segunda-feira, 24 de março de 2008

Desconexo

O que poderia eu dizer às três e cinquenta e três da manhã? São nessas horas que meus pensamentos divagam ainda mais. Ando me sentindo quase uma estranha dentro de meu próprio corpo. Creio que tenho conseguido tatear alguns de meus pensamentos e acabei entrando no profundo de mim mesma. Sinto que estou mudando. Tomara!
Gostaria de escrever aqui coisas mais jornalísticas. Não consigo. Quando começo a escrever sai o que está na mente no momento e como ando me analisando demais, acabo indo para o pessoal. Bem, paciência! Praticamente ninguém lê este blog mesmo, mas é um bom exercício, de qualquer forma.
Ontem, conversando com um amigo em uma festa, falávamos sobre relacionamentos. Pela primeira vez na vida pensei sobre o fato de conviver com alguém pelo resto de minha vida. Será que seria capaz? Será que haveria alguém pra suportar todos meus defeitos e ainda assim me amar? Pensando desta maneira, parece improvável, mas não planejo mais nada e sinceramente, já nem sei mais o que penso a respeito de relacionamentos.
Ando numa fase meio fechada. Quero ficar sozinha. Hoje, por exemplo, tive necessidade de passar um tempo comigo mesma. É bom, faz refletir. Ainda vou entender por que o ser humano sente essa necessidade de ter alguém. Claro, todos precisamos de companhia, mas os amigos não bastam? Não sei...não sei mesmo!
Boa parte de nossas vidas se resume na busca pelo amor. Pense nas músicas, nos filmes, na publicidade...há tantas coisas que se baseiam nesses relacionamentos que parecem perfeitos; tantas feridas que viram os mais belos versos cantados pela boca de muitos. Às vezes me afogo em comédias românticas. É gostoso se colocar no lugar do personagem do filme e imaginar que se ele(a) fosse você, como reagiria?
Sei que estou escrevendo coisas um tanto sem nexo. São quatro e sete da madrugada. Já não me importo mais...

sexta-feira, 14 de março de 2008

A little bit of Carrie in my life

O que poderia ser dito a esta hora da noite? Incrível como a capacidade de produção das pessoas é algo extremamente pessoal. Geralmente meu pico criativo ou minhas melhores inspirações acontecem na noite. Talvez porque meu cérebro se encontre tão cansado que as idéias já pulam pra fora por si só para não ter que dar trabalho a ele. Talvez seja apenas um monte de besteira, como um surto noturno.
Quero escrever.
Sempre que assisto Sex and The City minha cabeça fica meio virada. Talvez porque os roteiros sejam tão bons e as personagens tão reais. Ora, se eu tivesse que ser uma delas, provavelmente seria uma mistura de Carrie com Samantha, mas meu lado Carrie sobressai. Vejamos: amo moda, roupas e especialmente sapatos; gosto de escrever; sempre acabo recorrendo a minhas amigas pra pedir conselhos amorosos; sempre quis estar em Paris; vivo em crises com o mundo e comigo mesma, e, acima de tudo, quero um amor louco, intenso e verdadeiro, embora ainda me encontre na primeira temporada e nem um pouco pronta para amar.
Tenho descoberto que amar não é nada fácil. Na verdade eu já sabia disso, mas havia me esquecido. Há tantas formas de amar, mas sempre sonhamos com aquela que parece ser perfeita, que irá tirar seu fôlego, que te colocará um sorriso no rosto antes de dormir, que te trará arrepios, insônia, frio na barriga e ao mesmo tempo, irá fazer com que você se sinta a pessoa mais importante do mundo. A partir do momento em que se ama, sentimos que somos únicos, indestrutíveis, valentes, preenchidos, poderosos e o melhor de tudo: felizes. O que esquecemos é que a felicidade sempre anda de mão dadas com a dor – é, porque para amar, é necessário sofrer. Não que seja necessário, mas sempre acontece. E eu ressalto: sempre! Você pode estar com a pessoa mais compatível, mas sempre terá um momento de crise, de tensão. As brigas fazem parte do relacionamento, da aprendizagem, do compartilhar. Enquanto são apenas brigas que ajudam a construir o relacionamento e esclarecer as coisas, ótimo! O problema é quando se tem uma briga que os leva ao ápice da dor: o término.
Quando chega o término, desejamos ter feito tudo diferente. Queremos sair correndo e passar uma borracha em cima de todos os erros. Infelizmente isso não é possível, mas é assim que nos sentimos. Pensamos em todas as besteiras que cometemos, em todas as palavras que poderiam não ter sido ditas, em todos os gestos de carinho que poderiam ter sido demonstrados. Agora é tarde demais. Às vezes tem volta. Às vezes não. Lidar com o não nunca é fácil. Difícil também é pensar em todas as coisas que ficaram apenas no plano do pensamento e não foram feitas com a pessoa amada. Quando estamos junto de alguém, a mente vai muito além do que queremos e imagina cenas, momentos únicos, remete a sensações e assim, passamos a buscar por essas coisas com o objetivo de trazê-las para o plano real. A busca, de certa forma, continua quando o relacionamento acaba porque temos de lidar com nossas frustrações íntimas, que ficam lá no âmago de nosso ser. O que fazer com todo o sentimento que restou? Para a maioria das pessoas, só resta esperar o tempo fazer a poeira baixar e tentar seguir em frente. Aí vem aquele pensamento de que se não tivéssemos conhecido tal pessoa, agora não estaríamos passando por isso. Mas é assim mesmo! Se não houvesse esse tipo de coisa, como haveria progresso? Que emoção teríamos na vida? Não começaríamos nada pelo simples medo de não dar certo.
Eu, como a maioria das meninas, sempre sonhei com o príncipe encantado. Não quero que ele venha em um cavalo branco, mas quero que ele simplesmente arrebate meu coração e assim como a Carrie, quero que ele me dê um amor louco, intenso e verdadeiro, mas ainda não estou pronta pra isso. Na verdade, nem um pouco pronta. Vi que tenho mil coisas para modificar em mim mesma antes de estar com alguém. Ninguém tem culpa dos meus erros, problemas e defeitos e muito menos de ter que me “consertar”. Preciso entrar em um relacionamento comigo mesma e me entender antes. Fazer aquela reforma na casa e depois convidar pessoas para visitá-la, pois sempre haverá alguém disposto a comprá-la, mas no momento certo.
Enquanto isso, vou vivendo meus dias sabendo que as falhas e defeitos que mais me assombram são meu maior desafio presente. Não posso deixar que essas coisas sejam enormes bolas de neve em meu caminho. Tenho que encarar os fatos de frente e buscar a felicidade no presente sendo alguém melhor e mais feliz – eu comigo mesma.

