quinta-feira, 10 de julho de 2008

Conversas espelhadas

Quando tudo o que eu te digo, é na verdade, coisas que talvez eu tenha que dizer pra mim mesma.

Estava lendo um blog, o Haute Intimitè - que é muito bom por sinal, e li algo que me abalou completamente. É da francesa Anaïs Nin, provavelmente parte do texto que inspirou o filme Henry &June.
"E você...ora, você coloca as coisas com tanta clareza para mim...tão cristalinas...que parecem simples e verdadeiras. Você é tão terrívelmente esperta, tão inteligente. Desconfio de sua inteligência. Você faz um tipo maravilhoso, tudo está em seu lugar, parece claro, claro demais. E nesse meio-tempo, onde está você? Não na superfície clara de suas idéias, mas já mergulhou mais profundamente, para regiões mais escuras, de forma que se pensa apenas que se recebeu todos os seus pensamentos, imagina-se apenas que você se esvaziou naquela claridade. Mas há camadas e camadas... você não tem fundo, é impenetrável. Sua claridade é ilusória.
(...)
Fiquei docemente adormecida por alguns séculos, e estou em erupção sem avisar. A dureza em mim, uma quantidade inextinguível, lentamente se acumulou através dos esforços que fiz para subjugar a voracidade do meu ego." (in Henry & June, 1932)

1 comentários:

Samantha Abreu disse...

sim, querida!
esse trecho é de uma conversa entre Anïs e Henry Miller.
Está nos diários de 1932 dela, publicado em livro e que, depois, virou filme.
Ela (e ele) é fantástica!

No mais, muito obrigada pela visita e pelo elogio!
Um beiJO!