segunda-feira, 28 de julho de 2008

Guinada

Hoje o dia sorriu pra mim!
Acabei as 52 matérias que tinha pra escrever,
Entreguei as trufas que tinha pra entregar,
E li o e-mail mais lindo do mundo - era o agendamento de uma entrevista.
A vaga era minha!
Estágio em período integral, na minha área!
Ah, é bom demais pra ser verdade...
Agora me sinto quase uma jornalista de verdade.
Saí de lá e comprei meu primeiro caderno sóbrio,
Sem bichinhos, adesivinhos, nem folhas decoradas.
E agora eu sinto, que minha vida está guinando,
Que coisas boas estão acontecendo
E que minha vida de adulta
Está saindo da fantasia e se tornando realidade!

domingo, 27 de julho de 2008

Aleatoriamente

Posso dizer que acordei me sentindo revitalizada. Acho que era exatamente isso que estava faltando em minha vida. Por anos me afastei e quis ver com meus olhos da carne o que tanto diziam e eu não acreditava. Pois é, paguei pra ver e não só vi como senti em cada poro da minha pele as dores mais profundas que poderia ter sentido. Não me arrependo porque agora, tendo vivido dos dois lados, eu sei o que é melhor de fato e esse vazio que eu sentia, essa tristeza agonizante era a falta de Deus.
As aulas estão para voltar e minha empolgação continua praticamente nula. Quero apenas ver a meia-dúzia de pessoas que realmente tenho sentido falta e só. É quase como se já me preparasse para ouvir os comentários óbvios que permeia a volta das férias. Falando nesses comentários, vocês já observaram quais são eles? As pessoas geralmente vão se cumprimentar e soltam:
- Noooooossa...amei seu novo corte de cabelo!
- Gente, olha como seu cabelo cresceu em apenas um mês! Tô bege...
- Você emagreceu?
- É, parece que as férias te fizeram bem, hein...a barriguinha que o diga!
- Gente, eu comi feito um porco nessas férias
- Nossa, tô um bucho. Preciso fazer um regime urgente
- Meu, aonde você pegou essa cor em pleno julho?
- Seu bronzeado está lindo!
- Hummm...voltou de guarda-roupa novo, hein!?!
- Você veio dirigindo? Não acredito? Ganhou um carro? Me dá carona?
- Será que fulana e beltrano ainda estão juntos?
- Nossa, preciso te contar um bafo que olha...
- Gente, o fulano parece que deu uma encorpada, tá mais homem....delícia, hein!
Enfim...esses comentários são mais de cunho feminino porque não sei o que os meninos comentam entre eles, mas esses você pode esperar que irá ouvir na volta às aulas. Eu, sinceramente não sei o que direi pra algumas pessoas se elas vierem me dizer que sentiram minha falta nas férias. - Ah, obrigada, mas eu não senti nem um pouco a sua falta. - sorriso. Quero ver apenas algumas poucas pessoas, abraçá-las, saber se está tudo bem e boa. Voltar à convivência cotidiana da faculdade.
Se fosse colocar em palavras, me cansei de pessoas engessadas, pré-moldadas e produzidas em número de série, porque é assim que 90% da sociedade é e isso, em minha opinião, é muito triste.

sexta-feira, 25 de julho de 2008

Para Pedro Lopes


Quando eu nasci, te roubei de todo mundo.

Você era só meu e não aceitava dividi-lo com mais ninguém.

Te tirei da cama da minha vó,

Não dava a mínima pro meu pai e pra minha mãe

Fazia até a coitada chorar implorando que eu fosse para a casa.

Mas eu não ía.

Por que eu iria pra outro lugar se o melhor lugar do universo era a seu lado?

O meu nome nunca foi tão lindo como quando você o pronunciava.

As flores tinham outro significado,

A sarjeta era macia

E os bancos da praça contavam histórias.

Eu amava os patos e passávamos o dia desenhando-os nas paredes para o desespero da vovó.

Nós gostávamos era dos cisnes!

Nunca houve para mim flor mais linda do que as hortências.

Você as plantava com tanto esmero e estudávamos a gama de cores de suas pétalas.

Nunca houve amor maior e se a perfeição existe,

Para mim ela é você.

Foram os 4 primeiros anos de minha vida e os melhores também.

Com você aprendi a enxergar pessoas, a ver a bondade e a entender que o amor acontece de formas simples.

Você não me dava presentes, nem me enchia de bonecas.

O seu colo era o melhor presente do mundo.

O jeito que você me olhava era único

E é assim que eu sei que um amor de verdade deve ser.

É na simplicidade de detalhes que ele mora.

Não são valores, são atitudes.

Você é a razão da minha memória de elefante.

Tudo o que vivemos foi precioso demais para que eu pudesse esquecer.

Eu me lembro de tudo e se fechar os olhos, sinto seu amor com maior intensidade.

No dia em que aquele telefone tocou, eu sabia que algo havia acontecido com você.

Somos conectados e eu senti...

Senti que você partiu e que me deixou.

Me lembro de quando gritei, da comoção que causei no velório porque ninguém no mundo,

Nunca houvera visto,

Uma garotinha passando por tanta dor naquela idade.

As pessoas achavam que eu não entendia.

Eu sabia que você tinha partido e que fisicamente havia me deixado;

Sabia que não haveria mais o seu colo,

Nem patinhos nas paredes,

Nem sopa de salsicha no final da tarde.

Eu tenho certeza de que você sorriu pra mim.

Me lembro que eu te chacoalhava e da camisa xadrez com que você se foi.

