quarta-feira, 22 de setembro de 2010

I don't know what to do with myself

O que fazer quando nem você mesma consegue diagnosticar um problema? Eu sinto uma melancolia tão profunda que a única vontade que tenho tido nesses últimos dias é me trancar em um quarto escuro, ouvir música triste e chorar...mas chorar muito pra ver se eu limpo de dentro de mim tudo aquilo que anda me corroendo. O problema é que eu não sei exatamente o que me corrói e não saber o que fazer, não ter controle da situação é absolutamente amedrontador para mim.

Hoje eu dei um tiro bem grande em meu próprio pé. Eu sei. Foi meu mecanismo de auto-sabotagem agindo, mas o pior de tudo foi só ter percebido isso depois que o episódio aconteceu. Eu nunca consigo evitar o problema. Sempre me dilacero depois porque permiti que ele acontecesse. Eu sou um verdadeiro monstro comigo mesma. Essa é a mais pura verdade. Já tenho várias tendências depressivas e minhas ações só me trarão conseqüências muito piores do que as que eu já imaginava. Talvez eu tenha posto tudo a perder. Talvez tudo já estivesse perdido mesmo. Para se perder algo, antes devemos ganhá-lo. Eu nunca ganhei.

Eu não sei o que anda acontecendo comigo. Tenho sentido coisas estranhas e minha mente está muito conturbada. Acho que a transição está mexendo demais comigo e levantando medo e coisas que talvez eu ainda não tenha enfrentado. É o medo de ser adulta, de ter que dar conta de toda a minha vida agora, não sei. Acho que isso é boa parte do problema, mas não tenho certeza. Eu não estou bem e já percebo que todos os meus sintomas depressivos estão vindo à tona novamente. Talvez seja hora de procurar ajuda, não só de terapia, mas de um médico, talvez. Me sinto muito, mas muito fraca. Como se alguém fosse relar em mim e eu já fosse despencar. Não sei o que fazer. Não sinto que tenho a quem recorrer. Quem me acodia no passado hoje já não me acode mais e não entende determinadas coisas.

Eu tenho pedido tanto socorro, tanto. Não sei mais o que fazer e eu já fiz tanta besteira nesses últimos tempos que até de Deus tenho me escondido porque acho que Ele não quer mais me ouvir. Eu sei que isso é mentira, mas parece que não consigo crer no contrário. Eu to tão mal e vulnerável que quero me esconder de mim mesma porque sou eu quem trouxe isso tudo pra si própria. Eu é que não consegui controlar meus ímpetos e ocasionei situações ruins e constrangedoras pra mim mesma. Tô me sentindo uma desequilibrada, uma louca – e na verdade tudo o que eu precisava era de um pouco de colo, afeto e compreensão. Será que é tão difícil de conseguir essas coisas hoje em dia? Acho que sim.

Hoje meu colega de trabalho me disse que sempre que ele olha pra mim, tem uma visão triste de minha pessoa, que eu ando sempre muito baixoastral. É verdade. Eu tenho estado completamente apagada, oca, vazia – me sinto uma ridícula que nunca vai conseguir as pequenas coisas que quer da vida. Ô maldito pessimismo. Mas é, eu já sonhei tanto e quebrei tanto a cara que ultimamente só consigo ser melancólica e meu eu depressivo já dominou o pedaço. Não sei o que vai acontecer comigo se eu continuar assim. Vidinha sem sentido essa minha...não, não estou falando em suicídio porque jamais faria uma coisa dessas, mas só não entendo o propósito de eu estar aqui, de eu existir. É uma vida tão sei lá...ai eu me vejo dizendo isso e começo a me punir por ser tão ingrata. Vai entender.

Queria meu vô agora pra me dar colo. Pronto. Falou a palavrinha mágica e eu comecei a chorar...

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Bigfingers strike again

Aaaaaaai, cala a boca, menina!
Será que é preciso escrever pra você dizer isso a si própria? Você fala demais, faça-me o favor. Sabe o que você faz? Você assusta as pessoas.
Booooooo! Fantasminha...
Se você não se controlar, ficará rodeada por fantasmas, aqueles que irão te assolar a vida inteira.

