Não consigo me lembrar quantos anos tinha quando vi "Tomates Verdes Fritos" pela primeira vez. Comecei assistindo achando que seria um filme chato, mas em poucos minutos ele me conquistou. Havia muitos anos que eu não o assistia. Lembro-me que na adolescência assisti por várias vezes. Um dia desses estava andando pelas Lojas Americanas quando vi o DVD do filme por R$9,99. Tive que comprar.
Desde que comprei o filme, não o havia assistido novamente. Hoje foi o dia. Cheguei cansada da faculdade, pensando em tantas coisas e queria desligar um pouco minha cabeça. Me lembrei de que ele estava lá na estante, ainda lacrado. Queria ver Kathy Bathes gritando "Towanda" e chorar com a música de abertura. De fato, chorei.
O que mais me intriga nesse filme é o fato de eu me sentir quase igual à personagem de Kathy Bates. As melhores cenas são as de "Towanda", quando ela surta e decide fazer o que quer sem pensar nos outros. Estou vivendo esse momento agora em minha vida e sempre que tenho atitudes assim, desde a primeira vez em que vi o filme, digo "Towanda" para mim mesma. É um grito de libertação.
Chorei um chorinho gostoso, mas senti que tinha mais para vir. Uma tristeza súbita me pegou de jeito e agora estou aqui a indagar sobre tantas coisas que prefiro nem começar a falar sobre, como a morte, por exemplo. Morro de medo da morte e tenho pânico dela. O engraçado é que esse pânico so cresce, aumenta e ao invés de melhorar com a idade, só piora. Tenho surtos, crises e não consigo falar sobre eles, nem mesmo na terapia. Por que temos que morrer? Fico pensando no que seria de mim e de minha irmã se algo acontecesse com minha mãe. Deus nos livre! Não temos mais nosso pai e eu sou apenas uma estudante sem emprego, não teria como nos sustentar. A gente briga, como toda família, mas não quero ninguém partindo. Já basta meu pai, avó e tia. Quero manter todo mundo aqui pra sempre e eu também não quero partir. Quando falo nisso choro feito uma condenada. As lágrimas não cessam, como agora por exemplo. Nem sei porquê estou falando disso. Na verdade sei. É que Ninny Threadgoode dizia não ter medo da morte e Evelyn não podia nem pensar no assunto. Quando Evelyn chega no quarto e vê que Ninny não está mais lá e a enfermeira dá a entender que ela morreu, é como se um pedaço de mim morresse também. Eu consigo sentir o drama de Evenly, sua dor.
Sou apenas uma garota boba, medrosa, que escreve pra ela mesma tentar se convencer de que talvez um dia ela seja feliz. Esse blogue, de jornalístico não tem nada. Nem é pra ter mesmo, por isso não divulgo pra ninguém. Aqui é meu cantinho de sonhos, de tristezas e desabafos. Gosto de mantê-lo bonito pra agradar a mim mesma. Escrevo pra que eu mesma me lembre das coisas que pensei e senti em determinado momento, além de ser uma boa maneira de exercitar a escrita.
Estou em um momento de parto. Estou tentando deixar Mr. Welch partir, mas é tão difícil. Eu sempre o amei e agora, de uma vez por todas, tenho que tentar seguir sem a idéia de tê-lo comigo um dia. Não posso ter esperança, por isso resolvi me afastar. Por que a vida nos traçou assim? Por que ele teve que aparecer em minha vida? O que eu teria aprendido com ele? Não consigo achar resposta alguma, além de que ele me fez sofrer de maneira absurda. Nunca mais quero amar alguém como o amei, na verdade, queria nunca mais amar. Depois da última experiência que tive este ano, vi que estar com alguém nem sempre é tão bom como parece. Por que temos a mania de colocar nossa felicidade no outro, como se dependêssemos de alguém para nos fazer feliz, para nos trazer a felicidade? Isso não existe. Temos que ser felizes por nós mesmos e uma outra pessoa deveria apenas somar mais felicidade, não tornar-se o pacote completo.
É, acho que falei muita coisa sem conexão alguma. Agora vou me deitar, chorar um pouco mais e pensar que amanhã será um novo dia.
"Towanda".

1 comentários:
Nossa! Que bonito, desde os tomates verdes fritos (que ainda nao assisti mas ja sei que é bom...) até a felicidade individual e compartilhada. Aproveite pra chorar agora...se voce for no futuro mais ou menos como é hoje só poderá ser feliz.
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