Eu mexia em você achando que você poderia acordar

Porque na minha cabeça, naquela idade,

O amor já movia montanhas

E eu queria crer que o meu amor seria suficiente pra Deus te trazer de volta pra mim.

Mas acho que por você ser quem foi, é que Deus te tirou daqui.

Você só podia ser um anjo e acho que Ele precisava de você.

Nunca vi olhos mais azuis do que os seus

E às vezes acho, que eu criança, era mais capaz de te deixar ir do que hoje.

Se fosse hoje, eu não aguentaria.

Eu morreria aos poucos,

Como aqueles casais de velhinhos que morrem um em seguida do outro porque não aguentam a perda.

Não saberia perdê-lo hoje.

Já gritei pro mundo

E tatuei na pele o quanto eu te amo

Tudo o que eu mais queria era poder vê-lo, poder abraçá-lo e dizer que não há nada nesse mundo

Que eu ame mais do que você.

Não há como colocar em palavras o vazio que ficou dentro de mim.

Falar de você é quase que um segredo porque não consigo não chorar, não sentir a dor que senti naquele dia com 4 anos de idade.

Tenho pavor da morte e não sei nada sobre ela, mas se um dia eu morrer,

Quero que a sua alma venha buscar a minha porque só assim não sentirei medo.

Hoje, quero pensar que você me observa e que me supre com o seu amor de onde estiver.

Porque não importa o que aconteça, aonde eu vá,

Eu sempre vou te amar mais do que qualquer outra pessoa

E eu sei que mesmo que um dia eu fique muito velha,

Eu sempre serei a sua garotinha.

Interno e externo

Desta vez, e acho que pela primeira vez, ele não acertou. O homem que eu tanto "idolizei" pelos últimos cinco anos, que sempre fazia coisas geniais e dava um jeito de ao menos tentar melhorar o pouco que tenho, errou. Creio que o erro foi meu de achar que ficaria exatamente igual ao da última vez. Ele repicara o meu cabelo curto demais na parte da frente e me deixou com a estima mais lá no pé do que já é.
Cabelo é praticamente tudo para uma mulher e se eu for essa mulher, então, meu amigo, eu diria que cabelo é tudo mesmo. Como se já não bastassem os meus problemas todos com imagem, eu fui abençoada com uma doença crônica que é praticamente degenerativa e adivinhem onde? Sim, no cabelo! O meu cabelo tem problema e ele nunca mais poderá ser do jeito que eu gostaria que ele fosse. Comerciais de xampú, anúncios de tintura, capas da revista Nova...todas aquelas mulheres com aqueles cabelos que mais parecem irreais me frustram porque sei que o meu nunca poderá chegar perto de se parecer com aquilo.
Tudo bem. Eu sei que cabelo cresce, até o meu que demora 3x mais pra crescer do que o de qualquer outro ser humano, mas agora a ida ao espelho é mais dolorosa ainda. Senti que o mínimo de dignidade na aparência que me restava foi tirada. Sim, drama, drama, drama.
É assim que me sinto.
Estou cansada de ser bombardeada a todo momento por essa mídia doentia que vive às custas de uma sociedade capitalista que não tem mais sentimentos e se auto-flagela às custas de uma imagem que é irreal para 90% das pessoas. Até quando será assim? Não quero colocar toda a culpa na sociedade porque eu tenho um problema comigo mesma. Eu aceito aparências diversas porque por mais insano que seja, as aparências alheias não me importam muito. O meu problema é comigo mesma, é a guerra que travo com meu espelho. Eu me cobro demais, me analiso demais e me puno demais. Na minha cabeça, tudo gira em torno do corpo e venho descobrindo que isso tem forte ligação com meu pânico de morte. Corpo, boneca, alma.
Sabe, eu quero acreditar que ainda existem pessoas que enxergam além do que os olhos da carne podem ver. Por mais que eu tente mudar e realmente me esforce para isso, a grande verdade é que eu não sei se mudarei. O meu corpo briga comigo. Ele me enfrenta e às vezes fico pensando que esse é o karma da minha vida, se karma realmente existir. O mais estranho de tudo é que como disse acima, o meu problema se dá apenas com minha própria imagem. A dos outros pouco me importa. Quando gosto de alguém, por exemplo, eu mal enxergo a pessoa. Não sei...não sou ligada em caras sarados, ou bundudos, ou com barriga assim ou assado. Dane-se. Eu gosto de duas coisas que os olhos da carne não podem ver: caráter e cérebro. Pronto. Simples assim. E será que existe alguém que também enxergue como eu?
Nos dias de hoje, na convivência com meus colegas, percebo o quanto a aparência é importante pra eles e quase sempre acho que tudo está perdido. A maioria, até mesmo aqueles mais inteligentes que você acha que são diferentes da maioria, estão com o olhar fixado nas belezas da carne. Sinceramente, prefiro morrer gorda, enrugada e velha do que saber que um dia alguém me escolheu simplesmente pela aparência que eu tinha na minha juventude, por exemplo. Não quero isso pra mim. Mesmo! Por mais idiota que eu seja, aos 25 anos, eu ainda acredito no amor bobo, sem interesses, que simplesmente aconteceu e é esse que quero. Se for pra ser diferente, prefiro não amar. Hoje estou aprendendo que ser sozinha é uma das possibilidades que posso enfrentar no futuro. Não há garantias de que eu vá me casar ou conhecer o tal cara decente com olhos especiais como gostaria. Tudo é incerto.
Acho que tenho tanto medo de me envolver novamente que fechei meu coração porque eu realmente saí dessa fase em que meus "amigos" se encontram. Não quero mais pegadas em festa, transas casuais e situações que apenas me tragam prazer momentâneo e depois façam com que eu me sinta um lixo. Não vale a pena. Só quero beijar alguém novamente quando sentir que meus joelhos bambeiam, que meus olhos brilham, que minha bochecha fica vermelha e que eu corro o risco de falar qualquer abobrinha tentando parecer ser legal. Nessas férias, sinto que virei adulta de verdade e essas coisas já não me importam mais. Não falo mais de sexo, não quero mais locutar o Zona Erógena e não vou ficar por ficar. Já aproveitei o que precisava e o vazio que sentia, nunca mudou perante nenhuma dessas circunstâncias. Agora, quero ficar quieta, no meu cantinho, falando pouco e apenas o necessário; com poucos, mas bons amigos e sabendo que não faço parte do mundo deles. Eles, de certa forma, ainda estão na adolescência. Eu encarei minha fase adulta e resolvi me portar como uma.
Sei que continuarei brigando com o espelho, xingando a sociedade, os padrões de beleza, os homens que se portam feito animais e mulheres que se portam feito vadias, mas sei também que os meus olhos continuarão buscando por olhos que enxerguem além do visível. Porque olhar é fácil, mas transcender é para poucos.