Você não é normal, Paula, então ao menos tente fingir que é. Ninguém gosta de muita transparência e ai você vai, com os seus dedos que falam mais que a sua língua e fala um monte de coisas que deveria manter em silêncio.

Cresça e aprenda que a vida não é um filme e o príncipe encantado não vai bater na sua porta e você não vai virar uma supermodelo e nem sair voando por penhascos resgatando crianças em perigo.

Humpf!

sexta-feira, 21 de maio de 2010

Alguma coisa acontece em meu coração

Tantas vezes já senti este mesmo exato sentimento. Esta formiguinha fagulhante que parece andar a passos miúdos em cima de meu coração. É pequena demais para causar um grande estrago, mas é grande demais para não ser notada. Assim como tantas outras vezes, parece que dentro de mim eu sei que isso não vai dar em nada, mas a dúvida, neste momento é: será que realmente não vai dar em nada ou será que não quero me desprender desse fio de esperança que, de alguma forma, faz com que eu me sinta mais viva?

Sabe, eu queria tanto que você olhasse pra mim e entendesse que as coisas que lhe digo são sinceras e verdadeiras. Eu não minto e não sou de jogar. Aliás, odeio esses joguinhos baratos de sedução que geralmente só deixam sequelas. Será que você não consegue enxergar o que realmente há em mim? Acho que na verdade você foge porque tem medo de viver uma situação nova. Geralmente temos medo do novo e talvez, para você, seja mais cômodo estar em uma situação em que não seja necessário arriscar-se, tentar, sofrer e acima de tudo, amar de verdade. Isso poderia ser comigo ou com qualquer outra, mas acho que você tem medo.

O que eu faço com todas as imagens que criei em minha mente? É meio que aquela coisa que dizia Drummond sobre a dor de não viver tudo aquilo que gostaríamos de ter vivido. É o cheiro, o tato, o olhar, o abraço, a palavra soprada...é como embalar um sonho invisível. Por que meu coração tem que ser assim, meio torto, acanhado e à moda antiga? Hein? Você vem com sua colherzinha mágica, chacoalha as substâncias dentro do pobre coitado, forma aquele turbilhão e deixa tudo lindo, uniforme e mágico, mas aos poucos a substância vai se decantando e o que antes tinha cor e sabor, vai se desfazendo.

Não quero que as substâncias mágicas que colocou em meu coração decantem. Salve-as!

Sou dona de uma mente inquieta, de olhos que vêem além do visível, de um coração que chora no silêncio da noite, de braços que pedem pelo seu calor e de uma mente que não consegue parar de imaginar o quanto seria bom te fazer feliz. Na pureza de um sonho, na simplicidade de uma palavra, no toque gentil de um dedo, no suave sopro de uma brisa num dia quente de verão...assim se resume a essência daquilo que sinto por você: a etérea leveza de amar.

terça-feira, 4 de maio de 2010

Castelos de areia

Incrível como sinto os sonhos e as ilusões escorrerem pelos vãos de meus dedos. Às vezes tenho a mais profunda sensação de que sou o ser mais instável do planeta. Quando penso que realmente quero uma coisa, a insegurança, alicerçada em meus complexos, parece vir com tudo e rapidamente aquele castelinho construído de areia na beira da praia se desfaz.
Estou me sentindo um caco, como se o inteiro de mim tivesse se despedaçado no chão com uma dura queda. Acho que às vezes sonho tão alto que de repente me deparo com meus cacos no chão e ai só me resta juntar os pedaços. Eu queria calar meus dedos e essa ansiedade que sinto em simplesmente tocar numa migalha. Até quando me alimentarei delas? Acho que no fundo penso não ser digna de ter o pão inteiro. Sei lá!
Até quando será que vai essa fase? Não ter alguém pra compartilhar minha vida é algo com que, de certa forma, já estou acostumada. Se um dia vier, maravilha, mas se não vier, não posso fazer nada a respeito, mas a vida profissional tem que deslanchar porque eu dependo dela pra viver, pra evoluir, pra ser alguém na sociedade.
Hoje me observei no espelho e me senti um nada. Como se fosse ridícula, indigna. Não vou nem entrar nesse tópico porque já cansei de falar dele e parece que a coisa é mais do que redundante. Eu só queria um pouquinho de paz e calma. Um pouquinho de porto seguro, um pouquinho de calor humano para não me sentir tão sozinha. Deus está comigo, é, eu sei, mas às vezes, infelizmente, precisamos dos humanos.
Eu estraguei tudo. Arruinei meu próprio plano. Como é que eu mesma posso me sabotar desse jeito? Agora nem dá pra começar do zero porque vai parecer que usei aquilo como pretexto e o pior é que usei mesmo. Por que eu não consigo simplesmente desligar minha cabeça? Estava tudo tão tranquilo até eu ter um súbito ataque de ansiedade.
Estou tendo aquela sensação de que isso não passou de mais um sonho meu que logo se desfará com o vento. Bem que desta vez eu realmente podia estar errada...

