dia eu acerte ao invés de mudar de atitude? Bem, ela me disse que quando eu não soubesse lidar mais com a situação, talvez fosse melhore esclarecer tudo de uma vez. Realmente, eu já não sei mais lidar com tudo o que está acontecendo porque a bola de neve pode começar a ficar cada vez maior e sinceramente, o que menos quero é rolo pra minha cabeça nesse momento. Já ando tão angustiada, sem ânimo algum e imagine se de repente tiver que ficar pensando em solucionar coisas que poderiam ter sido resolvidas.
Tenho consciência de que um dia você lerá todas essas coisas e juntará as fichas e criará todo uma sentença em sua mente. Eu sei lá o que vai acontecer. Imagino que será praticamente um monólogo e eu detesto isso. Espero que Deus tenha ouvido minhas orações por todos esses tempos e que Ele faça com que você abra a boca e fale o que realmente quer falar, seja lá o que for.
Eu queria tantas coisas simples. Não gosto de complicar nada e acho que é por isso que acabo escolhendo os diálogos mesmo imaginando que posso me dar mal mais uma vez. É, eu sei...sou bem pessimista, mas é óbvio! Alguém que sempre só se deu mal se prepara muito mais para a derrota do que para a vitória. Será que sorte existe? Enquanto isso, vou tentando.

Me dá um ânimo, por favor?

Ontem pensei que em muitas situações, acabo me tornando uma adulta chata. É, às vezes a gente quer agir com tanta maturidade que acaba deixando de lado as besteirinhas da vida que tornam muitas coisas mais deliciosas, que nos dão vontade de viver, de esperar o dia de amanhã e desejar que algo bobo aconteça.
Sempre fui chata. Eu sei disso. Minha mãe diz que eu era uma das crianças mais chatas que ela já conheceu. Metódica, perfeccionista e que achava sempre que o meu jeito era o mais certo. Eu ainda sou assim. Perdia horas montando minha casa da Barbie até que ela estivesse impecável para a habitação da loirinha. Nada de simplesmente brincar do jeito que estava. E quando a brincadeira acabava, tudo era devidamente guardado em seu lugar.
Hoje, sinto que perdi muito do brilho de bobeira que já tive. Às vezes acho que minhas decepções se agravaram de tal forma que me transformaram em uma pessoa amarga e isso é algo que não quero. Apesar de sentir que estou passando por esse problema, tem coisas que me quebram completamente e que me fazem brilhar feito um holofote, como por exemplo, estar com crianças. Sinto tanto a falta delas....mas enfim!
Já julguei pessoas, situações e atitudes como se eu fosse um ser perfeito. As intenções não eram essas. Na verdade, a gente quer o bem dos outros - eu pelo menos quero - e aí a gente acha que está sempre fazendo o que é melhor, só que na verdade, muitas vezes a gente não tem que se meter porque não entendemos a condição do outro e cada um sempre tem seus motivos.
Eu sei lá. Não quero mais ser uma chatonilda. Quero recuperar um pouco da minha alegria, do meu prazer de viver. Ultimamente sinto que estou vivendo num piloto automático, sem emoção alguma. Não sei exatamente o que falta, o que eu deveria fazer, mas sei que quero mudar essa situação porque ficar nessa angústia, nessa chatice e sem expectativas não é algo bom.
Espero que eu mesma consiga injetar uma dose de ânimo em minha vida porque sinceramente, duvido que alguém vá fazer isso por mim!

quarta-feira, 20 de agosto de 2008

A thought

Suddenly everything feels lighter, brighter and happier.
Falling down enables you to get up and simply learn how to deal with the fall.
Good job, girl!
Why bother?
You're one step closer to happiness...

domingo, 17 de agosto de 2008

Expurgação

Parte I
Expurgo a banalidade
A falsidade
A podridão de atitudes
As falsas palavras
O jogo invertido
As ações premeditadas
As lágrimas falsas
Como se naquele dia, elas tivessem me comovido
Sempre soube que você não valia nada
E ainda assim,
Caí em sua cilada.
Patética,
Idiota,
Podre.

Parte II
Você, eu expurgo por completo
As feridas de minha pele te expelem
Você me deixou marcada
Os vergões são muitos
As unhas parecem querer arrancar do coro
Aquilo que um coração que grita
Sente nojo
Mas não há ferida na pele que doa tanto
Como ser feita de idiota
Que tomem meu corpo todo
Que as unhas arranquem tudo aquilo que não consigo alcançar por dentro
Estou deformada
E não achei que você, um dia, fosse me fazer tão mal assim
Se me visse agora, não teria coragem de olhar pro monstro
Em que você me transformou.

As marcas da chibata

O que poderia dizer um coração cheio de decepção?
Quando acho que posso ter fé no mundo, nas pessoas...tudo se fragmenta novamente. Por que é tão difícil lidar com a decepção de se sentir apunhalada por pessoas a quem você queria bem?
Sinto nojo e revolta comigo mesma.
Hoje, acho que por me sentir assim, sonhei com meu pai. Ele não está mais aqui e veio me dar um recado. Ele foi o primeiro homem que teve coragem de dizer na minha cara que eu era uma idiota. Parabéns, pai. Você ao menos era sincero. "Você é uma tonta. As pessoas usam você, te fazem de gato e sapato porque você é ingênua e não percebe nada". Isso era o que eu frequentemente ouvia. E às vezes apanhava por acreditar nos outros porque depois da crença, sempre vinha um erro e o corpo que levava as chibatadas era o meu, não o dos outros. Ele queria que eu aprendesse e nem a força física daquele homem enorme fez com que eu entendesse a podridão do ser humano.
Eu nasci assim. Eu sempre quis acreditar nas pessoas e mesmo sempre me ferrando, vi que ainda não aprendi e não sei, sinceramente, quando essa ingenuidade vai me abandonar. Acho que irei me tornar uma cética e nunca mais irei me permitir crer nos humanos.
No sonho, eu aparecia em um local isolado e ele aparecia de repente pra me pegar. Eu entrava no carro, me surpreendia com ele ali e ele dizia: - Filha, eu vim te dar um recado. Eu já dizia que você tinha problemas em lidar com as pessoas porque não é todo mundo que tem um coração sincero como o seu. Você se doa demais. Me perdoe por sempre te dizer isso de uma maneira grossa, que sempre te fez sofrer, mas eu vim lhe pedir para tomar mais cuidado porque não aguento ver você chorando por quem não merece. Não se doe tanto às pessoas. Você precisa ser mais esperta e não se deixar envolver com esse tipo de gente. Abra seus olhos. Você precisa aprender a ter mais malícia porque no mundo em que você vive, os espertos estão sempre à frente e depois, pessoas como nós assistem de camarote você derrubar suas lágrimas por quem não merecia.
É papai, eu entendi o recado e agradeço a Deus por ter me lembrado dele, mas o pior de tudo é desapontá-lo dizendo que não sei se agirei como deveria daqui pra frente. Acho que muita gente ainda vai me enganar. Eu me exponho demais, confio nas pessoas e por mais que eu tenha defeitos, se tem uma coisa que eu sou, é uma pessoa boa. Eu tenho o coração mais idiota de todos e não sei porque não consigo enxergar a maldade que mora nos corações alheios.
Não tem problema. Se hoje o palco é meu e meu papel é ser a idiota, tudo bem. Ainda haverá muitos espetáculos para que outras pessoas interpretem suas partes.
Desde os 13 anos, quando aquele idiota fez o que fez, não me sentia tão estúpida assim. Parabéns pra você que sequelou ainda mais uma ferida enorme que estava aberta e pulsante. Nunca me senti tão exposta, tão realmente idiota idiota como aos 13 e agora aos 25. Vocês merecem muitos aplausos. Os dois. Imaginem que faço uma reverência a vocês em sinal de gratidão.
Hoje meu coração transborda de gratidão porque vocês me fizeram enxergar que o ser humano é indigno. Dela, eu já havia percebido antes porque ela joga baixo mas faz as coisas na cara dura pra qualquer cego ver, inclusive eu. Mas você...não há palavra que consiga explicar o tamanho da decepção. Eu que achei que você salvasse, que você fosse uma espécie em extinção. Parabéns. Você é o melhor jogador de todos. Sabe mover as peças de uma maneira brilhante, realmente surpreendente.
E te digo mais: por sua causa, e por causa de outros como você, a minha ferida hoje sangra aos colossos. Não tenho orgulho e minha transparência hoje está mais exposta do que nunca porque eu permito que seja assim.
E ah papai, se estiver lendo isso enquanto escrevo, te digo uma coisa: mesmo que não esteja aqui pra me dar chibatadas, não precisa se preocupar. Os outros fazem isso por você e as marcas, assim como na infância, estão pelo corpo todo, inclusive no coração.

quinta-feira, 14 de agosto de 2008

In my heart

You looked at me
You walked on my shoes
You felt my pain

Now I invite you
To enter my heart
To surround my soul
And feel my joy
Because in my heart you'll see color
You'll find dreams
And you'll drown in fantasies
That feed my heart
And make me wanna wake up every morning and live...