segunda-feira, 21 de julho de 2008

O jogo

Para mim, isso é um monte de nada
Faz parte de uma utopia, embora seja uma palavra pesada
De uma situação que insiste em me assombrar.
É como naquele retrato, que numa fração de segundo,
Fitou o enigma do teu olhar.
Canso-me de sensações efêmeras,
De cirandas voláteis
De jogos que fingimos não jogar.
A quem enganas?
Aparentemente, podes negar
Porque por dentro queima aquela sensação que insistes não enxergar.
Basta apenas uma fagulha,
Para o fogo começar a queimar.
Jogam-se os dados, a partida irá começar.
Quem dá mais?
Aposte todas as suas fichas
Pois nesses jogos, eu sei
Que a sorte pode mudar
O que o destino nos reservou, o medo pode atrapalhar
Ata-me a um barbante
E lança-me no ar
Observa o fio pulsante, que balança pra lá e pra cá
Não tenhas tanta certeza de que o fio irás alcançar
Pois o que sei, no final disso tudo
É que nesse jogo não irei me entregar.

sábado, 19 de julho de 2008

Uma história pra contar

Sinto, bem no fundo de mim mesma, um cansaço mental além do físico. Esses últimos dias foram bem puxados e o estágio me fez crescer de uma maneira diferente - inesperada, eu diria.
Foram oito dias observando cavalos e pessoas, convesando com elas e ouvindo histórias. Sei que estou em uma fase extremamente emocional, mas as lágrimas que derramava lá não eram lágrimas comuns ou, poderia dizer, de situações que geralmente me fazem chorar.
Aprendi muitas coisas sobre o meio jornalístico. Já me considero parte desse mundo porque apesar de todas as circunstâncias, foi ele que escolhi para trilhar parte de minha caminhada. Sempre notei que meus colegas de curso, vez ou outra, comentavam ou tiravam aquele sarrinho básico do meu jeito de ser. Às vezes faço comentários afiados; às vezes faço todo mundo rir com algum comentário que faço, mesmo que fazê-los rir seja a última coisa que eu queira. Sou muito transparente e muito sincera. Quando entrevisto alguém, me entrego para aquela pessoa. Faço um diálogo. Quero saber o que ela tem a me dizer e se por ventura, eu achar que posso acrescentar algo, eu digo. Não tenho vergonha de fazer perguntas que sejam idiotas porque pergunto na humildade. Tenho uma abordagem simpática - creio eu - e olho as pessoas nos olhos. Muitos de meus amigos - digo isso porque já vi muitos fazendo esse tipo de coisa - querem realmente parecer jornalistas. Há essa idéia idiota de que os estudantes ainda são uns bobinhos que não sabem de nada e aí, para sanar essa idéia, eles tentam se portar como profissionais e aplicam tudo aquilo que ouvem na teoria na universidade. Tudo muito sério e muito certinho. É claro que devemos saber como nos portar em determinados locais e com pessoas, mas sempre há um jeito de ser você mesmo.
Perdão à teoria, pois ela sabe que a adoro, mas a prática, é você quem faz. Não há uma maneira certa de entrevistar alguém. Há o seu jeito e ele pode dar muito certo e pode dar muito errado. Temos que descobrir como podemos melhorar e trabalhar em cima disso, mas enfim...meu ponto aqui é o seguinte: tiram sarro de mim sim pelo meu jeito de ser. Vou citar um exemplo: na Virada Cultural Paulista que aconteceu em minha cidade, a cantora Mariana Aydar veio se apresentar. Uns dez estudantes, inclusive eu, ficaram à espera por uma chance de entrevistá-la. Quando ela desceu, as perguntas e o jeito jornalístico sério começaram. Eu havia escrito um bilhetinho para meu colega entregar à ela, já que achei que não a veria e ele tinha uma entrevista marcada com ela após o término do show. Como conseguimos entrar, eu guardei o bilhete e esperei uma brecha para me pronunciar. Com toda a humildade do mundo e sem nada de tietismos, disse que havia adorado a roupa e as sandálias que ela estava usando e que eu nunca havia visto uma cantora pessoalmente com tanta presença de palco como ela. Disse que ela tinha uma energia radiante e que seu jeito simples e humilde me encantaram e completei: - você é uma fofa!
Preciso dizer que meus amigos jornalistas se entreolharam com dizeres de "ai meu Deus, o que ela está falando...não acredito". Eu disse isso do coração e olhei nos olhos dela. Falei o que queria, o que havia sentido durante sua apresentação. Assim que acabei de falar, ela passou pelo meio dos outros estudantes, me olhou nos olhos e disse: - Fofa é você! E me deu um abraço muito forte e um beijo. Fiquei extremamente surpresa. Ao final da entrevista, ela deu um beijo em cada um dos estudantes que lá estavam, mas todos se surpreenderam quando ela veio me abraçar. Mas o que quero dizer é que eu não ligo de ter esse jeito panachão. Eu sou o que sou sempre e até agora, tenho colhido ótimos frutos.
Estava entrevistando um homem agora nesse campeonato nacional da raça quarto de milha. Ele havia acabado de ganhar uma modalidade quando fui entrevistá-lo. Ele manteve a pose a entrevista inteira, mas no final, tirei os óculos de sol, olhei em seus olhos azuis e fiz uma pergunta sobre a vitória. O choro o invadiu. Fiquei assim, até um pouco chocada com a reação dele. Achei tão bonito vê-lo se desnudando para mim, uma garota com aspirações de jornalista que ele nunca vira na vida e ali, atingi sua essência. As lágrimas escorreram de meus olhos também porque me emocionei e quando ele as viu caindo, chorou mais. Com certeza esse será um dos momentos que mais lembrarei. Há também um garotinho de oito anos que não queria dar entrevista de jeito nenhum. Liguei o gravador e comecei a jogar conversa fora com ele dizendo que não iria mais entrevistá-lo. Sou absolutamente apaixonada por crianças e esse menino era uma criança linda. Conversei com ele, fiz todas as perguntas que precisava e quando terminei, ele me perguntou: - Ei, e a minha entrevista? Eu respondi que já havia feito naquela conversa e então, ele sorriu e disse: - Puxa, se eu soubesse que você era legal, eu não tinho dito não pra você. É que essas entrevistas são muito chatos e só me fazem perguntas bobas. Você é legal! Você torce pra eu ganhar de novo amanhã? Aí você pode conversar comigo de novo! - Não preciso dizer que por dentro pulei de alegria. Conquistar crianças não é algo fácil. Elas são extremamente verdadeiras e sentem exatamente o que você transmite.