quarta-feira, 12 de março de 2008

Aprendendo a respirar

Estou presa dentre meus próprios pensamentos. Gostaria de tateá-los para saber sua textura, se há um peso definido para cada um deles. Não posso dormir. Não tenho dormido há dias porque esse fluxo de imagens, idéias e definições não me deixa em paz. Preciso escrever.
Escrevo para o nada, para ninguém. Não preciso ser lida, apenas preciso dizer o que me aflige. Escrever é sempre minha válvula de escape, embora não publique praticamente nada do que escrevo. Às vezes dói. Às vezes sinto-me inerte como um relógio onde só os ponteiros ou o pêndulo se movem. Poderia passar a noite aqui, divagando em minhas idéias, na crise que criei dentro de mim. Tenho comigo essa coisa de somatizar emoções. A maioria aparece na pele mesmo. As feridas corroem e machucam, me deixando em pleno desespero. Desta vez foi um pouco diferente. Como o problema é não poder falar o que quero, desenvolvi uma dor de garganta. Sim, está tudo aqui, entalado, esperando pra sair. Sei que você não quer me ouvir, embora seja necessário eu falar.
Há dias não durmo. Tenho pesadelos, rolo na cama e a agonia não passa. Desenvolvi uma febre interna que queima tanto quanto meus pensamentos querendo sair pra fora em forma de palavras. Por que você não me ouve? Na verdade, o problema é todo comigo. Você teria apenas que ouvir. Nada remete a você. Descobri que tenho síndrome de Mulher Maravilha.
Quero ser tudo, quero agradar a todos. Pra que? Quando tentei ajudar, fui mal compreendida e dizem por aí que os bonzinhos só se fodem. Não sou boazinha, mas não é a primeira vez que uma boa intenção – a meu ver, que isso fique bem claro – me fode. Cada indivíduo faz uma leitura muito peculiar daquilo que vê, que sente. “O que é positivo para uns pode ser negativo para outros”, já dizia a psicologia. “Mais um pouco e você pode tornar-se uma psicóloga”, disse a minha querida terapeuta. É, acho que desta vez o buraco foi bem mais embaixo e como o tombo foi grande, não tive como fugir da azeda realidade em que me encontro. Consegui entender onde erro. As fichas caíram todas de uma vez. Só ainda não descobri porque insisto em persistir nos mesmos erros.
Estou adorando escrever neste momento porque os pensamentos estão fluindo. Adoro quando as coisas fluem! Gostaria de entender por que me preocupo tanto com o julgamento que os outros fazem de mim. Oras, eles não pagam minhas contas, mas fazem parte de minha realidade. Sim, eu poderia ignorá-lo e passar o resto de meus dias achando que você é uma pessoa insignificante e que não deveria me importar com a maneira que você age perto de mim agora, com o que pensa de mim. Pois é, não consigo ficar assim, nesta situação excruciante com pessoas que na verdade, significam algo pra mim. Me machuco ainda mais. Quebro mais a cara. Faço Freud virar do avesso e Skinner querer sair correndo. Esta sou eu.
Por enquanto.
Preciso mudar.
Tudo o que me aflige desse tanto me faz um mal que ninguém imagina. Os pensamentos ficam nesse movimento de ioiô em minha mente e sempre busco respostas que muitas vezes demoram pra vir.
Sei que faço drama, que minha pilha praticamente só tem o pólo negativo e que faço tempestade em copo d’água. Sou assim desde criança e sei o motivo. Não cabe entrar nisso agora porque não quero perder o foco. Se sou assim hoje, foi porque um dia tive que aprender a usar essas inutilidades pra me defender. Pra defender alguém. Por isso sou mãe. Por isso quero cuidar, por isso me preocupo. Às vezes essa atitude não é bem vinda, mas nunca, por sequer um segundo, ajo desta maneira pra magoar alguém. Eu tive que ser mãe desde os 4 anos e confesso que, se não fosse o drama, as tempestades em mil copos d’água e minha compaixão em cuidar, não sei como seria hoje a vida de quem mais amo. Ficamos com seqüelas graves, eu e ela, mas pelo menos naquela época eu consegui protegê-la e fiz com o maior amor que existe neste mundo. Faria de novo. As minhas seqüelas são provavelmente maiores do que as dela. Sofri muito, por muitos anos tentando entender o porquê de tudo. Nunca consegui e acho que talvez nunca entenda. Tenho mania de querer entender tudo, de resolver tudo. Não gosto de deixar nada mal resolvido. Dizem que às vezes é melhor deixar rolar... Isso comigo não funciona. Não consigo pensar que posso estar machucando pessoas de quem gosto e que talvez ainda se importem comigo.
