O que fazer quando nem você mesma consegue diagnosticar um problema? Eu sinto uma melancolia tão profunda que a única vontade que tenho tido nesses últimos dias é me trancar em um quarto escuro, ouvir música triste e chorar...mas chorar muito pra ver se eu limpo de dentro de mim tudo aquilo que anda me corroendo. O problema é que eu não sei exatamente o que me corrói e não saber o que fazer, não ter controle da situação é absolutamente amedrontador para mim.
Hoje eu dei um tiro bem grande em meu próprio pé. Eu sei. Foi meu mecanismo de auto-sabotagem agindo, mas o pior de tudo foi só ter percebido isso depois que o episódio aconteceu. Eu nunca consigo evitar o problema. Sempre me dilacero depois porque permiti que ele acontecesse. Eu sou um verdadeiro monstro comigo mesma. Essa é a mais pura verdade. Já tenho várias tendências depressivas e minhas ações só me trarão conseqüências muito piores do que as que eu já imaginava. Talvez eu tenha posto tudo a perder. Talvez tudo já estivesse perdido mesmo. Para se perder algo, antes devemos ganhá-lo. Eu nunca ganhei.
Eu não sei o que anda acontecendo comigo. Tenho sentido coisas estranhas e minha mente está muito conturbada. Acho que a transição está mexendo demais comigo e levantando medo e coisas que talvez eu ainda não tenha enfrentado. É o medo de ser adulta, de ter que dar conta de toda a minha vida agora, não sei. Acho que isso é boa parte do problema, mas não tenho certeza. Eu não estou bem e já percebo que todos os meus sintomas depressivos estão vindo à tona novamente. Talvez seja hora de procurar ajuda, não só de terapia, mas de um médico, talvez. Me sinto muito, mas muito fraca. Como se alguém fosse relar em mim e eu já fosse despencar. Não sei o que fazer. Não sinto que tenho a quem recorrer. Quem me acodia no passado hoje já não me acode mais e não entende determinadas coisas.
Eu tenho pedido tanto socorro, tanto. Não sei mais o que fazer e eu já fiz tanta besteira nesses últimos tempos que até de Deus tenho me escondido porque acho que Ele não quer mais me ouvir. Eu sei que isso é mentira, mas parece que não consigo crer no contrário. Eu to tão mal e vulnerável que quero me esconder de mim mesma porque sou eu quem trouxe isso tudo pra si própria. Eu é que não consegui controlar meus ímpetos e ocasionei situações ruins e constrangedoras pra mim mesma. Tô me sentindo uma desequilibrada, uma louca – e na verdade tudo o que eu precisava era de um pouco de colo, afeto e compreensão. Será que é tão difícil de conseguir essas coisas hoje em dia? Acho que sim.
Hoje meu colega de trabalho me disse que sempre que ele olha pra mim, tem uma visão triste de minha pessoa, que eu ando sempre muito baixoastral. É verdade. Eu tenho estado completamente apagada, oca, vazia – me sinto uma ridícula que nunca vai conseguir as pequenas coisas que quer da vida. Ô maldito pessimismo. Mas é, eu já sonhei tanto e quebrei tanto a cara que ultimamente só consigo ser melancólica e meu eu depressivo já dominou o pedaço. Não sei o que vai acontecer comigo se eu continuar assim. Vidinha sem sentido essa minha...não, não estou falando em suicídio porque jamais faria uma coisa dessas, mas só não entendo o propósito de eu estar aqui, de eu existir. É uma vida tão sei lá...ai eu me vejo dizendo isso e começo a me punir por ser tão ingrata. Vai entender.
Queria meu vô agora pra me dar colo. Pronto. Falou a palavrinha mágica e eu comecei a chorar...

1 comentários:
Oi Paula,
Estava a procurar no google "I don`t know myself" e cheguei até o seu blog. Quando li esse seu post, parecia eu estar lendo a mim mesma. Eu entendo completamente o que você está sentindo. Moro na Bélgica na Europa, tenho uma vida de mil oportunidades e no entanto é assim que me sinto também: Oca, Vazia. O inverno percorre a minha alma e me sinto essa pessoa fria, sem humor, e culpada por ter todas as oportunidades e mesmo assim me sentir do jeito que me sinto. Sai do Brasil sem ter consciência dessa falta de amor próprio e cheguei a essa conclusão aqui, quando percebi que o que eu não tinha pra dar - amor (nem sequer a mim mesma) - virou realidade a minha volta. Estudando arte por aqui me fez perceber que geralmente o que pensamos vira a nossa realidade, assim um link bem comum entre psicologia e arte, no fato de que nossos pensamentos são as lentes pelas quais vemos o mundo. Na theoria é bem lógico, mas mudar a nossa perspectiva requer vontade persistência e prática.
Resolvi escrever para você pq desejo a você o contrário do que está acontecendo comigo. Eu estraguei uma realidade (a do Brasil), vim parar por aqui e parece que estou cometendo os mesmos erros. Mas é uma lição enorme pra mim. Pratique ver o mundo com outras lentes. Procure deixar o ego de lado e perceber que existem pessoas que estão também necessitadas de amor e carinho, e que juntos podemos superar esses obstáculos. Ver a nossa existência como o pequeno principe faz...de bem longe em seu planeta distante e perceber a existência como algo efêmero. Essa é a lição que tento me ensinar hoje afim de mudar essa situação.
Te desejo tudo bom, Paula.
Um beijo grande
Julia
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