Welcome to the adventures of the unknown!

Trocas

Ultimamente ando pensando em trocas.
Trocas são extremamente necessárias aos seres humanos em qualquer tipo de relacionamento, seja ele amoroso, de amizade ou familiar. Se não há troca em um relacionamento, ele é vazio e superficial.
Hoje, o que percebo, é que muito da superficialidade e do egocentrismo da sociedade vem da falta dessas trocas. As pessoas estão cada vez mais individualistas e a falta de humildade não as deixa perceber que o outro pode ter muito a lhe oferecer.
Um amigo verdadeiro, uma relação de amor puro ou uma conversa sincera com seus pais lhe ensinarão mais do que qualquer escola. Nossas vidas são baseadas em relacionamentos e nossa personalidade é moldada de acordo com atitudes alheias. Pense em quanto o outro tem poder sobre quem você é. Aprendemos a agir, a nos defender e a demonstrar emoções de acordo com o que o outro nos lança.
Sempre procuro me relacionar com pessoas que me façam aprender, que me revirem e me cutuquem pra que eu aprenda a me defender. Em uma relação, me dôo quase que por completo - claro, temos que manter nossa guarda - porque quero fazer parte de fragmentos daquela pessoa e quero que essa mesma pessoa tenha fragmentos em mim. Às vezes, e infelizmente, as relações acabam e um ciclo é encerrado. Ninguém passa por nossa vida sem nos ensinar nada se nos permitimos aprender. Se um ciclo se encerrou, abra espaço para que outro se inicie, porque a meu ver, essa é a única forma que temos de continuar crescendo. Ninguém é velho demais para aprender, para reconhecer um erro ou mudar. Somos moldados por ações e as trocas devem existir constantemente.
Não podemos nos fechar tanto assim. Brechas devem sempre existir porque sempre haverá alguém disposto a enxergar aquelas feridinhas que não cicatrizam em nosso coração, e nunca se sabe...sua próxima relação de troca pode ser justamente a que contém a cura.
Trocas...pense sempre em trocas. Se não trocarmos, estamos fadados a nos engessar em uma crosta impermeável de egocentrismo e assim, não há evolução e se o ser humano não evolui, então é melhor que deixe de existir. Estagnar sua alma é matar seu corpo físico.

domingo, 10 de agosto de 2008

Ruínas

Transparência às vezes nem sempre é tão transparente. Máscaras nunca deixarão de existir, mas algumas nem são ruins ou prejudiciais. Essenciais, diria. O que faríamos se tivéssemos que lidar com a verdade escancarada diante de nossos olhos quando não queremos enxergar algo?
É forte, mas é real.
Um momento de ruptura. Uma desbravadora de almas. Algumas coisas parecem óbvias demais para que a enxerguemos ao primeiro olhar. Fixe seus olhos. Pisque. Olhe novamente e feche os olhos. A verdade é que tudo já se rompeu, o passeio pelas torres já foi feito e agora, é hora de visitar as ruínas. Algumas coisas simplesmente são facilmente percebidas, outras, exigem um pouco mais de tempo e atenção, como aquele tijolo que está fora do lugar, ou aquele racho na parede. É, eles existem. E no entanto, há de se aceitar que aquele racho pode ser tapado, consertado ou pode permanecer na parede por um bom tempo. A verdade é que não adianta tentar se proteger tanto assim porque ninguém é inatingível e quando menos esperar, alguém irá te atingir. Seja da maneira que for, você sentirá a dor e são essas as coisas que vão te fazer ser alguém melhor e mais forte. Não adianta usar escudos o tempo todo, pois sempre haverá um momento em que o mais atento encontrará uma brecha.
Apenas renda-se e deixe que o passeio pelas catacumbas aconteça...

segunda-feira, 4 de agosto de 2008

Palpite

Gosto de cores,
De tudo muito vivo

E percebi, de uma vez por todas,
Que felicidade é um estado de espírito.

Gosto de flores,
De um abraço amigo
E do desejo reprimido
Que sinto ao te olhar.

Porque você ainda não existe
E isso é apenas um palpite
Daquela que um dia,
Em todos os lugares tentou lhe achar.

Mas eu sei,
Ah sei...
Que nessa estrada louca,
Em meio à cores e flores,
Um dia hei de lhe encontrar.

sexta-feira, 1 de agosto de 2008

Abraços

Hoje, enquanto fazia uma limpeza, estava pensando no abraço. Já parou pra pensar em quão significativo o abraço é? Em minha opinião, é mais íntimo do que um beijo quando dado de maneira sincera e afetiva. Íntimo em todos os sentidos. É a intimidade e a cumplicidade de uma amizade, é amor de amigo; é uma "passagem" de boas energias, de bons sentimentos, de condolescências; uma maneira de dizer que se tem carinho por alguém; demonstrar saudades e para os mais íntimos ainda, é a cola que une dois corpos em um toque gigantesco que incendeia toda a alma.
Tudo isso eu vejo em um abraço, agora, tem coisa pior do que um abraço froxo, mal dado? Prefiro não dar e não receber se for pra ser assim. Abraço froxo e como aperto de mão mole e sem olhos nos olhos. Péssimo, froxo e denotação de insegurança e descaso em minha opinião. Se vai abraçar, abraça direito. Não estou dizendo que temos que esmagar a pessoa, mas abrace-a de verdade e apenas um abraço, pode fazer a diferença pra alguém que está amoadinho, sem esperanças ou triste. Quando estiver feliz, partilhe sua alegria dando um abraço. Se a outra pessoa gostar de você, for sua amiga, ela sentirá o quão feliz você se sente.
É, eu sempre gostei de abraçar de verdade. Minha mãe sempre nos ensinou a abraçar e a apertar a mão das pessoas. Acho isso tão importante que resolvi partilhar.
Espero que na volta às aulas possa dar e receber alguns abraços sinceros...

segunda-feira, 28 de julho de 2008

Guinada

Hoje o dia sorriu pra mim!
Acabei as 52 matérias que tinha pra escrever,
Entreguei as trufas que tinha pra entregar,
E li o e-mail mais lindo do mundo - era o agendamento de uma entrevista.
A vaga era minha!
Estágio em período integral, na minha área!
Ah, é bom demais pra ser verdade...
Agora me sinto quase uma jornalista de verdade.
Saí de lá e comprei meu primeiro caderno sóbrio,
Sem bichinhos, adesivinhos, nem folhas decoradas.
E agora eu sinto, que minha vida está guinando,
Que coisas boas estão acontecendo
E que minha vida de adulta
Está saindo da fantasia e se tornando realidade!

domingo, 27 de julho de 2008

Aleatoriamente

Posso dizer que acordei me sentindo revitalizada. Acho que era exatamente isso que estava faltando em minha vida. Por anos me afastei e quis ver com meus olhos da carne o que tanto diziam e eu não acreditava. Pois é, paguei pra ver e não só vi como senti em cada poro da minha pele as dores mais profundas que poderia ter sentido. Não me arrependo porque agora, tendo vivido dos dois lados, eu sei o que é melhor de fato e esse vazio que eu sentia, essa tristeza agonizante era a falta de Deus.
As aulas estão para voltar e minha empolgação continua praticamente nula. Quero apenas ver a meia-dúzia de pessoas que realmente tenho sentido falta e só. É quase como se já me preparasse para ouvir os comentários óbvios que permeia a volta das férias. Falando nesses comentários, vocês já observaram quais são eles? As pessoas geralmente vão se cumprimentar e soltam:
- Noooooossa...amei seu novo corte de cabelo!
- Gente, olha como seu cabelo cresceu em apenas um mês! Tô bege...
- Você emagreceu?
- É, parece que as férias te fizeram bem, hein...a barriguinha que o diga!
- Gente, eu comi feito um porco nessas férias
- Nossa, tô um bucho. Preciso fazer um regime urgente
- Meu, aonde você pegou essa cor em pleno julho?
- Seu bronzeado está lindo!
- Hummm...voltou de guarda-roupa novo, hein!?!
- Você veio dirigindo? Não acredito? Ganhou um carro? Me dá carona?
- Será que fulana e beltrano ainda estão juntos?
- Nossa, preciso te contar um bafo que olha...
- Gente, o fulano parece que deu uma encorpada, tá mais homem....delícia, hein!
Enfim...esses comentários são mais de cunho feminino porque não sei o que os meninos comentam entre eles, mas esses você pode esperar que irá ouvir na volta às aulas. Eu, sinceramente não sei o que direi pra algumas pessoas se elas vierem me dizer que sentiram minha falta nas férias. - Ah, obrigada, mas eu não senti nem um pouco a sua falta. - sorriso. Quero ver apenas algumas poucas pessoas, abraçá-las, saber se está tudo bem e boa. Voltar à convivência cotidiana da faculdade.
Se fosse colocar em palavras, me cansei de pessoas engessadas, pré-moldadas e produzidas em número de série, porque é assim que 90% da sociedade é e isso, em minha opinião, é muito triste.

sexta-feira, 25 de julho de 2008

Para Pedro Lopes


Quando eu nasci, te roubei de todo mundo.

