sexta-feira, 25 de julho de 2008

Interno e externo

Desta vez, e acho que pela primeira vez, ele não acertou. O homem que eu tanto "idolizei" pelos últimos cinco anos, que sempre fazia coisas geniais e dava um jeito de ao menos tentar melhorar o pouco que tenho, errou. Creio que o erro foi meu de achar que ficaria exatamente igual ao da última vez. Ele repicara o meu cabelo curto demais na parte da frente e me deixou com a estima mais lá no pé do que já é.
Cabelo é praticamente tudo para uma mulher e se eu for essa mulher, então, meu amigo, eu diria que cabelo é tudo mesmo. Como se já não bastassem os meus problemas todos com imagem, eu fui abençoada com uma doença crônica que é praticamente degenerativa e adivinhem onde? Sim, no cabelo! O meu cabelo tem problema e ele nunca mais poderá ser do jeito que eu gostaria que ele fosse. Comerciais de xampú, anúncios de tintura, capas da revista Nova...todas aquelas mulheres com aqueles cabelos que mais parecem irreais me frustram porque sei que o meu nunca poderá chegar perto de se parecer com aquilo.
Tudo bem. Eu sei que cabelo cresce, até o meu que demora 3x mais pra crescer do que o de qualquer outro ser humano, mas agora a ida ao espelho é mais dolorosa ainda. Senti que o mínimo de dignidade na aparência que me restava foi tirada. Sim, drama, drama, drama.
É assim que me sinto.
Estou cansada de ser bombardeada a todo momento por essa mídia doentia que vive às custas de uma sociedade capitalista que não tem mais sentimentos e se auto-flagela às custas de uma imagem que é irreal para 90% das pessoas. Até quando será assim? Não quero colocar toda a culpa na sociedade porque eu tenho um problema comigo mesma. Eu aceito aparências diversas porque por mais insano que seja, as aparências alheias não me importam muito. O meu problema é comigo mesma, é a guerra que travo com meu espelho. Eu me cobro demais, me analiso demais e me puno demais. Na minha cabeça, tudo gira em torno do corpo e venho descobrindo que isso tem forte ligação com meu pânico de morte. Corpo, boneca, alma.
Sabe, eu quero acreditar que ainda existem pessoas que enxergam além do que os olhos da carne podem ver. Por mais que eu tente mudar e realmente me esforce para isso, a grande verdade é que eu não sei se mudarei. O meu corpo briga comigo. Ele me enfrenta e às vezes fico pensando que esse é o karma da minha vida, se karma realmente existir. O mais estranho de tudo é que como disse acima, o meu problema se dá apenas com minha própria imagem. A dos outros pouco me importa. Quando gosto de alguém, por exemplo, eu mal enxergo a pessoa. Não sei...não sou ligada em caras sarados, ou bundudos, ou com barriga assim ou assado. Dane-se. Eu gosto de duas coisas que os olhos da carne não podem ver: caráter e cérebro. Pronto. Simples assim. E será que existe alguém que também enxergue como eu?
Nos dias de hoje, na convivência com meus colegas, percebo o quanto a aparência é importante pra eles e quase sempre acho que tudo está perdido. A maioria, até mesmo aqueles mais inteligentes que você acha que são diferentes da maioria, estão com o olhar fixado nas belezas da carne. Sinceramente, prefiro morrer gorda, enrugada e velha do que saber que um dia alguém me escolheu simplesmente pela aparência que eu tinha na minha juventude, por exemplo. Não quero isso pra mim. Mesmo! Por mais idiota que eu seja, aos 25 anos, eu ainda acredito no amor bobo, sem interesses, que simplesmente aconteceu e é esse que quero. Se for pra ser diferente, prefiro não amar. Hoje estou aprendendo que ser sozinha é uma das possibilidades que posso enfrentar no futuro. Não há garantias de que eu vá me casar ou conhecer o tal cara decente com olhos especiais como gostaria. Tudo é incerto.
Acho que tenho tanto medo de me envolver novamente que fechei meu coração porque eu realmente saí dessa fase em que meus "amigos" se encontram. Não quero mais pegadas em festa, transas casuais e situações que apenas me tragam prazer momentâneo e depois façam com que eu me sinta um lixo. Não vale a pena. Só quero beijar alguém novamente quando sentir que meus joelhos bambeiam, que meus olhos brilham, que minha bochecha fica vermelha e que eu corro o risco de falar qualquer abobrinha tentando parecer ser legal. Nessas férias, sinto que virei adulta de verdade e essas coisas já não me importam mais. Não falo mais de sexo, não quero mais locutar o Zona Erógena e não vou ficar por ficar. Já aproveitei o que precisava e o vazio que sentia, nunca mudou perante nenhuma dessas circunstâncias. Agora, quero ficar quieta, no meu cantinho, falando pouco e apenas o necessário; com poucos, mas bons amigos e sabendo que não faço parte do mundo deles. Eles, de certa forma, ainda estão na adolescência. Eu encarei minha fase adulta e resolvi me portar como uma.
Sei que continuarei brigando com o espelho, xingando a sociedade, os padrões de beleza, os homens que se portam feito animais e mulheres que se portam feito vadias, mas sei também que os meus olhos continuarão buscando por olhos que enxerguem além do visível. Porque olhar é fácil, mas transcender é para poucos.

1 comentários:

Anônimo disse...

você sabe que pra mim você é pra sempre
pra tudo o que precisar
vc aceita uma amiga adolescente? =)