Foram muitas histórias, cada qual com sua importância. Uns falavam muito, falavam bem; outros eram monossilábicos e falavam muito mal, mas cada pessoa tem uma história e o aprendizado que tive foi gigantesco.
Outra coisa que me deixou assim, chorona, foram os animais. No começo morria de dó dos cavalos porque achava que eles se cansavam muito nas competições e ficava pedindo pras pessoas não baterem com o reio neles na hora de correr. É o que eu disse, imagine um lugar cheio de pessoas que competem, lidam com cavalos o tempo todo e uma garota pedindo pra eles não darem com o reio no cavalo. É esse o jeito panachão a que me refiro. Eu falava com dó e apertava os olhos quando ouvia o barulho do reio descendo no lombo do cavalo. Eles me tranquilizavam e diziam que achavam bonitinha minha preocupação. Conquistei várias "amizades momentâneas" com isso. Quando as provas de laço começaram, aí eu virei do avesso. Quase tive um troço de ver os bois e bezerros sendo laçados e levando choques para seguirem em frente e passarem de um lado para outro. Eu chorei várias vezes e reclamava muito para eles. Aquilo, para mim, é uma terrível crueldade. Eles fazem aquilo por hobby e judiam muito dos bois e bezerros. O mais engraçado foi que eu ficava ali, no cercado, e um dia um mocinho estava passando os bois de um lado para o outro quando de repente, bem na minha frente, ele deu um choque em um bezerrinho. Eu dei um super berro e não foi proposital, simplesmente saiu. Eu já estava tão puta com aquilo tudo que comecei a chorar de raiva ao mesmo tempo. O moço levou um super susto e me perguntou se tinha acontecido alguma coisa. Eu disse pra ele que os animais já sofriam tanto dentro da pista sendo laçados, que era absolutamente desnecessário ele dar choque nos coitados simplesmente para eles andarem. Ele ficou tão chocado com a minha atitude que a partir de então, começou a tocar os bois e bezerros com um saquinho de pão ao invés de dar choque e ele me disse: -olha moça, por você, porque você chora de ver eles sofrer, eu parei de dar o choque neles. Eu tô tocando com um saco de pão. - Nem preciso dizer o quanto isso me deixou feliz. Pelo menos o choque eu conseguira aliviar.
Fiz amizade com um potrinho. Todos os dias eu ía lá conversar com ele e quando eu chegava, mesmo que ele estivesse de costas, ele ouvia minha voz, se virava, e colocava parte da cabeça pra fora pra eu fazer carinho. Conversei tanto com aquele potrinho. Percebi que ele tinha um "defeitinho" na pálpebra direita. Se eu pudesse, comprava ele só pra ficar conversando comigo. Ele era tão meigo, tão carinhosinho. Uma fofura.
Esse post está enorme, mas escrevo pra mim mesma. Quero me lembrar dessas coisas. Essa convivência com os animais deixou meu coração mais mole ainda. Cada dia eu chorava por alguma coisa. Chorava sozinha, geralmente conversando com o potrinho; vendo os bois sofrer debaixo dos óculos de sol ou com as crianças e catadores de recicláveis que passavam por lá em meio àquela gente rica. Uns com tanto, outros com nada. Aquilo me quebrou o coração e às vezes, enquanto eu conversava com o potrinho, eu falava sobre as desigualdades, sobre os pezinhos encardidos daquelas crianças, sobre os velhinhos que deveriam estar descansando em suas casas nessa idade e que estavam ali, pegando latinhas embaixo do sol quente para garantir o mínimo que necessitavam. São por essas e outras coisas que eu sou do jeito que sou. Prefiro ser emotiva e panachona do que ter um coração duro. Não tenho vergonha de chorar nem de dizer o que penso quando quero falar. É assim que sou, esse é meu jeito e não vou mais me reprimir nem me cobrar por isso. Nesses dias de estágio eu vi que sou boa no que faço e que faço bem feito. Não estou sendo pedante, mas creio que às vezes, justamente por causa desse meu jeitinho transparente e amigável de ser, é que eu consiga crescer profissionalmente. Quero que as pessoas conversem comigo de igual pra igual. Quero ser sempre a Paula e não a jornalista. A jornalista perde a essência e a mecanização de falas e fatos é o que menos quero. Gosto de ouvir histórias, de sentir emoções e de pensar que quando contamos algo, somos nós ali. As palavras criam vida, formam um enredo e esse enredo não tem classe, não tem idade, não tem cor. Histórias sempre serão histórias e o que as torna diferente é a maneira de contá-las. Uma história sem sentimento é como um pássaro sem asas. Interprete como quiser.
Por essa semana, meu coração está mole, a pele marcada, os olhos prontos a derramar lágrimas a qualquer instante, mas não me importo. Meu crescimento é cada vez maior e a cada dia que passa, me sinto alguém melhor. Ao menos nessa esfera...