Você era só meu e não aceitava dividi-lo com mais ninguém.

Te tirei da cama da minha vó,

Não dava a mínima pro meu pai e pra minha mãe

Fazia até a coitada chorar implorando que eu fosse para a casa.

Mas eu não ía.

Por que eu iria pra outro lugar se o melhor lugar do universo era a seu lado?

O meu nome nunca foi tão lindo como quando você o pronunciava.

As flores tinham outro significado,

A sarjeta era macia

E os bancos da praça contavam histórias.

Eu amava os patos e passávamos o dia desenhando-os nas paredes para o desespero da vovó.

Nós gostávamos era dos cisnes!

Nunca houve para mim flor mais linda do que as hortências.

Você as plantava com tanto esmero e estudávamos a gama de cores de suas pétalas.

Nunca houve amor maior e se a perfeição existe,

Para mim ela é você.

Foram os 4 primeiros anos de minha vida e os melhores também.

Com você aprendi a enxergar pessoas, a ver a bondade e a entender que o amor acontece de formas simples.

Você não me dava presentes, nem me enchia de bonecas.

O seu colo era o melhor presente do mundo.

O jeito que você me olhava era único

E é assim que eu sei que um amor de verdade deve ser.

É na simplicidade de detalhes que ele mora.

Não são valores, são atitudes.

Você é a razão da minha memória de elefante.

Tudo o que vivemos foi precioso demais para que eu pudesse esquecer.

Eu me lembro de tudo e se fechar os olhos, sinto seu amor com maior intensidade.

No dia em que aquele telefone tocou, eu sabia que algo havia acontecido com você.

Somos conectados e eu senti...

Senti que você partiu e que me deixou.

Me lembro de quando gritei, da comoção que causei no velório porque ninguém no mundo,

Nunca houvera visto,

Uma garotinha passando por tanta dor naquela idade.

As pessoas achavam que eu não entendia.

Eu sabia que você tinha partido e que fisicamente havia me deixado;

Sabia que não haveria mais o seu colo,

Nem patinhos nas paredes,

Nem sopa de salsicha no final da tarde.

Eu tenho certeza de que você sorriu pra mim.

Me lembro que eu te chacoalhava e da camisa xadrez com que você se foi.

Eu mexia em você achando que você poderia acordar

Porque na minha cabeça, naquela idade,

O amor já movia montanhas

E eu queria crer que o meu amor seria suficiente pra Deus te trazer de volta pra mim.

Mas acho que por você ser quem foi, é que Deus te tirou daqui.

Você só podia ser um anjo e acho que Ele precisava de você.

Nunca vi olhos mais azuis do que os seus

E às vezes acho, que eu criança, era mais capaz de te deixar ir do que hoje.

Se fosse hoje, eu não aguentaria.

Eu morreria aos poucos,

Como aqueles casais de velhinhos que morrem um em seguida do outro porque não aguentam a perda.

Não saberia perdê-lo hoje.

Já gritei pro mundo

E tatuei na pele o quanto eu te amo

Tudo o que eu mais queria era poder vê-lo, poder abraçá-lo e dizer que não há nada nesse mundo

Que eu ame mais do que você.

Não há como colocar em palavras o vazio que ficou dentro de mim.

Falar de você é quase que um segredo porque não consigo não chorar, não sentir a dor que senti naquele dia com 4 anos de idade.

Tenho pavor da morte e não sei nada sobre ela, mas se um dia eu morrer,

Quero que a sua alma venha buscar a minha porque só assim não sentirei medo.

Hoje, quero pensar que você me observa e que me supre com o seu amor de onde estiver.

Porque não importa o que aconteça, aonde eu vá,

Eu sempre vou te amar mais do que qualquer outra pessoa

E eu sei que mesmo que um dia eu fique muito velha,

Eu sempre serei a sua garotinha.

Interno e externo

Desta vez, e acho que pela primeira vez, ele não acertou. O homem que eu tanto "idolizei" pelos últimos cinco anos, que sempre fazia coisas geniais e dava um jeito de ao menos tentar melhorar o pouco que tenho, errou. Creio que o erro foi meu de achar que ficaria exatamente igual ao da última vez. Ele repicara o meu cabelo curto demais na parte da frente e me deixou com a estima mais lá no pé do que já é.
Cabelo é praticamente tudo para uma mulher e se eu for essa mulher, então, meu amigo, eu diria que cabelo é tudo mesmo. Como se já não bastassem os meus problemas todos com imagem, eu fui abençoada com uma doença crônica que é praticamente degenerativa e adivinhem onde? Sim, no cabelo! O meu cabelo tem problema e ele nunca mais poderá ser do jeito que eu gostaria que ele fosse. Comerciais de xampú, anúncios de tintura, capas da revista Nova...todas aquelas mulheres com aqueles cabelos que mais parecem irreais me frustram porque sei que o meu nunca poderá chegar perto de se parecer com aquilo.
Tudo bem. Eu sei que cabelo cresce, até o meu que demora 3x mais pra crescer do que o de qualquer outro ser humano, mas agora a ida ao espelho é mais dolorosa ainda. Senti que o mínimo de dignidade na aparência que me restava foi tirada. Sim, drama, drama, drama.
É assim que me sinto.
Estou cansada de ser bombardeada a todo momento por essa mídia doentia que vive às custas de uma sociedade capitalista que não tem mais sentimentos e se auto-flagela às custas de uma imagem que é irreal para 90% das pessoas. Até quando será assim? Não quero colocar toda a culpa na sociedade porque eu tenho um problema comigo mesma. Eu aceito aparências diversas porque por mais insano que seja, as aparências alheias não me importam muito. O meu problema é comigo mesma, é a guerra que travo com meu espelho. Eu me cobro demais, me analiso demais e me puno demais. Na minha cabeça, tudo gira em torno do corpo e venho descobrindo que isso tem forte ligação com meu pânico de morte. Corpo, boneca, alma.
Sabe, eu quero acreditar que ainda existem pessoas que enxergam além do que os olhos da carne podem ver. Por mais que eu tente mudar e realmente me esforce para isso, a grande verdade é que eu não sei se mudarei. O meu corpo briga comigo. Ele me enfrenta e às vezes fico pensando que esse é o karma da minha vida, se karma realmente existir. O mais estranho de tudo é que como disse acima, o meu problema se dá apenas com minha própria imagem. A dos outros pouco me importa. Quando gosto de alguém, por exemplo, eu mal enxergo a pessoa. Não sei...não sou ligada em caras sarados, ou bundudos, ou com barriga assim ou assado. Dane-se. Eu gosto de duas coisas que os olhos da carne não podem ver: caráter e cérebro. Pronto. Simples assim. E será que existe alguém que também enxergue como eu?
Nos dias de hoje, na convivência com meus colegas, percebo o quanto a aparência é importante pra eles e quase sempre acho que tudo está perdido. A maioria, até mesmo aqueles mais inteligentes que você acha que são diferentes da maioria, estão com o olhar fixado nas belezas da carne. Sinceramente, prefiro morrer gorda, enrugada e velha do que saber que um dia alguém me escolheu simplesmente pela aparência que eu tinha na minha juventude, por exemplo. Não quero isso pra mim. Mesmo! Por mais idiota que eu seja, aos 25 anos, eu ainda acredito no amor bobo, sem interesses, que simplesmente aconteceu e é esse que quero. Se for pra ser diferente, prefiro não amar. Hoje estou aprendendo que ser sozinha é uma das possibilidades que posso enfrentar no futuro. Não há garantias de que eu vá me casar ou conhecer o tal cara decente com olhos especiais como gostaria. Tudo é incerto.
Acho que tenho tanto medo de me envolver novamente que fechei meu coração porque eu realmente saí dessa fase em que meus "amigos" se encontram. Não quero mais pegadas em festa, transas casuais e situações que apenas me tragam prazer momentâneo e depois façam com que eu me sinta um lixo. Não vale a pena. Só quero beijar alguém novamente quando sentir que meus joelhos bambeiam, que meus olhos brilham, que minha bochecha fica vermelha e que eu corro o risco de falar qualquer abobrinha tentando parecer ser legal. Nessas férias, sinto que virei adulta de verdade e essas coisas já não me importam mais. Não falo mais de sexo, não quero mais locutar o Zona Erógena e não vou ficar por ficar. Já aproveitei o que precisava e o vazio que sentia, nunca mudou perante nenhuma dessas circunstâncias. Agora, quero ficar quieta, no meu cantinho, falando pouco e apenas o necessário; com poucos, mas bons amigos e sabendo que não faço parte do mundo deles. Eles, de certa forma, ainda estão na adolescência. Eu encarei minha fase adulta e resolvi me portar como uma.
Sei que continuarei brigando com o espelho, xingando a sociedade, os padrões de beleza, os homens que se portam feito animais e mulheres que se portam feito vadias, mas sei também que os meus olhos continuarão buscando por olhos que enxerguem além do visível. Porque olhar é fácil, mas transcender é para poucos.

