sexta-feira, 25 de julho de 2008

Para Pedro Lopes


Quando eu nasci, te roubei de todo mundo.

Você era só meu e não aceitava dividi-lo com mais ninguém.

Te tirei da cama da minha vó,

Não dava a mínima pro meu pai e pra minha mãe

Fazia até a coitada chorar implorando que eu fosse para a casa.

Mas eu não ía.

Por que eu iria pra outro lugar se o melhor lugar do universo era a seu lado?

O meu nome nunca foi tão lindo como quando você o pronunciava.

As flores tinham outro significado,

A sarjeta era macia

E os bancos da praça contavam histórias.

Eu amava os patos e passávamos o dia desenhando-os nas paredes para o desespero da vovó.

Nós gostávamos era dos cisnes!

Nunca houve para mim flor mais linda do que as hortências.

Você as plantava com tanto esmero e estudávamos a gama de cores de suas pétalas.

Nunca houve amor maior e se a perfeição existe,

Para mim ela é você.

Foram os 4 primeiros anos de minha vida e os melhores também.

Com você aprendi a enxergar pessoas, a ver a bondade e a entender que o amor acontece de formas simples.

Você não me dava presentes, nem me enchia de bonecas.

O seu colo era o melhor presente do mundo.

O jeito que você me olhava era único

E é assim que eu sei que um amor de verdade deve ser.

É na simplicidade de detalhes que ele mora.

Não são valores, são atitudes.

Você é a razão da minha memória de elefante.

Tudo o que vivemos foi precioso demais para que eu pudesse esquecer.

Eu me lembro de tudo e se fechar os olhos, sinto seu amor com maior intensidade.

No dia em que aquele telefone tocou, eu sabia que algo havia acontecido com você.

Somos conectados e eu senti...

Senti que você partiu e que me deixou.

Me lembro de quando gritei, da comoção que causei no velório porque ninguém no mundo,

Nunca houvera visto,

Uma garotinha passando por tanta dor naquela idade.

As pessoas achavam que eu não entendia.

Eu sabia que você tinha partido e que fisicamente havia me deixado;

Sabia que não haveria mais o seu colo,

Nem patinhos nas paredes,

Nem sopa de salsicha no final da tarde.

Eu tenho certeza de que você sorriu pra mim.

Me lembro que eu te chacoalhava e da camisa xadrez com que você se foi.

Eu mexia em você achando que você poderia acordar

Porque na minha cabeça, naquela idade,

O amor já movia montanhas

E eu queria crer que o meu amor seria suficiente pra Deus te trazer de volta pra mim.

Mas acho que por você ser quem foi, é que Deus te tirou daqui.

Você só podia ser um anjo e acho que Ele precisava de você.

Nunca vi olhos mais azuis do que os seus

E às vezes acho, que eu criança, era mais capaz de te deixar ir do que hoje.

Se fosse hoje, eu não aguentaria.

Eu morreria aos poucos,

Como aqueles casais de velhinhos que morrem um em seguida do outro porque não aguentam a perda.

Não saberia perdê-lo hoje.

Já gritei pro mundo

E tatuei na pele o quanto eu te amo

Tudo o que eu mais queria era poder vê-lo, poder abraçá-lo e dizer que não há nada nesse mundo

Que eu ame mais do que você.

Não há como colocar em palavras o vazio que ficou dentro de mim.

Falar de você é quase que um segredo porque não consigo não chorar, não sentir a dor que senti naquele dia com 4 anos de idade.

Tenho pavor da morte e não sei nada sobre ela, mas se um dia eu morrer,

Quero que a sua alma venha buscar a minha porque só assim não sentirei medo.

Hoje, quero pensar que você me observa e que me supre com o seu amor de onde estiver.

Porque não importa o que aconteça, aonde eu vá,

Eu sempre vou te amar mais do que qualquer outra pessoa

E eu sei que mesmo que um dia eu fique muito velha,

Eu sempre serei a sua garotinha.

2 comentários:

Samantha Abreu disse...

que bonito, querida!

há sempre alguma beleza na dor...

um beiJO!

Anônimo disse...

huh-huh
muitas lágrimas para um dia só
eu não posso com isso...

amo você
fica bem que eu to chegando

bjoss