Cada pessoa que passa em nossa vida deixa uma aprendizagem. Já aprendi tantas coisas boas e você foi uma peça muito importante no meu quebra-cabeça. Você me revirou inteira, trouxe a tona todos meus problemas de infância, aqueles que guardava no mais profundo de meu ser; trouxe meus maiores medos, minhas fobias, meus fracassos e dificuldades para me encararem de frente. Eles já não podiam mais ficar guardados. Talvez a vida te dissesse que era hora de eu enfrentá-los e as situações foram ocorrendo como uma temporada de pesca. Você jogava a isca, sem saber se ali havia um peixe e eu sempre mordia. Eu tinha a opção de não morder, mas nunca a escolhi. Talvez eu quisesse saber como era a superfície porque por tanto tempo me enterrei em meus medos que estava confortável lá. Já na superfície eu teria de lidar com outras coisas. Tinha que aprender a respirar, senão morreria. Estou morrendo, aos poucos entre meus medos e pensamentos, mas preciso aprender a respirar e estou buscando pelo ar continuamente.
Morder a isca seria algo inconsciente? Quando eu chegava à superfície, sempre pensava que eu jamais deveria ter mordido aquela isca. Por que fui fazer isto? Lá embaixo estava tão confortável. Eu estava bem olhando você e seu anzol, mas um impulso que não sei de onde vem me fazia morder a isca. E aí tudo se desenrolava.
Não consigo ficar hoje nesta redoma de vidro sem poder me aproximar. A culpa é minha, toda minha. Não soube lidar com a situação e se não aprender e simplesmente deixar passar as iscas, morrerei na superfície lentamente, me debatendo em busca do ar. Preciso praticar a tolerância, o entendimento e a maturidade emocional. Preciso voltar a crer no amor, crer que ele existe de verdade e deixar de agir como uma louca que carrega um punhal na mão para não apenas ferir aos outros, mas ferir a si mesma.
As feridas que ficaram em mim são muito maiores que as suas. Não me compreendo. Busco respostas e não as encontro. Não queria ter aprendido a ser assim e agora não sei como mudar. Preciso de ajuda. Você poderia me ajudar, mas já ajudou trazendo a tona todos os meus podres, meus medos e minhas falhas. Agora só me resta compreender que não tenho que proteger a mais ninguém além de mim mesma e que se o anzol pode machucar o dedo do pescador, ele abre um buraco muito maior em mim e ainda me traz o risco de morrer na superfície.
Não preciso ser a Mulher Maravilha e querer socorrer a humanidade. Hoje preciso entender que não vivo mais no passado e que meus mecanismos de defesa e proteção de então, hoje só me prejudicam e muito. Obrigada por me fazer perceber isso. Se não fossem suas iscas, talvez passasse minha vida no fundo do mar e nunca tentaria aprender a respirar na superfície. Ainda não aprendi, mas sei que posso. Agora é tarde demais para ficar inerte lá no fundo. A reviravolta já aconteceu e preciso, aos poucos, trabalhar minha respiração.
No mais, só me resta dizer: - Perdoe-me se te magoei. Verdadeiramente, essa nunca foi minha intenção e obrigada por me tirar da redoma de vidro, pois sem caos não há progresso, pelo menos interno. Se um dia me tornar alguém melhor, saiba que você foi peça chave na mudança. E aquele meu pedido de desculpas sinceras que estava faltando está aqui, escancarado dentre estas linhas, já que você não me permite dizer. Pelo menos agora.