segunda-feira, 21 de julho de 2008

O jogo

Para mim, isso é um monte de nada
Faz parte de uma utopia, embora seja uma palavra pesada
De uma situação que insiste em me assombrar.
É como naquele retrato, que numa fração de segundo,
Fitou o enigma do teu olhar.
Canso-me de sensações efêmeras,
De cirandas voláteis
De jogos que fingimos não jogar.
A quem enganas?
Aparentemente, podes negar
Porque por dentro queima aquela sensação que insistes não enxergar.
Basta apenas uma fagulha,
Para o fogo começar a queimar.
Jogam-se os dados, a partida irá começar.
Quem dá mais?
Aposte todas as suas fichas
Pois nesses jogos, eu sei
Que a sorte pode mudar
O que o destino nos reservou, o medo pode atrapalhar
Ata-me a um barbante
E lança-me no ar
Observa o fio pulsante, que balança pra lá e pra cá
Não tenhas tanta certeza de que o fio irás alcançar
Pois o que sei, no final disso tudo
É que nesse jogo não irei me entregar.

sábado, 19 de julho de 2008

Uma história pra contar

Sinto, bem no fundo de mim mesma, um cansaço mental além do físico. Esses últimos dias foram bem puxados e o estágio me fez crescer de uma maneira diferente - inesperada, eu diria.
Foram oito dias observando cavalos e pessoas, convesando com elas e ouvindo histórias. Sei que estou em uma fase extremamente emocional, mas as lágrimas que derramava lá não eram lágrimas comuns ou, poderia dizer, de situações que geralmente me fazem chorar.
Aprendi muitas coisas sobre o meio jornalístico. Já me considero parte desse mundo porque apesar de todas as circunstâncias, foi ele que escolhi para trilhar parte de minha caminhada. Sempre notei que meus colegas de curso, vez ou outra, comentavam ou tiravam aquele sarrinho básico do meu jeito de ser. Às vezes faço comentários afiados; às vezes faço todo mundo rir com algum comentário que faço, mesmo que fazê-los rir seja a última coisa que eu queira. Sou muito transparente e muito sincera. Quando entrevisto alguém, me entrego para aquela pessoa. Faço um diálogo. Quero saber o que ela tem a me dizer e se por ventura, eu achar que posso acrescentar algo, eu digo. Não tenho vergonha de fazer perguntas que sejam idiotas porque pergunto na humildade. Tenho uma abordagem simpática - creio eu - e olho as pessoas nos olhos. Muitos de meus amigos - digo isso porque já vi muitos fazendo esse tipo de coisa - querem realmente parecer jornalistas. Há essa idéia idiota de que os estudantes ainda são uns bobinhos que não sabem de nada e aí, para sanar essa idéia, eles tentam se portar como profissionais e aplicam tudo aquilo que ouvem na teoria na universidade. Tudo muito sério e muito certinho. É claro que devemos saber como nos portar em determinados locais e com pessoas, mas sempre há um jeito de ser você mesmo.
Perdão à teoria, pois ela sabe que a adoro, mas a prática, é você quem faz. Não há uma maneira certa de entrevistar alguém. Há o seu jeito e ele pode dar muito certo e pode dar muito errado. Temos que descobrir como podemos melhorar e trabalhar em cima disso, mas enfim...meu ponto aqui é o seguinte: tiram sarro de mim sim pelo meu jeito de ser. Vou citar um exemplo: na Virada Cultural Paulista que aconteceu em minha cidade, a cantora Mariana Aydar veio se apresentar. Uns dez estudantes, inclusive eu, ficaram à espera por uma chance de entrevistá-la. Quando ela desceu, as perguntas e o jeito jornalístico sério começaram. Eu havia escrito um bilhetinho para meu colega entregar à ela, já que achei que não a veria e ele tinha uma entrevista marcada com ela após o término do show. Como conseguimos entrar, eu guardei o bilhete e esperei uma brecha para me pronunciar. Com toda a humildade do mundo e sem nada de tietismos, disse que havia adorado a roupa e as sandálias que ela estava usando e que eu nunca havia visto uma cantora pessoalmente com tanta presença de palco como ela. Disse que ela tinha uma energia radiante e que seu jeito simples e humilde me encantaram e completei: - você é uma fofa!
Preciso dizer que meus amigos jornalistas se entreolharam com dizeres de "ai meu Deus, o que ela está falando...não acredito". Eu disse isso do coração e olhei nos olhos dela. Falei o que queria, o que havia sentido durante sua apresentação. Assim que acabei de falar, ela passou pelo meio dos outros estudantes, me olhou nos olhos e disse: - Fofa é você! E me deu um abraço muito forte e um beijo. Fiquei extremamente surpresa. Ao final da entrevista, ela deu um beijo em cada um dos estudantes que lá estavam, mas todos se surpreenderam quando ela veio me abraçar. Mas o que quero dizer é que eu não ligo de ter esse jeito panachão. Eu sou o que sou sempre e até agora, tenho colhido ótimos frutos.
Estava entrevistando um homem agora nesse campeonato nacional da raça quarto de milha. Ele havia acabado de ganhar uma modalidade quando fui entrevistá-lo. Ele manteve a pose a entrevista inteira, mas no final, tirei os óculos de sol, olhei em seus olhos azuis e fiz uma pergunta sobre a vitória. O choro o invadiu. Fiquei assim, até um pouco chocada com a reação dele. Achei tão bonito vê-lo se desnudando para mim, uma garota com aspirações de jornalista que ele nunca vira na vida e ali, atingi sua essência. As lágrimas escorreram de meus olhos também porque me emocionei e quando ele as viu caindo, chorou mais. Com certeza esse será um dos momentos que mais lembrarei. Há também um garotinho de oito anos que não queria dar entrevista de jeito nenhum. Liguei o gravador e comecei a jogar conversa fora com ele dizendo que não iria mais entrevistá-lo. Sou absolutamente apaixonada por crianças e esse menino era uma criança linda. Conversei com ele, fiz todas as perguntas que precisava e quando terminei, ele me perguntou: - Ei, e a minha entrevista? Eu respondi que já havia feito naquela conversa e então, ele sorriu e disse: - Puxa, se eu soubesse que você era legal, eu não tinho dito não pra você. É que essas entrevistas são muito chatos e só me fazem perguntas bobas. Você é legal! Você torce pra eu ganhar de novo amanhã? Aí você pode conversar comigo de novo! - Não preciso dizer que por dentro pulei de alegria. Conquistar crianças não é algo fácil. Elas são extremamente verdadeiras e sentem exatamente o que você transmite.
Foram muitas histórias, cada qual com sua importância. Uns falavam muito, falavam bem; outros eram monossilábicos e falavam muito mal, mas cada pessoa tem uma história e o aprendizado que tive foi gigantesco.
Outra coisa que me deixou assim, chorona, foram os animais. No começo morria de dó dos cavalos porque achava que eles se cansavam muito nas competições e ficava pedindo pras pessoas não baterem com o reio neles na hora de correr. É o que eu disse, imagine um lugar cheio de pessoas que competem, lidam com cavalos o tempo todo e uma garota pedindo pra eles não darem com o reio no cavalo. É esse o jeito panachão a que me refiro. Eu falava com dó e apertava os olhos quando ouvia o barulho do reio descendo no lombo do cavalo. Eles me tranquilizavam e diziam que achavam bonitinha minha preocupação. Conquistei várias "amizades momentâneas" com isso. Quando as provas de laço começaram, aí eu virei do avesso. Quase tive um troço de ver os bois e bezerros sendo laçados e levando choques para seguirem em frente e passarem de um lado para outro. Eu chorei várias vezes e reclamava muito para eles. Aquilo, para mim, é uma terrível crueldade. Eles fazem aquilo por hobby e judiam muito dos bois e bezerros. O mais engraçado foi que eu ficava ali, no cercado, e um dia um mocinho estava passando os bois de um lado para o outro quando de repente, bem na minha frente, ele deu um choque em um bezerrinho. Eu dei um super berro e não foi proposital, simplesmente saiu. Eu já estava tão puta com aquilo tudo que comecei a chorar de raiva ao mesmo tempo. O moço levou um super susto e me perguntou se tinha acontecido alguma coisa. Eu disse pra ele que os animais já sofriam tanto dentro da pista sendo laçados, que era absolutamente desnecessário ele dar choque nos coitados simplesmente para eles andarem. Ele ficou tão chocado com a minha atitude que a partir de então, começou a tocar os bois e bezerros com um saquinho de pão ao invés de dar choque e ele me disse: -olha moça, por você, porque você chora de ver eles sofrer, eu parei de dar o choque neles. Eu tô tocando com um saco de pão. - Nem preciso dizer o quanto isso me deixou feliz. Pelo menos o choque eu conseguira aliviar.
Fiz amizade com um potrinho. Todos os dias eu ía lá conversar com ele e quando eu chegava, mesmo que ele estivesse de costas, ele ouvia minha voz, se virava, e colocava parte da cabeça pra fora pra eu fazer carinho. Conversei tanto com aquele potrinho. Percebi que ele tinha um "defeitinho" na pálpebra direita. Se eu pudesse, comprava ele só pra ficar conversando comigo. Ele era tão meigo, tão carinhosinho. Uma fofura.
Esse post está enorme, mas escrevo pra mim mesma. Quero me lembrar dessas coisas. Essa convivência com os animais deixou meu coração mais mole ainda. Cada dia eu chorava por alguma coisa. Chorava sozinha, geralmente conversando com o potrinho; vendo os bois sofrer debaixo dos óculos de sol ou com as crianças e catadores de recicláveis que passavam por lá em meio àquela gente rica. Uns com tanto, outros com nada. Aquilo me quebrou o coração e às vezes, enquanto eu conversava com o potrinho, eu falava sobre as desigualdades, sobre os pezinhos encardidos daquelas crianças, sobre os velhinhos que deveriam estar descansando em suas casas nessa idade e que estavam ali, pegando latinhas embaixo do sol quente para garantir o mínimo que necessitavam. São por essas e outras coisas que eu sou do jeito que sou. Prefiro ser emotiva e panachona do que ter um coração duro. Não tenho vergonha de chorar nem de dizer o que penso quando quero falar. É assim que sou, esse é meu jeito e não vou mais me reprimir nem me cobrar por isso. Nesses dias de estágio eu vi que sou boa no que faço e que faço bem feito. Não estou sendo pedante, mas creio que às vezes, justamente por causa desse meu jeitinho transparente e amigável de ser, é que eu consiga crescer profissionalmente. Quero que as pessoas conversem comigo de igual pra igual. Quero ser sempre a Paula e não a jornalista. A jornalista perde a essência e a mecanização de falas e fatos é o que menos quero. Gosto de ouvir histórias, de sentir emoções e de pensar que quando contamos algo, somos nós ali. As palavras criam vida, formam um enredo e esse enredo não tem classe, não tem idade, não tem cor. Histórias sempre serão histórias e o que as torna diferente é a maneira de contá-las. Uma história sem sentimento é como um pássaro sem asas. Interprete como quiser.
Por essa semana, meu coração está mole, a pele marcada, os olhos prontos a derramar lágrimas a qualquer instante, mas não me importo. Meu crescimento é cada vez maior e a cada dia que passa, me sinto alguém melhor. Ao menos nessa esfera...