segunda-feira, 3 de maio de 2010

Encontros e desencontros

Um tempo de reflexão muito profunda é o que tenho vivenciado esses dias. As relações humanas são demasiadamente complexas, sendo que mesmo as coisas que podemos tornar simples parecemos complicar. Talvez propositalmente, talvez sem querer.
Às vezes acho que complico as coisas por medo de vivenciá-las e sofrer depois, mas tenho percebido que tenho compreendido melhor alguns aspectos que antes não compreendia e isso tem me trazido para mais perto da fronteira com meu medo. Acho que muito em breve serei capaz de atravessá-la e a partir desse momento, tudo será novo e surpreendente porque tenho que aprender a correr os riscos de viver algo de verdade, intenso, com crises, dores, sorrisos, cumplicidades e aprendizado.
Todo indivíduo tem, dentro de si, um esconderijo onde seus pequenos prazeres, medos, inseguranças e vulnerabilidades se encontram. Dentro de minha cabeça se passam mínimos detalhes daquilo que quero viver. Sonhos, devaneios e desejos - situações que permeiam na derme e entram diretamente na corrente sanguínea, se espalhando pelo meu corpo, fazendo arder em mim tudo aquilo que meu coração teme e almeja. De repente uma batida pulsante se transforma em algo frenético, louco e descontrolado que vezes se acalma e encontra acalento no embalo de palavras que proferem as mais doces melodias para meus ouvidos.
Não vou mais fugir das situações por simples medo. Vou quebrar agora essa corrente medrosa que me ata ao pessimismo e à complexidade de me sentir inferior do que aquilo que realmente sou. Vou agradecer o que estou sentindo agora porque isso faz com que me sinta viva; faz com que eu sinta meu sangue correr pelas veias e meu coração pulsar, palpitante a cada estímulo recebido. Chega de se proteger daquilo que é incerto. Apenas viva o momento e não pense no amanhã, pois o incerto é um mistério que só poderá ser desvendado quando os caminhos tiverem sido percorridos e a última pista tiver sido entregue.

Eu me entrego para mim mesma. Abro meu coração e digo: -viva isso e seja grata por sentir o que sente. Viva o hoje e não pense no amanhã. Sinta-se grata por poder sentir.

Sinto que uma transição muito grande está para acontecer. Quero virar a mesa, derrubar todas as cartas no chão, passar a mão em uma toalha felpuda limpa e dizer: vamos começar um novo jogo, do zero. Agora, dêem as cartas. Um novo baralho, novos jogadores, novas estratégias que poderão me levar à vitória ou a derrota, mas o importante é que ambas trarão aprendizado.
Tenho entrado mais em contato comigo mesma. Acho que estou de fato me tornando mais mulher e deixando a menina de lado. Isso faz parte da transição pela qual estou passando. A menina está abrindo caminho para a mulher desabrochar e acho que as coisas tendem a acontecer meio juntas. Quando uma acontecer, logo virá a outra. As coisas são assim. Parece que uma conquista chama a outra. Quero declarar para o universo que estou pronta para percorrer meu caminho e que as portas podem se abrir porque eu quero passar com a cabeça erguida, sentindo a brisa do vento bater em meus cabelos, exalando no ar aquele cheiro doce de mudança, de crescimento.
O que antes estava estagnado agora irá se mover. Eu declaro que não aceito derrotas, não aceito medos e inseguranças, mas aceito as oportunidades, os aprendizados e os desafios que receberei para aprender a enfrentar meus próprios fantasmas. Abro um sorriso e com passos firmes, sigo adiante porque o que passou já não importa mais. Faz parte de quem sou hoje, mas esta mulher atual é do presente e o presente é uma maravilhosa conquista diária que Deus nos dá.
Eu sou a co-autora de minha vida porque é meu Pai quem a escreve, mas para que Ele faça, eu tenho que querer, tenho que permitir porque Ele é gentil e não faz as coisas à força. Eu quero. Eu posso. Eu sei que sou capaz, por isso, finco meus pés firmes no chão confiante de que estou trilhando o caminho certo e de que meus medos não me impedirão de chegar onde quero: na simples felicidade de amar as pequenas coisas que fazem desta vida algo tão incrivelmente maravilhoso.
Meus sentimentos, minhas percepções, meus sonhos, devaneios e desejos estão soltos, flutuando etéreos na brisa que vem bem de lá do fundo do meu coração. Eu aceito, eu quero, eu posso e eu serei sim, feliz. Muito feliz.