quinta-feira, 17 de julho de 2008

Eu me nego

Quando adentrei sua sala, meus olhos logo começaram a lacrimejar. Ele me lê pela pele e me compreende de uma forma bem peculiar.
- Ê minha meninona! O que foi? - ele se levantou e me deu um abraço. Eu chorei.
Ele me olhou, tocou minha pele e viu as várias marcas, os vergões e vermelhidões por todo o corpo. Minhas mãos estavam de um jeito nunca vistos antes. O pior de tudo, é que além de estar feio, doía.
- O que foi que abalou seu coração dessa forma? O que vejo aí não são apenas angústias. Algo realmente mexeu com você. - Me fitava com os olhos esperando uma resposta.
Eu disse a ele como me sentia, o que estava me incomodando e chorei mais. O choro parecia não querer parar nunca. Minha pele pulsava e o sal das lágrimas queimava ainda mais a pele de meu rosto. Eu queria dizer a ele o que estava mexendo tanto comigo, mas não conseguia. Como falar de algo que eu não aceito? Que renego? Mas eu sabia que aquilo estava desencadeando várias outras coisas e por isso me encontrava daquela maneira. Na verdade, ainda me encontro.
Nesse período de reflexão, percebi que muitas fichas caíram e sinto que antes, o que achava ser necessário, vejo que é absolutamente descartável. Hoje quero viver em paz com meu silêncio e creio que essa é uma das maiores dificuldades para mim, mas nada que o tempo não faça e não há nada que a gente não aprenda.
Continuo negando, a pele continua marcada, gritando pelos poros aquilo que eu não quero aceitar. Não sei ao certo como me sinto. Tenho um certo medo bobo, mas creio que minha fase adulta, mesmo em meio à tantas crises, chegou pra ficar.

quarta-feira, 16 de julho de 2008

Fragmento de um sonho

Embaixo de uma árvore
Sinto o vento tocar minha face
Meus cabelos dançam envolvidos em seu toque
Assim como minhas mãos dançavam e deslizavam entre as suas
Uma sensação quase que inexplicável
Assim como o olhar dos olhos que vezes parecem me compreender,
Vezes parecem me intrigar
E eu me envolvo nesses sonhos,
Como se virasse poeira cósmica cintilante
Porque do teu semblante,
O que eu mais guardo é o teu olhar.