quinta-feira, 17 de julho de 2008

Eu me nego

Quando adentrei sua sala, meus olhos logo começaram a lacrimejar. Ele me lê pela pele e me compreende de uma forma bem peculiar.
- Ê minha meninona! O que foi? - ele se levantou e me deu um abraço. Eu chorei.
Ele me olhou, tocou minha pele e viu as várias marcas, os vergões e vermelhidões por todo o corpo. Minhas mãos estavam de um jeito nunca vistos antes. O pior de tudo, é que além de estar feio, doía.
- O que foi que abalou seu coração dessa forma? O que vejo aí não são apenas angústias. Algo realmente mexeu com você. - Me fitava com os olhos esperando uma resposta.
Eu disse a ele como me sentia, o que estava me incomodando e chorei mais. O choro parecia não querer parar nunca. Minha pele pulsava e o sal das lágrimas queimava ainda mais a pele de meu rosto. Eu queria dizer a ele o que estava mexendo tanto comigo, mas não conseguia. Como falar de algo que eu não aceito? Que renego? Mas eu sabia que aquilo estava desencadeando várias outras coisas e por isso me encontrava daquela maneira. Na verdade, ainda me encontro.
Nesse período de reflexão, percebi que muitas fichas caíram e sinto que antes, o que achava ser necessário, vejo que é absolutamente descartável. Hoje quero viver em paz com meu silêncio e creio que essa é uma das maiores dificuldades para mim, mas nada que o tempo não faça e não há nada que a gente não aprenda.
Continuo negando, a pele continua marcada, gritando pelos poros aquilo que eu não quero aceitar. Não sei ao certo como me sinto. Tenho um certo medo bobo, mas creio que minha fase adulta, mesmo em meio à tantas crises, chegou pra ficar.

quarta-feira, 16 de julho de 2008

Fragmento de um sonho

Embaixo de uma árvore
Sinto o vento tocar minha face
Meus cabelos dançam envolvidos em seu toque
Assim como minhas mãos dançavam e deslizavam entre as suas
Uma sensação quase que inexplicável
Assim como o olhar dos olhos que vezes parecem me compreender,
Vezes parecem me intrigar
E eu me envolvo nesses sonhos,
Como se virasse poeira cósmica cintilante
Porque do teu semblante,
O que eu mais guardo é o teu olhar.

