Não, eu não espero uma mudança drástica. Na verdade tenho medo de que nada aconteça. Um término pode às vezes ser porta para um novo episódio. Há coisas que não posso fazer agora, mas que poderei após ter finalizado esta etapa.
Você me fez uma ótima pergunta. Eu me preocupo e muito com o que acontece dentro de mim. Sempre busco respostas, sempre busco o entendimento. Tento enfrentar meus medos na medida do possível e creio ter um dom que muitos não têm: eu enxergo além do visível. Eu enxergo o invisível, aquilo que está emaranhado e rebuscado no fundo de cada um. Talvez, devido a minha invisibilidade, eu tenha adquirido esse dom. São poucos e são raros os que o possuem. Não, não estou me vangloriando e dizendo que sou rara. Eu desenvolvi esse dom puramente por instinto, porque as situações praticamente me obrigaram.
Eu me pergunto e me questiono muito. Você está certo, Sebastião. Eu tenho medo. Não consigo agir por impulso e talvez por isso deixe de viver muita coisa. Não consigo correr riscos que imagino conseqüências abaladoras. Me fizeram ser um bicho do mato. Perante tantos julgamentos, tantos comentários, cresci assim e no momento, sou assim. Não sou como você. Somos diferentes. Viemos de direções totalmente opostas.
As pessoas julgam, comentam, falam. É normal do ser humano. É. Sou um livro julgado pela capa em 90% das vezes. Na minha lucidez não me importo mais porque não quero que qualquer um chegue na minha essência. Mas tem aqueles desbravadores de capas, de vidros que de uma maneira ou outra, conseguem penetrar. Não gosto de falso moralismo, de hipocrisia. Alguns fingem não julgar o livro pela capa só pra se sentirem bem.
E sabe do que eu cansei? Cansei de ser sempre a amiga. É pra isso que sirvo em 97% dos casos. Não quero mais ser amiga de ninguém. Meu ombro só serve pra isso e no entando, venho sendo muito alfinetada por tantos "amigos" que tenho por aí.
Sou apenas um livro, sentado ali na estante. Quando alguém precisa, vai lá, pega o livro, olha a capa, olha torto, mas ah...pra aquele momento o livro serve de companhia. Começam a ler a história e depois devolvem ele lá. Fica esquecido, jogado, guardado. Então, antes de me perguntar porquê me pergunto tanto, porquê me preocupo tanto com as mudanças exteriores, pergunte aos outros porquê eles agem da maneira que agem e quem sabe, se talvez um dia você calçasse os meus sapatos, você entenderia exatamente porque sou do jeito que sou.
No momento, prefiro guardar minha essência. Foda-se o livro. Foda-se a capa. Foda-se as pessoas que frequentam as bibliotecas.
E tenho dito...

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