terça-feira, 15 de julho de 2008

Dois de carne, por favor

Enfrento minha primeira real experiência como jornalista trabalhando para alguém. Eu e mais dois colegas de curso fomos contratados por uma assessoria para fazer a cobertura de um evento nacional de cavalos quarto de milha aqui em Bauru. Estamos trabalhando desde o final de semana passado e seguimos até sábado agora. A experiência está sendo muito válida. Como entrevistamos dezenas de pessoas diariamente, aprendemos a lidar com uma infinidade de situações que não aprendemos na faculdade.
Mas deixando o estágio de lado, vamos falar do que realmente me incomoda.
O evento acontece no Recinto Mello Moraes, que está localizado nas proximidades de bairros carentes da cidade. Catadores de latinhas, engraxates, pedintes e crianças transitam pelo local diariamente em busca de uns trocados.
O que vejo lá, todos os dias, são coisas que vejo todos os outros dias de minha vida, mas desta vez, a realidade nunca fora tão contrastante.
Todos os dias entrevisto fazendeiros, agroboys, cowboys...chame-os como quiser. Os cavalos que montam valem uma fortuna e a grande maioria deles possui mais do que dez animais. Os competidores ganham prêmios em dinheiro, às vezes carros, motos e assim vai. São pessoas muito ricas e não consigo nem calcular o montante financeiro que circula em um evento como esse.
As botas de avestruz custam no mínimo trezentos reais; a alimentação mensal de um cavalo gira em torno de trezentos a quinhentos reais; o treinamento vai de seiscentos a mil e tantos e o sêmen de um desses campeões vale no mínimo cinco mil reais.
Uma das coisas que me deixou particularmente brava, era o valor dos comes e bebes no recinto. Como estamos trabalhando o dia inteiro, temos que fazer uma boquinha por lá mesmo. Tudo é muito caro porque os comerciantes já sabem qual o perfil do público, então, não se surpreenda se tiver que pagar sete reais por pão, carne e queijo.
Hoje, enquanto eu comia meu salgado e reclamava para mim mesma o absurdo de pagar três reais por ele, uma cena me chamou a atenção. Chegaram dois meninos bem pequenos, sujos e maltrapilhos, com os pés e roupas muito encardidas. Eram parecidos, provavelmente irmãos. Logo atrás deles, um homem: bem vestido, boa pinta e com um sorriso no rosto.
- Boa tarde! - ele me disse.
- Boa tarde! - eu respondi e sorri.
Fiquei observando o que os menininhos estavam fazendo ali. Eu olhava para eles e pensava que puxa, eu ali, ingrata, reclamando do preço do salgado que sim, está caro, mas que graças a Deus eu tinha a chance de poder comprar e comer, e aqueles meninos ali nem isso podiam fazer. Eles ficavam apenas "namorando" a estufa. Meu coração se contorceu de tal forma que comecei a chorar imediatamente. Ando meio chorona, mas aquilo realmente me chocou. Eu olhei a minha volta e vi pessoas que têm muito, mas muito dinheiro mesmo e aqueles meninos estavam ali, e nem três reais para comer eles tinham.
O homem. Voltemos ao homem.
Enquanto eu tentava disfarçar as lágrimas, percebi que ele conversava com o dono da lanchonete em que eu estava. De repente, vejo os menininhos pulando e sorrindo.
- Você quer qual salgado? - perguntou o dono da lanchonete.
- Esse é de quê?
- É de carne.
- Então eu quero esse e ele também!
- Muito bem. Dois de carne então.
O homem gentilmente brincou com os meninos:
- Não contem para ninguém que eu comprei esse lanchinho pra vocês porque eu não sou rico como esse pessoal aí não, hein!
Ele olhou pra mim novamente, sorriu e voltou para seu local de trabalho.
Fiquei ali, sentanda uns minutos, perplexa, pensando em como este mundo é do avesso. Vemos essa situação todos os dias, mas eu precisei vê-la em contrastes mais claros para conseguir me lembrar que às vezes não fazemos nada pelo próximo e ainda reclamamos do que temos. O nosso pouco pode ser o muito de muitas dessas crianças por aí. Eles apenas queriam comer e comida é algo que não deveria faltar a nenhum ser humano.
A visão dos olhos deles brilhando ao abocanhar o salgado é algo que vai ficar na lembrança...definitivamente.

sábado, 12 de julho de 2008

Rédeas

Quando estou ali, me esqueço de quem sou e mergulho em seu universo.
Em meio aos cavalos, uma busca por sua essência
O que enxerga aquele olhar doce e manso?
Não os machuque, não os assuste.
Meu coração pulsa de dó a cada chibatada.
Não me machuque, não me assuste.
Uma pergunta nova a cada rodada.
Sinto-me como os cavalos:
Domada e treinada para pensar como eles querem que eu pense
Cansei de viver nesta categoria e finalmente entendi
Esta é a hora de abandonar as rédeas
E galopar livre por aí.

sexta-feira, 11 de julho de 2008

O pânico

O que está acontecendo comigo? Não sei se escrevo ou se choro. Mal consigo enxergar as letras no teclado, mas preciso escrever porque de certa forma, as palavras parecem ser minhas amigas.
Me sinto no fundo do poço e sinto que não sei mais o que fazer. Toda noite é a mesma coisa: um ritual de reflexão seguido de muito choro que dói, dói, dói tanto e parece não passar nunca. Me olho no espelho e tento enxergar dentro de mim mesma porque não sei o que exatamente me aflige tanto assim, só sei que está insuportável e eu quero que pare.
Chora, menina...
Soluça....
Se despeja...
Por quê tanta aflição?
De onde sai tanta angústia?
O que acontece com você, me explique...
Eu sei que dói, dói, dói muito e eu não tenho mais forças pra fazer parar.
Eu gastei todas as minhas forças com coisas e pessoas que não valiam a pena. Não quero coisas sazonais, quero coisas que permaneçam, que me edifiquem.
Traços de lápis na mão, rímel escorrido na face.
Chora, palhaça...
Chora porque teu riso é triste, assim como o brilho opaco que tenta sair dos teus olhos.

quinta-feira, 10 de julho de 2008

Conversas espelhadas

Quando tudo o que eu te digo, é na verdade, coisas que talvez eu tenha que dizer pra mim mesma.

Estava lendo um blog, o Haute Intimitè - que é muito bom por sinal, e li algo que me abalou completamente. É da francesa Anaïs Nin, provavelmente parte do texto que inspirou o filme Henry &June.
"E você...ora, você coloca as coisas com tanta clareza para mim...tão cristalinas...que parecem simples e verdadeiras. Você é tão terrívelmente esperta, tão inteligente. Desconfio de sua inteligência. Você faz um tipo maravilhoso, tudo está em seu lugar, parece claro, claro demais. E nesse meio-tempo, onde está você? Não na superfície clara de suas idéias, mas já mergulhou mais profundamente, para regiões mais escuras, de forma que se pensa apenas que se recebeu todos os seus pensamentos, imagina-se apenas que você se esvaziou naquela claridade. Mas há camadas e camadas... você não tem fundo, é impenetrável. Sua claridade é ilusória.
(...)
Fiquei docemente adormecida por alguns séculos, e estou em erupção sem avisar. A dureza em mim, uma quantidade inextinguível, lentamente se acumulou através dos esforços que fiz para subjugar a voracidade do meu ego." (in Henry & June, 1932)

Le Café

Duas almas se sentam em uma mesa de café.
- Dois chocolates quentes, por favor.
Aquilo era só o início de algo que, na verdade, já havia começado. Era possível ver o avesso dos dois. Na verdade, só não enxerga além do visível quem não quer porque não lhe convém. Havia uma enxurrada de palavras a serem faladas; várias dúvidas a serem solucionadas e um medo que não queria ser revelado.