terça-feira, 15 de julho de 2008

Dois de carne, por favor

Enfrento minha primeira real experiência como jornalista trabalhando para alguém. Eu e mais dois colegas de curso fomos contratados por uma assessoria para fazer a cobertura de um evento nacional de cavalos quarto de milha aqui em Bauru. Estamos trabalhando desde o final de semana passado e seguimos até sábado agora. A experiência está sendo muito válida. Como entrevistamos dezenas de pessoas diariamente, aprendemos a lidar com uma infinidade de situações que não aprendemos na faculdade.
Mas deixando o estágio de lado, vamos falar do que realmente me incomoda.
O evento acontece no Recinto Mello Moraes, que está localizado nas proximidades de bairros carentes da cidade. Catadores de latinhas, engraxates, pedintes e crianças transitam pelo local diariamente em busca de uns trocados.
O que vejo lá, todos os dias, são coisas que vejo todos os outros dias de minha vida, mas desta vez, a realidade nunca fora tão contrastante.
Todos os dias entrevisto fazendeiros, agroboys, cowboys...chame-os como quiser. Os cavalos que montam valem uma fortuna e a grande maioria deles possui mais do que dez animais. Os competidores ganham prêmios em dinheiro, às vezes carros, motos e assim vai. São pessoas muito ricas e não consigo nem calcular o montante financeiro que circula em um evento como esse.
As botas de avestruz custam no mínimo trezentos reais; a alimentação mensal de um cavalo gira em torno de trezentos a quinhentos reais; o treinamento vai de seiscentos a mil e tantos e o sêmen de um desses campeões vale no mínimo cinco mil reais.
Uma das coisas que me deixou particularmente brava, era o valor dos comes e bebes no recinto. Como estamos trabalhando o dia inteiro, temos que fazer uma boquinha por lá mesmo. Tudo é muito caro porque os comerciantes já sabem qual o perfil do público, então, não se surpreenda se tiver que pagar sete reais por pão, carne e queijo.
Hoje, enquanto eu comia meu salgado e reclamava para mim mesma o absurdo de pagar três reais por ele, uma cena me chamou a atenção. Chegaram dois meninos bem pequenos, sujos e maltrapilhos, com os pés e roupas muito encardidas. Eram parecidos, provavelmente irmãos. Logo atrás deles, um homem: bem vestido, boa pinta e com um sorriso no rosto.
- Boa tarde! - ele me disse.
- Boa tarde! - eu respondi e sorri.
Fiquei observando o que os menininhos estavam fazendo ali. Eu olhava para eles e pensava que puxa, eu ali, ingrata, reclamando do preço do salgado que sim, está caro, mas que graças a Deus eu tinha a chance de poder comprar e comer, e aqueles meninos ali nem isso podiam fazer. Eles ficavam apenas "namorando" a estufa. Meu coração se contorceu de tal forma que comecei a chorar imediatamente. Ando meio chorona, mas aquilo realmente me chocou. Eu olhei a minha volta e vi pessoas que têm muito, mas muito dinheiro mesmo e aqueles meninos estavam ali, e nem três reais para comer eles tinham.
O homem. Voltemos ao homem.
Enquanto eu tentava disfarçar as lágrimas, percebi que ele conversava com o dono da lanchonete em que eu estava. De repente, vejo os menininhos pulando e sorrindo.
- Você quer qual salgado? - perguntou o dono da lanchonete.
- Esse é de quê?
- É de carne.
- Então eu quero esse e ele também!
- Muito bem. Dois de carne então.
O homem gentilmente brincou com os meninos:
- Não contem para ninguém que eu comprei esse lanchinho pra vocês porque eu não sou rico como esse pessoal aí não, hein!
Ele olhou pra mim novamente, sorriu e voltou para seu local de trabalho.
Fiquei ali, sentanda uns minutos, perplexa, pensando em como este mundo é do avesso. Vemos essa situação todos os dias, mas eu precisei vê-la em contrastes mais claros para conseguir me lembrar que às vezes não fazemos nada pelo próximo e ainda reclamamos do que temos. O nosso pouco pode ser o muito de muitas dessas crianças por aí. Eles apenas queriam comer e comida é algo que não deveria faltar a nenhum ser humano.
A visão dos olhos deles brilhando ao abocanhar o salgado é algo que vai ficar na lembrança...definitivamente.

sábado, 12 de julho de 2008

Rédeas

Quando estou ali, me esqueço de quem sou e mergulho em seu universo.
Em meio aos cavalos, uma busca por sua essência
O que enxerga aquele olhar doce e manso?
Não os machuque, não os assuste.
Meu coração pulsa de dó a cada chibatada.
Não me machuque, não me assuste.
Uma pergunta nova a cada rodada.
Sinto-me como os cavalos:
Domada e treinada para pensar como eles querem que eu pense
Cansei de viver nesta categoria e finalmente entendi
Esta é a hora de abandonar as rédeas
E galopar livre por aí.

sexta-feira, 11 de julho de 2008

O pânico

O que está acontecendo comigo? Não sei se escrevo ou se choro. Mal consigo enxergar as letras no teclado, mas preciso escrever porque de certa forma, as palavras parecem ser minhas amigas.
Me sinto no fundo do poço e sinto que não sei mais o que fazer. Toda noite é a mesma coisa: um ritual de reflexão seguido de muito choro que dói, dói, dói tanto e parece não passar nunca. Me olho no espelho e tento enxergar dentro de mim mesma porque não sei o que exatamente me aflige tanto assim, só sei que está insuportável e eu quero que pare.
Chora, menina...
Soluça....
Se despeja...
Por quê tanta aflição?
De onde sai tanta angústia?
O que acontece com você, me explique...
Eu sei que dói, dói, dói muito e eu não tenho mais forças pra fazer parar.
Eu gastei todas as minhas forças com coisas e pessoas que não valiam a pena. Não quero coisas sazonais, quero coisas que permaneçam, que me edifiquem.
Traços de lápis na mão, rímel escorrido na face.
Chora, palhaça...
Chora porque teu riso é triste, assim como o brilho opaco que tenta sair dos teus olhos.

quinta-feira, 10 de julho de 2008

Conversas espelhadas

Quando tudo o que eu te digo, é na verdade, coisas que talvez eu tenha que dizer pra mim mesma.

Estava lendo um blog, o Haute Intimitè - que é muito bom por sinal, e li algo que me abalou completamente. É da francesa Anaïs Nin, provavelmente parte do texto que inspirou o filme Henry &June.
"E você...ora, você coloca as coisas com tanta clareza para mim...tão cristalinas...que parecem simples e verdadeiras. Você é tão terrívelmente esperta, tão inteligente. Desconfio de sua inteligência. Você faz um tipo maravilhoso, tudo está em seu lugar, parece claro, claro demais. E nesse meio-tempo, onde está você? Não na superfície clara de suas idéias, mas já mergulhou mais profundamente, para regiões mais escuras, de forma que se pensa apenas que se recebeu todos os seus pensamentos, imagina-se apenas que você se esvaziou naquela claridade. Mas há camadas e camadas... você não tem fundo, é impenetrável. Sua claridade é ilusória.
(...)
Fiquei docemente adormecida por alguns séculos, e estou em erupção sem avisar. A dureza em mim, uma quantidade inextinguível, lentamente se acumulou através dos esforços que fiz para subjugar a voracidade do meu ego." (in Henry & June, 1932)

Le Café

Duas almas se sentam em uma mesa de café.
- Dois chocolates quentes, por favor.
Aquilo era só o início de algo que, na verdade, já havia começado. Era possível ver o avesso dos dois. Na verdade, só não enxerga além do visível quem não quer porque não lhe convém. Havia uma enxurrada de palavras a serem faladas; várias dúvidas a serem solucionadas e um medo que não queria ser revelado.

E foi o tudo.

O que já havia começado foi um parto. Nunca imaginei que conseguiria dizer as coisas que queria. Foi como se a cada frase, um elefante saísse caminhando de dentro de mim com umas toneladas a menos. Dizer o que sentia me fez bem, principalmente porque me fez desaguar e me deu uma certa sensação de limpeza interna. Algumas convivências são diferentes e especiais em seu próprio modo. Essa, em particular, me faz “parir” uma sensação nova com certa freqüência e ao mesmo tempo que isso é muito bom, me faz conviver com os fantasmas que não me deixam. Incrível como descobrimos que não conhecemos muito da gente e quando pensamos que estamos entendendo algo, é apenas o início do quebra-cabeças.

Voltemos ao café.

As palavras saíram sem dificuldade alguma, pois quando se está com alguém em quem se confia, a franqueza reina. Há algo de muito doce no olhar dele, uma captação realmente parabólica para absorver os dilemas despejados ali. Dúvidas, medos, incertezas e talvez uma gota de esperança. Otimismo não é uma qualidade necessariamente nossa, embora deva admitir que gostaríamos de tê-la. É, na teoria tudo parece menos complicado, porque simples nunca é. Ele me ouviu, me aconselhou e expôs o que realmente pensava. Um simples gesto me fez entender muita coisa. Como eu não havia pensado nisso? A grande verdade é que às vezes me menosprezo de tal forma que não consigo enxergar o que está bem claro ali, na minha frente. Quando achamos que não queremos mais uma coisa, basta que alguém a deseje para que o sentimento de posse retorne. Pois é, aquilo não te pertence. Mesmo!
Ele havia sacado o lance em apenas algumas palavras e nunca vou esquecer aquele gesto numa mesa de canto daquele café. Ele foi bem na mira e teve olhos pra enxergar o que eu não via. Certeza não há, mas que parece ser, parece! Talvez as pessoas não se sintam assim, tão grandiosas como achamos que elas sejam. Talvez sejam apenas marionetes delas mesmas.
Ele se despiu. Sua alma ficou tão clara e nítida que podia reluzir. O enxerguei de uma forma que nunca havia enxergado. Ele trouxe à tona tudo o que mais o afligia e foi quase como se ouvisse os fantasmas cochichando em seu ouvido. Uma sensação de querer fazer algo para limpar toda aquela história e não deixar marcas em alguém que não merecia ter passado por tanta dor. Uma pessoa que te faz querer falar por horas, que não apenas escuta, mas ouve; que partilha com você a opinião mais sincera e verdadeira que possa te oferecer, alguém simplesmente muito fácil de amar, seja em que aspecto for. Pude ver que ele estava revirado e que muitas feridas ainda permaneciam em seu âmago. Realmente, acho que apenas o tempo irá curar o que agora parece não ter cura.
No futuro, pode ser que ainda haja alguma cicatriz, mas não tenho dúvidas de que alguém muito melhor trará os curativos certos para que tudo sare da melhor maneira possível e na verdade, uma alma sem cicatriz é uma alma sem histórias para contar e eu espero, de verdade, que muitas mesas de café sejam cúmplices do muito que ainda está por vir.