Ouvindo Muse: Time is running out e Sing for absolution

segunda-feira, 5 de abril de 2010

A pergunta essencial

Hoje pensei sobre muitas coisas e acho que esta semana será um tempo de reflexão profunda. Sinto isso gritando bem forte em mim. Já é abril e ainda não consegui emprego e de repente, bem de lá do fundo, me veio aquela voz dizendo "você já perguntou pra Deus o que é que Ele quer que você faça?". Sabe que isso mexeu comigo. Não, eu não parei pra perguntar pro meu Pai o que Ele quer que eu faça. Eu simplesmente assumi que deveria fazer isso ou aquilo e fui em busca daquilo que eu julgava ser o melhor. Não sou daquelas que pergunta pra Deus se devo dar um passo pra esquerda ou pra direita, se devo respirar ou não. Não sou extremista assim, mas confesso que não perguntar a Deus o que é que Ele quer que eu faça com meu título de bacharel foi um erro.

Talvez você esteja se perguntando: mas de que adiantaria? Bem, eu creio que Deus nos dá a direção pra muita coisa. Às vezes Ele quer que tomemos uma decisão por nós mesmos porque temos o livre arbítrio, mas há muitas coisas que Ele pode nos responder e direcionar. Eu não perguntei se Ele quer que eu seja assessora de imprensa ou repórter ou produtora ou escritora ou qualquer outra coisa. Simplesmente assumi que isso ou aquilo seria melhor e mais legal e fui dando tiros para todos os lados e não acertei nenhum. Acho que é hora de parar, respirar fundo e pedir a direção Dele. Pai, o que é que o Senhor quer que eu faça? Onde é que o Senhor me quer? Como posso ser usada para manifestar sua glória? Como posso ser útil para o reino e como posso, de alguma forma, ajudar à outras pessoas que talvez necessitem da Tua presença?

Isso era o que estava faltando. Tenho certeza.

Uma das coisas que tem tocado meu coração é a vontade de escrever para mulheres. Hoje senti que Deus estava falando comigo sobre isso, sobre a minha cura poder acontecer quando eu estivesse buscando ajudar àquelas que passam pelas mesmas coisas que eu. Um dos maiores sonhos que tenho é de um dia escrever um livro, mas escrever um livro parece algo tão absurdo, difícil. Não saberia nem como começar. Tenho vontade de falar sobre mil coisas, mas escrever um livro é assim, muito sério, que precisa de muita estrutura, lógica, sequência, coerência...mil coisas. Mas eu sei que uma hora Deus irá me capacitar porque Ele mesmo já falou que eu escreveria livros e eu creio demais nessa palavra que recebi.

O que sei é decidi me aprofundar. Amanhã começarei um estudo e um tempo de aprofundamento e intimidade com Deus. Isso será muito importante para este momento que estou vivendo. Espero que o Senhor fale comigo e me dê direção daquilo que Ele quer para minha vida. A minha parte eu sei que estou fazendo porque não fico esperando as coisas caírem do céu, mas também não adianta nadar, nadar e nadar e morrer na praia. Quando a gente sabe a direção em que nadar, creio que a travessia fica muito mais fácil!


terça-feira, 23 de março de 2010

Cala-te, boca!

Tumulto emocional, dor de cabeça crônica, dúvida, medo e uma sensação de peso que parece não sair de minha mente e de meu coração. Tantas coisas pequenas aconteceram em um período de 24h e de repente me dou conta que as coisas pequenas é que às vezes, na verdade, fazem toda a diferença.