E foi o tudo.

O que já havia começado foi um parto. Nunca imaginei que conseguiria dizer as coisas que queria. Foi como se a cada frase, um elefante saísse caminhando de dentro de mim com umas toneladas a menos. Dizer o que sentia me fez bem, principalmente porque me fez desaguar e me deu uma certa sensação de limpeza interna. Algumas convivências são diferentes e especiais em seu próprio modo. Essa, em particular, me faz “parir” uma sensação nova com certa freqüência e ao mesmo tempo que isso é muito bom, me faz conviver com os fantasmas que não me deixam. Incrível como descobrimos que não conhecemos muito da gente e quando pensamos que estamos entendendo algo, é apenas o início do quebra-cabeças.

Voltemos ao café.

As palavras saíram sem dificuldade alguma, pois quando se está com alguém em quem se confia, a franqueza reina. Há algo de muito doce no olhar dele, uma captação realmente parabólica para absorver os dilemas despejados ali. Dúvidas, medos, incertezas e talvez uma gota de esperança. Otimismo não é uma qualidade necessariamente nossa, embora deva admitir que gostaríamos de tê-la. É, na teoria tudo parece menos complicado, porque simples nunca é. Ele me ouviu, me aconselhou e expôs o que realmente pensava. Um simples gesto me fez entender muita coisa. Como eu não havia pensado nisso? A grande verdade é que às vezes me menosprezo de tal forma que não consigo enxergar o que está bem claro ali, na minha frente. Quando achamos que não queremos mais uma coisa, basta que alguém a deseje para que o sentimento de posse retorne. Pois é, aquilo não te pertence. Mesmo!
Ele havia sacado o lance em apenas algumas palavras e nunca vou esquecer aquele gesto numa mesa de canto daquele café. Ele foi bem na mira e teve olhos pra enxergar o que eu não via. Certeza não há, mas que parece ser, parece! Talvez as pessoas não se sintam assim, tão grandiosas como achamos que elas sejam. Talvez sejam apenas marionetes delas mesmas.
Ele se despiu. Sua alma ficou tão clara e nítida que podia reluzir. O enxerguei de uma forma que nunca havia enxergado. Ele trouxe à tona tudo o que mais o afligia e foi quase como se ouvisse os fantasmas cochichando em seu ouvido. Uma sensação de querer fazer algo para limpar toda aquela história e não deixar marcas em alguém que não merecia ter passado por tanta dor. Uma pessoa que te faz querer falar por horas, que não apenas escuta, mas ouve; que partilha com você a opinião mais sincera e verdadeira que possa te oferecer, alguém simplesmente muito fácil de amar, seja em que aspecto for. Pude ver que ele estava revirado e que muitas feridas ainda permaneciam em seu âmago. Realmente, acho que apenas o tempo irá curar o que agora parece não ter cura.
No futuro, pode ser que ainda haja alguma cicatriz, mas não tenho dúvidas de que alguém muito melhor trará os curativos certos para que tudo sare da melhor maneira possível e na verdade, uma alma sem cicatriz é uma alma sem histórias para contar e eu espero, de verdade, que muitas mesas de café sejam cúmplices do muito que ainda está por vir.

segunda-feira, 7 de julho de 2008

In their shoes

Às vezes eu fico assim, jururu, pensando que a grama do vizinho sempre é mais verde e tentando entender porque tudo na minha vida parece ser tão difícil. Nada simplesmente vem, cai do céu ou acontece porque pra cada coisa que eu consigo, ou consegui, eu tenho uma cicatriz e uma história pra contar. Tudo bem, talvez você ache que assim é bem mais legal e que estou reclamando de barriga cheia, mas não é bem assim mesmo. Tudo sempre foi muito difícil, com muita luta e muito esforço. Nunca consegui nada por acaso e às vezes isso me cansa muito.
Ter que provar quem você é e o seu valor pras pessoas a sua volta já pe cansativo, imagine o resto. Assistindo a esses seriados que não deixam de ser babacas, eu me entupo ainda mais de sonhos e frustrações daquilo que nunca fui e que talvez nunca seja. Eu me pego pensando como será que é ter a vida de uma Lauren Conrad, por exemplo, porque se eu fosse ela, eu acho sinceramente que teria conseguido ainda mais. Uma menina dessas nasceu com a "bunda virada pra lua" como dizem por aí. Natural da Califórnia, família rica, bonita, com a MTV fazendo de sua vida um reality show e ainda por cima, consegue um estágio na Teen Vogue. O que mais ela pode querer?
Eu queria que essa sensação de que meu lugar não é aqui passasse. Me sinto assim há muito, muito tempo e a conexão que tenho com os Estados Unidos é inexplicável. Lá eu me sinto em casa, por incrível que pareça. Então, eu fico vendo esses seriados e viajando na maionese feito uma tonta. Eu sei que vou ter que dar a cara a tapa novamente, que vou ter que me preparar e correr a maratona pela terceira vez e que isso vai levar ainda mais tempo, mas eu espero, sinceramente, que dessa vez eu consiga o que venho tentando há tantos anos porque acredite, uma hora, tudo cansa.
Sabe o que eu queria? Eu queria ser americana, loira, de olhos claros, bem magrinha, daquelas que come o dia inteiro e não engorda uma grama e ainda emagrece se passa nervoso; queria ter uma família rica, uma mercedes conversível, várias bolsas de grife, uma gaveta com pelo menos 20 óculos de sol de marca gigantescos, um closet abarrotado de roupas do tamanho do meu quarto atual e todas size 4, uma parede com mais de 100 pares de sapatos, toda a maquiagem do mundo que eu amo, mais de 50 vidros de perfumes e muitos cremes, uma banheira gigantesca pra eu poder relaxar; queria ter todos os caras mais populares no meu pé e poder dispensar todos porque no momento "eu estaria de boa"; ir pra faculdade na UCLA; morar em Hollywood e passar as férias em Miami Beach e agir como se eu fosse realmente a única bolacha do pacote. Tudo isso por um final de semana. Sabe por quê? Só pra saber se elas são tão felizes quando eu penso ou pra ver se minha vida é tão patética quanto eu acho que é. Aí, então, talvez eu entendesse a matemática da vida e me conformasse.