segunda-feira, 7 de julho de 2008

In their shoes

Às vezes eu fico assim, jururu, pensando que a grama do vizinho sempre é mais verde e tentando entender porque tudo na minha vida parece ser tão difícil. Nada simplesmente vem, cai do céu ou acontece porque pra cada coisa que eu consigo, ou consegui, eu tenho uma cicatriz e uma história pra contar. Tudo bem, talvez você ache que assim é bem mais legal e que estou reclamando de barriga cheia, mas não é bem assim mesmo. Tudo sempre foi muito difícil, com muita luta e muito esforço. Nunca consegui nada por acaso e às vezes isso me cansa muito.
Ter que provar quem você é e o seu valor pras pessoas a sua volta já pe cansativo, imagine o resto. Assistindo a esses seriados que não deixam de ser babacas, eu me entupo ainda mais de sonhos e frustrações daquilo que nunca fui e que talvez nunca seja. Eu me pego pensando como será que é ter a vida de uma Lauren Conrad, por exemplo, porque se eu fosse ela, eu acho sinceramente que teria conseguido ainda mais. Uma menina dessas nasceu com a "bunda virada pra lua" como dizem por aí. Natural da Califórnia, família rica, bonita, com a MTV fazendo de sua vida um reality show e ainda por cima, consegue um estágio na Teen Vogue. O que mais ela pode querer?
Eu queria que essa sensação de que meu lugar não é aqui passasse. Me sinto assim há muito, muito tempo e a conexão que tenho com os Estados Unidos é inexplicável. Lá eu me sinto em casa, por incrível que pareça. Então, eu fico vendo esses seriados e viajando na maionese feito uma tonta. Eu sei que vou ter que dar a cara a tapa novamente, que vou ter que me preparar e correr a maratona pela terceira vez e que isso vai levar ainda mais tempo, mas eu espero, sinceramente, que dessa vez eu consiga o que venho tentando há tantos anos porque acredite, uma hora, tudo cansa.
Sabe o que eu queria? Eu queria ser americana, loira, de olhos claros, bem magrinha, daquelas que come o dia inteiro e não engorda uma grama e ainda emagrece se passa nervoso; queria ter uma família rica, uma mercedes conversível, várias bolsas de grife, uma gaveta com pelo menos 20 óculos de sol de marca gigantescos, um closet abarrotado de roupas do tamanho do meu quarto atual e todas size 4, uma parede com mais de 100 pares de sapatos, toda a maquiagem do mundo que eu amo, mais de 50 vidros de perfumes e muitos cremes, uma banheira gigantesca pra eu poder relaxar; queria ter todos os caras mais populares no meu pé e poder dispensar todos porque no momento "eu estaria de boa"; ir pra faculdade na UCLA; morar em Hollywood e passar as férias em Miami Beach e agir como se eu fosse realmente a única bolacha do pacote. Tudo isso por um final de semana. Sabe por quê? Só pra saber se elas são tão felizes quando eu penso ou pra ver se minha vida é tão patética quanto eu acho que é. Aí, então, talvez eu entendesse a matemática da vida e me conformasse.

domingo, 6 de julho de 2008

Indignação

Ainda me sinto um tanto chocada com a frase que ouvi há pouco Michelle Pfeifer dizer em um filme: "Beleza supera caráter". Bem, na verdade, ela se referia ao mundo de hoje, à sociedade em que vivemos e nunca algo dito assim, tão naturalmente em um filme me chocou tanto. O pior é que é verdade, não a minha verdade, mas a verdade das pessoas. Beleza não só supera caráter como supera competência, em alguns casos.
Que mundo podre. Isso me enoja!
Enfim, nem estou a fim de filosofar agora, mas ouvir uma frase brutal dessas em filme água com açúcar é dose! E depois tentam dizer que beleza não é tudo. Na verdade, o que a sociedade faz, é manipular pessoas para que elas acreditem que beleza é tudo e se sintam um lixo, assim eles atingem sua meta capitalista de lucro em cima de indivíduos que buscam um padrão de beleza inatingível.
O mais triste disso tudo? Eu faço parte desse círculo patético vicioso porque não consigo acreditar que nos dias de hoje alguém consiga enxergar além do que é visível aos olhos.
Argh...que nojo!

sexta-feira, 4 de julho de 2008

Bobeirinhas

Um dia eu quero amar de novo, amar de verdade. Quero ficar espiando-o com o cantinho dos meus olhos achando que ele não está vendo; quero perder o rumo quando ele passar perto de mim e o cheiro de seu perfume ficar no ar...quero me enrolar toda na frase que for falar e de repente falar uma baboseira qualquer que o faça rir; quero ficar vermelha feito uma boneca russa e tentar fingir que meus olhos não estão brilhando enquanto olho pra ele.
Há muito tempo que já não sei mais o que é isso e não me sinto pronta para vivenciar essas coisas novamente, pelo menos não agora. Um dia, quem sabe.
Quero poder me sentar ao seu lado na cama e enquanto ele lê Dante, eu leio qualquer ficção que me aqueça o coração e aí, de repente, ele me cutuca e tira sarro do meu romantismo barato...mas depois, nada disso importa porque no final acabamos filosofando sobre Dostoiévski de qualquer forma. Ahhh...acorda, Paula! Além de encontrar um cara você ainda quer encontrar um cara que leia Dante na cama ao seu lado e depois filosofe nas idéias de Fiodor?? É quase como dizer que Brad Pitt vai se separar de Angelina Jolie pra ficar com você! Hahaha...mas que bom senso de humor, não é mesmo? Enfim, post é meu, o homem é meu e o idealizo como quiser nesse momento.
Ele vai ser culto com um senso de humor ótimo, já que o meu não é tão bom assim; vai ter mãos firmes, o abraço mais aconchegante do planeta e olhos caridosos; a voz, grave, de preferência. Vai gostar de crianças e quando brincar com elas, vai me deixar imaginando que tipo de pai ele seria; vai dizer que alguma comida que eu faço é a melhor do mundo e nos dias complicados de trabalho, vai me ligar com voz de pidoncho e pedir pra eu fazer o prato preferido dele e aos finais de semana, quero receber sua família, ou seu melhor amigo pra jantar e me sentir feliz por simplesmente estar ali, fazendo algo simples que me dê tanta alegria.
Quero alguém que me aceite assim, com minhas manias, minha chatice, meus sistemas e minha risada histérica; alguém que ao invés de me perguntar que raios aconteceu com a minha pele, entenda que algo me abalou e ao invés de dizer que tudo está feio e pedir pra eu parar de me coçar, se ofereça pra me ouvir ou ao menos me dê o tubo de pomada com um olhar de quem diz que "logo vai passar".
Quero ter uma banheira, dessas simples, de louça mesmo, pra poder chegar em casa do trabalho, acender velas, abrir um vinho ou champagne - pode ser do barato mesmo - colocar uma música bem relaxante e descansar, relaxar e viajar na maionese e depois, me lambuzar de creme e de perfume pro meu cheiro ficar grudado na pele dele.
Imaginar todas essas coisas é muito bom e sei lá, escrever sobre elas também é porque espero que um dia essas coisas simplesmente aconteçam. O cara não precisa necessariamente ler Dante, mas se leitura for um de seus gostos, já ficarei feliz.
Na verdade, quero coisas simples, corriqueiras, que simplesmente me façam ter vontade de querer mais a cada dia e que a cada dia, ele cresça comigo e que juntos a gente possa construir uma história.
E enquanto nada disso vem, eu fico aqui, sonhando no meu cantinho...