Por mais que meu coração esteja berrando de solidão e carência, a cada dia que passa eu percebo o quanto não estou pronta pra me envolver em um relacionamento sério. Mas será que existe um momento em que estamos prontos mesmo? Acho que não. No entanto, sinto que nunca estarei pronta porque caio sempre nos mesmos erros. Por que eu não aprendo? Por que?

Às vezes você idealiza uma situação e de repente acontece. Ai você vai e faz o que? Estraga tudo com sua boca gigantesca que despeja aquela diarréia verbal no ar e deixa à mostra todos os seus piores defeitos. Ou talvez nem sejam os piores defeitos. Talvez, se você não dissesse nada, os outros nem perceberiam, mas não. Você não só apenas diz como repete e enfatiza.

Shoot me!

Eu dei de bandeja. Como é que alguém pode pensar em se interessar por mim depois do meu discurso já formulado de defesa? Não, sério. Aquilo só pode ser um mecanismo de auto-sabotagem. Só pode. Eu podia ter falado sobre qualquer coisa. Poderia ter sido agradável, legal, interessante, demonstrado conteúdo. Mas não. Eu preferi falar do que mais me incomoda e ressaltar tudo aquilo que menos gosto em mim. Isso! Parabéns!

Conversando com um amigo entramos no lance de idealizar alguém. A gente tende a se colocar super pra baixo, num patamar inferior e colocamos aquela pessoa por quem nos interessamos num nível superior. Os nossos defeitos são sempre piores que os deles, se é que eles têm defeitos; nunca somos bonitos, inteligentes ou interessantes o suficiente e com isso a "perfeição" deles aumenta. O crucial nesta situação é que sabemos nossos defeitos, nossos podres, mas eles ainda são território desconhecido. Será que eles realmente são tudo aquilo que imaginamos? E se soubéssemos os podres deles tão claramente como sabemos os nossos?

Sinceramente, eu nem acho que essa pessoa seja tão perfeita assim porque tal coisa não existe, mas que eu me acho o cocô do cavalo do bandido em determinadas áreas comparada a ele, ai sim. Aqui é o meu canto e posso falar o que quiser, certo? Bem, no fundo, no fundo eu sei que isso tudo é um lance platônico que nunca daria certo. Acho que ele jamais se interessaria por uma pessoa como eu. Vai saber qual é o tipo dele, mas de boa mesmo....não acho que eu me encaixo na categoria e é até bom mesmo que eu não me encaixe porque acho que ele merece coisa bem melhor. Sério mesmo. Ele merece alguém menos esfolada do que eu, alguém menos "gasta" em vários aspectos. Eu estou toda quebrada, remendada e já fui usada. Ele merece uma garota nova. Não precisa ser em folha e também não estou falando de idade. Estou falando de experiência, de coração. O meu tá arrebentado e calejado.

Eu queria que tudo isso passasse. Será que ir embora não seria bom por um tempo? Será que fazendo aquilo que eu não quero fazer não seria a maneira mais dura de aprender o que eu estou custando a aprender? Eu queria que meu coração ficasse quieto, que a carência fosse embora e que eu não sentisse vontade de dar esse tipo de amor pra ninguém. Podia estar focada em outras coisas e esquecer que existe vida amorosa, sentimento e coisas assim. Seria bom me anular por um tempo. Tem alguma fórmula pra limpar um coração de resquícios amorosos? E o mais engraçado de tudo é que eu nunca imaginaria que pudesse me interessar por alguém que aparentemente é tão diferente de mim em tantos aspectos. Eu vivo me surpreendendo.

O meio disso tudo, porque é claro que ainda não cheguei ao final, é que deixei minha fraqueza me dominar e cedi. E é tão ruim se sentir assim. Cedi pra aquilo que gritava dentro de mim. Agora estou tentando entender as coisas e juntar os cacos. Tudo podia ser mais simples, mas não é. Enquanto eu não parar com isso, sei que as coisas vão continuar do mesmo jeito e eu vou continuar sozinha.

Sério mesmo. Não sei o que fazer. Vou ficar quietinha no meu cantinho que talvez seja a melhor coisa a fazer.