domingo, 6 de julho de 2008

Indignação

Ainda me sinto um tanto chocada com a frase que ouvi há pouco Michelle Pfeifer dizer em um filme: "Beleza supera caráter". Bem, na verdade, ela se referia ao mundo de hoje, à sociedade em que vivemos e nunca algo dito assim, tão naturalmente em um filme me chocou tanto. O pior é que é verdade, não a minha verdade, mas a verdade das pessoas. Beleza não só supera caráter como supera competência, em alguns casos.
Que mundo podre. Isso me enoja!
Enfim, nem estou a fim de filosofar agora, mas ouvir uma frase brutal dessas em filme água com açúcar é dose! E depois tentam dizer que beleza não é tudo. Na verdade, o que a sociedade faz, é manipular pessoas para que elas acreditem que beleza é tudo e se sintam um lixo, assim eles atingem sua meta capitalista de lucro em cima de indivíduos que buscam um padrão de beleza inatingível.
O mais triste disso tudo? Eu faço parte desse círculo patético vicioso porque não consigo acreditar que nos dias de hoje alguém consiga enxergar além do que é visível aos olhos.
Argh...que nojo!

sexta-feira, 4 de julho de 2008

Bobeirinhas

Um dia eu quero amar de novo, amar de verdade. Quero ficar espiando-o com o cantinho dos meus olhos achando que ele não está vendo; quero perder o rumo quando ele passar perto de mim e o cheiro de seu perfume ficar no ar...quero me enrolar toda na frase que for falar e de repente falar uma baboseira qualquer que o faça rir; quero ficar vermelha feito uma boneca russa e tentar fingir que meus olhos não estão brilhando enquanto olho pra ele.
Há muito tempo que já não sei mais o que é isso e não me sinto pronta para vivenciar essas coisas novamente, pelo menos não agora. Um dia, quem sabe.
Quero poder me sentar ao seu lado na cama e enquanto ele lê Dante, eu leio qualquer ficção que me aqueça o coração e aí, de repente, ele me cutuca e tira sarro do meu romantismo barato...mas depois, nada disso importa porque no final acabamos filosofando sobre Dostoiévski de qualquer forma. Ahhh...acorda, Paula! Além de encontrar um cara você ainda quer encontrar um cara que leia Dante na cama ao seu lado e depois filosofe nas idéias de Fiodor?? É quase como dizer que Brad Pitt vai se separar de Angelina Jolie pra ficar com você! Hahaha...mas que bom senso de humor, não é mesmo? Enfim, post é meu, o homem é meu e o idealizo como quiser nesse momento.
Ele vai ser culto com um senso de humor ótimo, já que o meu não é tão bom assim; vai ter mãos firmes, o abraço mais aconchegante do planeta e olhos caridosos; a voz, grave, de preferência. Vai gostar de crianças e quando brincar com elas, vai me deixar imaginando que tipo de pai ele seria; vai dizer que alguma comida que eu faço é a melhor do mundo e nos dias complicados de trabalho, vai me ligar com voz de pidoncho e pedir pra eu fazer o prato preferido dele e aos finais de semana, quero receber sua família, ou seu melhor amigo pra jantar e me sentir feliz por simplesmente estar ali, fazendo algo simples que me dê tanta alegria.
Quero alguém que me aceite assim, com minhas manias, minha chatice, meus sistemas e minha risada histérica; alguém que ao invés de me perguntar que raios aconteceu com a minha pele, entenda que algo me abalou e ao invés de dizer que tudo está feio e pedir pra eu parar de me coçar, se ofereça pra me ouvir ou ao menos me dê o tubo de pomada com um olhar de quem diz que "logo vai passar".
Quero ter uma banheira, dessas simples, de louça mesmo, pra poder chegar em casa do trabalho, acender velas, abrir um vinho ou champagne - pode ser do barato mesmo - colocar uma música bem relaxante e descansar, relaxar e viajar na maionese e depois, me lambuzar de creme e de perfume pro meu cheiro ficar grudado na pele dele.
Imaginar todas essas coisas é muito bom e sei lá, escrever sobre elas também é porque espero que um dia essas coisas simplesmente aconteçam. O cara não precisa necessariamente ler Dante, mas se leitura for um de seus gostos, já ficarei feliz.
Na verdade, quero coisas simples, corriqueiras, que simplesmente me façam ter vontade de querer mais a cada dia e que a cada dia, ele cresça comigo e que juntos a gente possa construir uma história.
E enquanto nada disso vem, eu fico aqui, sonhando no meu cantinho...

In my shoes

Eu fui, mudei, escrevi.
Achei pesado demais, tirei e excluí, como se tirando daqui fosse tirar também de dentro de mim. I wish!
Porque se você calçasse os meus sapatos, saberia como é estar em meu lugar.
Capiche?