In my shoes

Eu fui, mudei, escrevi.
Achei pesado demais, tirei e excluí, como se tirando daqui fosse tirar também de dentro de mim. I wish!
Porque se você calçasse os meus sapatos, saberia como é estar em meu lugar.
Capiche?

segunda-feira, 30 de junho de 2008

Ciranda utópica

Ele me pega, me olha
Me solta, me deixa
Ele volta, me assola
Me bate, me beija

Ele dança, ela ginga
Me envolve e arrepia
Ele fere, ela mima
Como se ainda fosse menina

E nessa ciranda, ela dança,
Com olhar de criança
No abraço, a esperança
De um dia que não vai chegar

A verdadeira inquietude d'alma


Ela me pediu, disse que ajudaria a enfrentar meu medo da morte. Eu chorei. Não entendo porquê sinto tanta vontade de escrever hoje. É como se quisesse vomitar todas as palavras que aprendi durante a vida toda. "O seu problema é o corpo", ela dizia. Sim, é o corpo porque minha mente não o separa da alma em circunstâncias normais. Por que eu deveria pensar que essa boneca grande é o que resume minha essência? Eu não estou aqui, eu não sou isso e não me encontro nela. Eu sou alma, alma inquieta, que não pára, não descansa e que quer entender.

Há algo que me deixa ainda mais inquieta e não consigo entender porquê. Acho que é o mistério, o fato de não saber nada e ao mesmo tempo achar que sei algo, mas mentira. É tudo muito embaçado e nada é translúcido. Queria ser assim, misteriosa, calada e embaçada, mas infelizmente, como não me desprendo dessa "matéria de boneca" que na verdade penso não ter nada a ver comigo, continuo deixando transparecer em seus olhos o quanto a invisibilidade a atinge.

Eu digo à ela que a boneca não importa. A boneca é matéria, ela é alma. Sua alma - inquieta - é alma. É um coração e é pura. Para ver uma alma limpa basta enxergar além do visível. A matéria, a boneca, qualquer um vê, mas para ver a alma, tem que ser um desbravador de essência, um oculista cardiológico para enxergar tudo aquilo que o olho da matéria jamais viu. É na alma que as coisas mais bonitas se escondem. A boneca, mais cedo ou mais tarde, irá se desfazer. Por mais que eu, a boneca, não aceite isso, é a lei da vida. Quero gritar de medo, quero urrar em pânico pedindo socorro e uma garantia de que não me perderei em meio à terra.

Eu não gosto de você, boneca. Por quê você me fere tanto assim? Se eu não gosto de você, porque tenho tanto medo de não tê-la mais um dia? Se sou alma, para quê você me serve? Se os outros me enxergam boneca, é porque escondo a alma. Por que se esconde? Por que me atemoriza? Por que me faz chorar? Por que despreza tanto a boneca que lhe abriga?

Medo, medo, medo. O que pode se fazer com uma boneca assustada? Por que escolhem ver apenas a boneca e não vêem a alma?

Olha, boneca, você só pode ser alma mesmo porque até seu cabelo te rejeita. Ele não nasce em todos os bulbos, é fino e não tem força para crescer e dizem que a beleza de uma mulher está em seu cabelo; a alma rejeita a boneca, essa, nunca a ouve e muito menos faz o que a alma pede. O que me resta? Quem é que escreve isso? Sou corpo ou sou alma? Não sou nada. Sou apenas um coração amedrontado com medo de morrer. Espero que um dia isso passe e enquanto isso, pesquiso todos os significados de alma que ela me pediu, já que eu mesma me denominei alma inquieta. Queria agora apenas um abraço...era tudo o que queria pra desaguar meu choro de pânico.

Ela pediu, eu fiz:

ALMA


do Lat. anima
s. f.,
parte incorpórea, imaterial do ser humano;
princípio da vida;
conjunto das faculdades intelectuais e morais do homem;
espírito;
pessoa;
a vida;
a existência;
chefe;
caudilho;
agente;
motor principal;
colorido;
coragem;
autor;
entusiasmo;
paixão;
animação;
carácter;
índole;
consciência;
sentimento;
coração;
força;
generosidade;
superfície interior da boca do cano de uma arma de fogo que pode ser lisa ou estriada;
peça dos instrumentos de corda que se colocam abaixo do cavalete;
pedaço de madeira entre a sola e a palmilha.


E aí vem Nietzsche e ferra com tudo:


"Aos que desprezam o corpo, quero dar meu parecer. O que devem fazer não é mudar de preceito, mas simplesmente despedirem-se do seu próprio corpo e, por conseguinte, ficarem mudos. [...] Tudo é corpo e nada mais; a alma é simplesmente o nome de qualquer coisa do corpo. O corpo é uma razão em ponto grande, uma multiplicidade com um único sentido, uma guerra e uma paz, um rebanho e um pastor. [...] Quero dizer uma coisa aos que menosprezam o corpo: desprezam aquilo a que devem a sua estima". (NIETZSCHE, 2000, p. 51)


Já não sei mais o que pensar...

Arbitrariamente

Escolhas. Tudo, absolutamente tudo na vida acontece proveniente de uma escolha. Neste momento escolho deixar o medo de lado e a face exposta aos tapas que possam vir. Se vierem, não arderão tanto assim porque na verdade já escolhi uma atitude madura ao invés de qualquer lágrima de menina que possa querer vir. Não escolho mais sofrer por coisas que não valem a pena e está na hora de enfrentar de uma vez por todas meus próprios fantasmas.
Não quero mais planos arquitetônicos, nem monumentos faraônicos e muito menos passar horas queimando neurônios pensando no que seria certo, no que deveria fazer. Pouquíssimas são as vezes em que atitudes denominam-se certas ou erradas porque cada escolha te guiará por um caminho, não importa qual seja ele. É preciso agir porque o aprendizado, de um jeito ou de outro, virá.
Mergulho numa sensação intimista de aconchego dentro de mim mesma. Há uma sensação de missão cumprida, um pouco de incerteza e dúvida, mas não mais medo. Sinto que posso simplesmente erguer minha cabeça e andar em paz; ler uns bons livros, trocar algumas palavras, observar o azul do céu, pensar em frases perfeitas de filmes que se encaixam em minha vida, ouvir todas as músicas melancólicas que quero e sentir uma alegria quase que agonizante de alguém que finalmente está saindo de seu casulo. A solidão já não me assusta mais e há um fio de esperança na ponta de meus dedos, no meio dos meus olhos e no tom da minha voz que me embraçam e me embalam em um sentido pleno, sincronizado, lindo.
É bom viver e sentir-se viva. O coração dispara, as palavras ora fogem, ora vêm como labaredas certeiras em meio a um coração morno que apenas deseja ser despertado. O meu encontra-se inquieto, porém muito em paz porque não estou permitindo divagações sobre o irreal.
Escolho viver este momento de maneira arbitrária e plena. Um pouco de calma e serenidade me farão muito bem juntamente com a companhia de ótimos livros e um pouco de silêncio. E logo eu, que quando penso que estou sendo desconexa é quando mais faço sentido.
Congratulations, little girl. You're definitely growing up and making sense.
Ouvindo Lonely - Yael Naim

quinta-feira, 26 de junho de 2008

Fogueira das Vaidades

Estava eu hoje na festa junina mais mal organizada que já vi. Os estudantes se espalhavam pelo bosque buscando um cantinho aconchegante e já que o frio hoje resolveu não dar trégua mesmo, alguém foi e fez uma fogueira.
Não fiquei observando os indivíduos sentados em volta dela por muito tempo. Não foi necessário, pois no momento em que fiquei ali por perto, consegui sacar algumas coisas. Engraçada a percepção do ser humano. Era uma fogueira de vaidades, cada um queimando seu próprio orgulho, mergulhado em sua própria desgraça, pegando carona nas feridas que ardiam ainda mais com a brasa em chamas. Pessoas pensando, pensando, pensando...longe, longe, longe.
Me deparo com meu companheiro de conversas. Como é de praxe, em momentos de reunião grupal, trocamos algumas palavras. Às vezes muitas, às vezes poucas, mas o engraçado é que parecemos escolher justamente os momentos mais descontraídos para falar de coisas sérias. É, foi engraçado perceber que parte de seu orgulho também se queimou na fogueira das vaidades. Estavam todos ali, tentando entender algo, buscando uma resposta que poderia apenas vir do interior de si próprio. Eu estou encontrando minhas respostas e estou muito feliz por isso.
Fiquei pensando que realmente, como me foi dito, o crescimento é singular, vem aos poucos e acontece na solidão. Sossego é o que mais quero. Quero mergulhar em minhas leituras, sonhar um pouco, inventar tramas em minha cabeça e pensar que dariam um ótimo filme. Distância do mundo real é o que mais quero no momento. As pessoas têm me cansado de uma forma geral. Cansei das mesmas conversas, das mesmas caras, os mesmos problemas e as mesmas futilidades. Quero um pouco de reflexão eu comigo mesma, quero arder em minha própria fogueira das vaidades e hoje, apenas quero deitar a cabeça em meu travesseiro e pensar que no final, tudo vai dar certo.
E mais uma pétala desabrochou. "Towanda!"