Ouvindo: Adele - Hometown Glory (fico enlouquecida com o solo de piano dessa música!)

domingo, 21 de março de 2010

Deus fala através dos Torments

É engraçado como Deus nos surpreende nos detalhes. Ontem foi aniversário de um amigo meu da igreja e à tarde recebi um e-mail dizendo que ele e a esposa iriam comemorar em determinado lugar da cidade e que quem quisesse ir deveria ligar para confirmar o horário. Liguei para eles e fui. Quando cheguei lá, estavam ele e a esposa e mais um casal. Não viria mais ninguém. Tudo bem, já estou acostumada a ser a solteira entre os casais e saio com eles numa boa...não me importo mesmo, ainda mais porque são pessoas fantásticas.

Comemos e depois fomos para um café. Adoro cafés, mas não a bebida café. ECA! Gosto do ambiente que parece trazer à tona intelectualidade, conversas inteligentes e boas risadas. Nos sentamos em uma mesa do lado de fora. A noite estava quente, mas havia uma brisa bem fresquinha que nos deixou animados. O clima de Bauru é realmente abafado.

Conversamos muitas coisas, mas em determinado momento acabamos falando de mim e de coisas que estavam se passando em minha vida. Compartilhei com meus amigos minha agonia de estar procurando emprego e não achar nada, de não querer sair da cidade para buscar uma oportunidade na capital e esse tipo de coisa. De repente, um amigo em particular fitou os olhos em mim e é como se ele nem piscasse. Ficou ali, me olhando...analisando cada palavra que saía de minha boca. Eu logo percebi que Deus o usaria para dizer coisas que eu precisava ouvir e de repente, BINGO!

- Por que você acha que Deus está permitindo que você passe por esta situação em particular? O que é que você tem que aprender? - ele perguntou sem tirar os olhos de mim.

- Bem, algumas coisas acho que já entendi, mas acho que ainda não sei o motivo principal de tudo isso. É difícil saber ao certo. Tenho alguns palpites...

- Quais são eles?

- Isso, isso e isso. - partilhei várias coisas com eles. Quando terminei, a esposa dele virou pra mim e disse: - nossa, Paula! Você tem um senso de responsabilidade muito grande. Grande até demais para uma pessoa da sua idade, eu diria. Você já parou para pensar que Deus pode estar tentando tratar isso em você? Você quer fazer tudo muito certo, não quer preocupar ninguém, quer cuidar de tudo, mas às vezes precisamos que alguém cuide de nós, que façam as coisas por nós. Como seria se hoje você fosse casada? Você aceitaria o dinheiro do seu marido? Aceitaria que ele comprasse coisas para você? Aceitaria depender totalmente dele? - ela soltou em um único suspiro.

- Humm...pensando bem, acho que não saberia lidar com isso. Sempre cuidei de minhas coisas. Sempre comprei o que era necessário para mim. Não suporto ficar pedindo coisas para minha mãe e com certeza não saberia depender totalmente de um marido hoje. Não conseguiria usar o cartão de crédito dele para ir ao shopping comprar um perfume e ficar de boa.

- Tá vendo! Deus pode estar tentando tratar esse senso de responsabilidade em você. Às vezes precisamos aprender a aceitar o que o outro nos oferece. Sua mãe é sua mãe e é claro que ela vai dar a você aquilo que você precisa. A mesma coisa seu marido. Se você fosse casada hoje e se estivesse sem emprego e ele quisesse dizer a você para ir ao shopping e gastar uma quantia X de dinheiro, você tem que saber aceitar, agradecer e não se sentir culpada ou constrangida. Ser responsável demais às vezes pode parecer que você é boa o suficiente para dar conta de tudo e isso às vezes pode trazer problema em um relacionamento. Precisamos ter o equilíbrio das coisas. Não basta sabermos apenas dar. Precisamos aprender a receber.

Aquilo ficou martelando em minha cabeça durante a noite toda. Pensei no quanto realmente não gosto de depender dos outros, de pedir coisas para os outros. Percebo isso muito claramente em minha relação com minha mãe quando se trata de dinheiro. Claro que quando eu preciso, eu peço porque não tem outro jeito, mas por dentro aquilo dói. Parece que é errado, parece que estou pecando, fazendo algo absurdo. Imagino como seria se tivesse que fazer isso hoje com um marido. Creio que não conseguiria. Fiquei pensando que é verdade...talvez isso fosse parte do que Deus tem para tratar em mim e comecei a avaliar melhor as coisas.

Tivemos um casamento hoje e fomos a uma loja de roupas. Eu havia visto o catálogo de outono/inverno da loja e havia ficado doida com duas peças em particular. Cheguei lá, mas não falei nada. Nem pensar em pedir para minha mãe comprar algo para mim. Como a vendedora super me conhece, já chegou mostrando coisas que sabia que eu iria gostar e bingo mais uma vez. Ela veio com as exatas peças que eu havia amado no catálogo. Experimentei só para ter o gostinho de imaginar como elas ficariam em mim. Por dentro gritava "ai, amei...puxa, se eu tivesse trabalhando poderia comprá-las porque tenho pouca roupa de frio", mas fiquei bem quieta. Quando minha mãe terminou de provar as roupas que ela havia separado, virou para mim e disse: - Paula, você gostou destas roupas que provou? Eu respondi que sim. Ela virou para a vendedora e disse: - Coloque-as junto com as minhas. Vou dar de presente para você.

Dentro de mim foi aquela festa, mas ouvi Deus dizendo: - Eu cuido de você. Eu providencio para você até as pequenas coisas que seu coração deseja. Saiba aceitar e saiba agradecer. Você não precisa ser a mulher maravilha para dar conta de tudo. Apenas viva e deixe que Eu faça o resto.

Fiquei meio perplexa, pensando que então realmente a minha amiga estava certa. Saber aceitar e saber deixar Deus providenciar as coisas que meu coração deseja era parte do plano. Acho que a ficha caiu. Sei que não vai ser do dia para a noite, mas acho que agora posso aprender a lidar melhor com este tipo de coisa. O mais engraçado de tudo é que no casamento aconteceu algo que me surpreendeu e muito. Acho que foi quase como uma resposta de Deus para tudo isso.

É...aos poucos acho que as peças do quebra-cabeças vão se encaixando e eu vou entendendo aquilo que Deus quer tratar comigo. Quis escrever isso tudo para não me esquecer depois, porque aquela conversa com meus amigos foi extremamente elucidadora.

sexta-feira, 19 de março de 2010

Hope

Em meio as divagações noturnas, fecho os olhos e vejo as ruas nova-iorquinas com suas luzes brilhantes, a brisa fria e pessoas andando de cabeça ora erguida ora baixa, pensando no dia que se passou e no que o amanhã trará. Barulhos, sirenes, buzinas dos carros que passam pelas ruas. A cidade de Nova York é como mágica para mim. É como se lá tudo pudesse acontecer, é como se um segundo fosse precioso demais para se desperdiçar; há uma esperança no ar, é como estar dentro de um filme. Às vezes eu pegava o trem depois do trabalho e ia para lá só para andar pelas ruas, me sentir viva e olhar a cidade. Me lembro daquele pier perto da estação. Às vezes me sentava lá, com aquela brisa fria que vinha do rio e pensava que lá era um lugar em que poderia morar para sempre, pois havia algo no ar que me deixava feliz e acho que era esperança de que lá as coisas poderiam acontecer.

A verdade é que as coisas podem acontecer em qualquer lugar.
E também podem não acontecer.

Eu sou sonhadora demais. Sou daquelas pessoas que anda na rua e já imagina a trilha sonora pro momento. Não sei se as outras pessoas são assim também, se ficam imaginando coisas e situações para aquele lugar, aquele momento. Queria que algumas coisas mudassem na minha vida neste momento. Eu preciso de um emprego. Nunca fiquei sem trabalhar e de repente, me ver assim, formada, tendo estudado tanto, morado fora e nada...nada. É como se sentir uma latinha amassada jogada na sarjeta. Essa fase está sendo extremamente difícil para mim. Faço testes, mando currículos e nada. Estou vivendo pela fé nesses dias.
Não quero sair de Bauru agora. Estou me sentindo tão bem na igreja, sinto que estou crescendo espiritualmente e isso mexe comigo porque sei que se sair daqui agora, as coisas irão mudar. Teria que procurar uma igreja em outra cidade, ver se a doutrina condiz com o que acredito, ver se me sinto bem naquele lugar...não é tão simples quanto parece e minha vida religiosa pesa muito em minhas decisões hoje.

Só sei que queria acordar amanhã, abrir a janela, ver um sol lindo e receber aquele telefonema dizendo que há um emprego pra mim. Ai eu me sentiria segura, me sentiria alguém novamente porque ultimamente tenho me sentido qualquer coisa, menos gente. Essa sensação de inutilidade tem me perseguido esses dias. Queria ver a página sendo mudada e uma nova história começando a ser escrita.

Eu sinto que um dia, quando estiver mais madura, com ideias mais sólidas em minha mente, pegarei trechos de minha história e misturarei com tantas outras coisas e criarei um personagem fictício e escreverei um livro. Sempre sonhei em escrever um livro. Só preciso pensar no enredo e por enquanto acho que não é hora porque os enredos simplesmente vêm à mente. Se você tiver que pensar demais não é legal, não é natural e ai acho que a história fica muito forçada. Um dia as peças vão se encaixar e ai quem sabe as páginas não serão preenchidas com uma história legal?

Esperança. É, esperança. É de você que eu preciso.

quinta-feira, 18 de março de 2010

O ato de perseverar

A palavra do dia foi perseverança. Vamos ao Aurélio: s.f. Qualidade ou ato do que persevera.
Firmeza, constância. / Perseverar: v.t. Persistir, continuar firme e constante em um sentimento, uma resolução.

Tive uma noite muito estranha ontem. Não dormi bem e acordei com dor no corpo. Acho que tive febre durante a noite, mas aquela sensação de tristeza continuou comigo. Quando as coisas parecem não acontecer e nada dá certo, o que nos resta? Tenho pensado muito nisso nesses últimos dias. Ultimamente tudo o que tenho é minha fé. Acho que esta é a primeira vez em que me vejo no mais completo deserto e não brigo com Deus. Por algum motivo sei que Ele está comigo, que está passando por tudo isso comigo e me sustentando em meio às tempestades. Embora não esteja sendo nada fácil e mesmo que às vezes a dor seja muito intensa, eu tenho esperança de que as coisas irão mudar de repente e essa fase ruim logo irá passar.

Hoje estive com uma amiga muito querida e enquanto orávamos, ela começou a dizer que a única coisa que eu tinha que fazer era perseverar e crer que logo as coisas mudariam. Isso me tocou de forma profunda. Sei que Deus falou comigo e isso é o que tenho feito. É como se eu soubesse que Ele está trabalhando em um milagre para minha vida. Se as coisas continuarem assim, sei que terei que lidar com alguns problemas, mas eu creio que isso acabará em breve, pois o meu Pai nunca me deixa na mão.

Não é fácil olhar para a situação e não ver nada acontecendo. Parece que por mais que você faça sua parte, as coisas estão emperradas e nada vai para frente. É assim que tenho me sentido e ai, quando vem a noite, vem junto o choro, a dor, as dúvidas do que irá acontecer. Tenho tido muita fé e como disse, não tenho brigado com Deus. No passado fazia muito isso. As coisas não davam certo e eu já brigava. Agora é diferente porque sinto que Ele é a única certeza que tenho em meio a tantas dúvidas. Estou vivendo do incerto e isso não é nada fácil.

"Toda minha esperança está em você. Tome minha vida, tome tudo de mim".

quarta-feira, 17 de março de 2010

E lá vamos nós...outra vez

A Giglio vive me dizendo: - criatura, volte a escrever o que brota da sua alma! - acho que decidi dar ouvidos e deixar fluir o que anda berrando aqui dentro. Estava lendo uns textos antigos e sei que até escrevi alguns bons textos, reflexivos e tudo mais, mas é sempre tudo tão triste. Será que a melancolia é realmente a melhor amiga dos escritores?

Já é tarde e estou cansada. Hoje vou dormir, mas a partir de agora retomarei minha atividade de escrever aquilo que brota do meu coração. Desta vez vai pra frente mesmo porque das últimas vezes que tentei retomar, acabei deixando de lado.

Estou sentindo uma dor no corpo e uns calafrios de frio. Será que estou ficando doente? Sinceramente, depois do que presenciei hoje à noite, não me surpreenderia.

Até amanhã!